“Adeus meu pai, adeus minha mãe…”

VANESSA MARCONATO NEGRÃO (TEXTO) E PEDRO NEGRÃO (FOTO) – Nina já fez 13 anos. Quem vê de perto nota a névoa nos seus olhos, apesar do semblante altivo de quem guarda a casa e todo o mais necessário. Da família só não leva o sobrenome. Foi deixada, ela e uma ninhada de filhotes na estrada de terra que vai dar no sítio. Sua chegada coincidiu com a minha partida. Eu, filha única, estava indo viver na cidade grande. Me lembro dela caber na palma da minha mão, na noite que antecedeu minha mudança. As pulgas eram tantas que se confundiam com uma mancha negra na barriga. Correndo de um extremo a outro, amontoando-se entre os pelos. Nina apesar da idade avançada para uma cadela de seu porte se mantem útil, se posta na entrada da propriedade, olhos fixos no horizonte, esperando o regresso de quem um dia a resgatou. A trilha sonora da minha partida, cantada por Rolando Boldrin dizia: Adeus meu pai, adeus minha mãeAdeus pessoal, estou indo emboraPro mundo afora, dentro de um bornalLevo um restinho de alegriaUm bocadinho de sal, que cai dos olhosQue dentro deles, como uma saudade mortal.”O que me consolava era saber que a Nina ficava, enxugando os olhos marejados de minha mãe.

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