O Oscar 2019 e os negros no cinema

LÚCIA HELENA DE CAMARGO –

Este primeiro texto no blog Todas as Telas, abrigado no nosso coletivo Terceira Margem, pretende ser um convite à reflexão. Na premiação mais badalada do cinema, o Oscar, o tom da edição 2019 foi de preocupação em trazer às luzes questões sobre  minorias pouco representadas. Grande parte dos apresentadores eram negros, alguns dos discursos mais aplaudidos chamaram a atenção para a discriminação, seja pela cor de pele ou gênero.

Embora as mulheres não sejam exatamente uma minoria no mundo, já que 50% da população é do sexo feminino, o cinema sempre foi majoritariamente masculino. Ganham força os movimentos contra assédio sexual e a favor de oportunidades e salários equiparados. Há muito chão a percorrer rumo à equidade, mas a Academia de Hollywood pelo menos esboça uma reação de desconforto em ser representada apenas por homens brancos ocidentais bem nascidos.

Claro, melhor seria se essa fase já estivesse superada e pudéssemos, ao falar de cinema (ou qualquer outro assunto, aliás), discorrer apenas sobre questões pertinentes à arte em si, ao talento das pessoas, fossem elas pretas, azuis, amarelas, cinzas, mulheres, homens, de sexo indefinido. Citando a jornalista Maju Coutinho, que quando estreou como apresentadora na bancada do Jornal Nacional (em 16 de fevereiro) viu surgir títulos de matérias sobre ser a primeira mulher negra a chegar ao posto, a mensagem é “Melhor seria se isso não fosse notícia”. Seria o ideal. Mas infelizmente o mundo ainda é habitado por seres humanos anacrônicos, para quem a cor da pele ou o sexo é um fator a ser considerado.

Para não dizer que não falamos de cinema propriamente: a produção que recebeu o Oscar de melhor filme, “Green Book”, embora seja um pouco “água com açúcar”, funciona como longa-metragem. Com produção, direção e roteiro feitos por um homem branco, Peter Farrelly, traz no elenco principal Mahershala Ali e Viggo Mortensen. Conta a história do músico negro Dr. Shirley (Ali), que é conduzido pelo motorista Tony Lipp (Mortensen), descendente de italianos inicialmente grosseiro e racista, mas que se transforma ao longo do processo. No clássico “road movie”, as transformações ocorrem de lado a lado, atingindo também seu patrão, que abre mão do refinamento em algumas situações, para, em tese, aproveitar melhor a vida.

Choveram críticas ao teor daquilo que foi levado às telas, que não seria propriamente um retrato da realidade. Spike Lee, que nesta temporada lançou “Infiltrado na Klan”, virou-se de costas quando foi anunciada a premiação de “Green Book”. Ainda não vimos o filme de Lee. Em breve, faremos aqui uma comparação entre os dois longas, cuja temática se assemelha, mas de abordagens totalmente diferentes.

Quem gostou ou não gostou e quiser deixar comentários, críticas e sugestões, pode usar os vários canais deste coletivo. Ou enviar e-mail luciahcamargo@uol.com.br

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