A força do riso

JOSÉ SIMÕES – Vamos falar da força do riso vinda da cena teatral. Vamos falar do bobo da corte. Em primeiro lugar os bobos não eram nada bobos.

Os bobos da corte,  na idade média, eram excelentes comediantes mantidos pela nobreza ou realeza. Também nem eram cheios de deformidades ou loucos. Na verdade tinham múltiplas habilidades para entreter a plateia.

Shakespeare em textos como Rei Lear e Noite de Reis utilizou o bobo para dizer coisas que nenhuma outra personagem poderia dizer. E o que acontece? O bobo então passa a ter a mesma relevância que as personagens protagonistas. É importante destacar que não se ri das piadas do bobo. Ri com ele das personagens.

O riso transgressor.

Na Grécia antiga a comédia tinha a tarefa da crítica pública, pela viés do povo e não dos filósofos e da religião. Estes sempre satirizados.

Num passado, nem tão distante, tínhamos o teatro de revista. Nada e ninguém da política passava impune aos olhos atentos dos artistas revisteiros. Tudo se transformava em critica e riso.

Não é a toa que em governos ditatoriais, quando se tem pouca ou quase nenhuma tolerância a crítica,  surge a censura contra estas manifestações do riso. Surgem os defensores dos bons costumes.

Nesses tempos  cheios de regras autoritárias os artistas são essenciais.

Basta lembrarmos do filme  o Grande Ditador (1940) de Charles Chaplin.

O riso estava à disposição da reflexão e do enfrentamento ao autoritarismo.

Há varias formas de humor, de riso e de comicidades.

Porém, toda vez que um ator (ou uma atriz) avança nesta seara. O resultado é implacável e incontrolável.

Assim, por exemplo,  quando um ator se autoproclama presidente da república, a piada esta no ato dele se autoproclamar, nos desdobramentos e cumplicidades dessa ação, e não na interpretação do ator.

E no caso o ator acertou em cheio. Vide as respostas que obteve.

Por fim, as fronteiras do riso são tênues.

Rir é um ato revolucionário.

É preciso estar atento porque ninguém ri sem motivação. O riso requer cumplicidade real ou imaginária, significação social e dialética. É um gesto social.

Nos  casos de autoritarismo o humor sempre será uma válvula potente de escape e crítica.

Ninguém duvide da força do humor e do riso na sociedade.

 

 

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: