A difícil missão de ser pedestre

FABIANA BLASECK SORRILHA – Todos somos pedestres, já diz o lema daqueles que defendem a mobilidade humana. Esse é o fundamento básico da segurança no transitar:  protegermos o mais frágil. Afinal, todos nós vamos usar o meio de locomoção mais democrático que existe em algum momento: seremos pedestres.

Mas o pedestre, frágil como é, quase nunca é visto ou respeitado pelos outros modais. Eu mesma perdi a conta de quantas vezes escrevi sobre tragédias e estatísticas de acidentes com pedestres mortos ou feridos graves.

Pedestre tem a fama de atrapalhar o tráfego. Atravessa fora da faixa para desafiar a máquina! Aposto que faz de propósito! Ou diminui o ritmo quando usa do seu direito de ter preferência ao atravessar. Ah, só pra afrontar quem está de carro, dando gentilmente passagem.

Ainda que não estejam no topo dos acidentes fatais, já que motociclistas vêm em primeiro lugar nas estatísticas, acidentes com pedestres são os que causam lesões mais graves nas vítimas, obviamente pela fragilidade do ser humano perante à máquina. Na faixa etária dos 20 anos 29 anos e após os 60 anos estão as maiores taxas de mortalidade nos atropelamentos.

Trazendo essa triste realidade para nosso dia a dia, basta caminhar pela calçada (eu disse pela calçada) das grandes avenidas de Sorocaba para sentir a insegurança de ser pedestre. Não me refiro à má conservação e planejamento do passeio público, mas sim, à velocidade com que as máquinas passam.

Se dentro do carro a percepção de 60 km/h é absolutamente plausível e aceitável para uma avenida, desça do seu veículo e caminhe pela calçada para sentir o quanto essa velocidade assusta um frágil pedestre. “Eles passam rápido demais”, me disse uma vez uma senhora que tentava atravessar na faixa para pedestres da Av. Juscelino Kubitschek, às 11h da manhã. Ela teria o direito de passar, pois trata-se de uma faixa não semaforizada. Mas nenhum veículo lhe dava a preferência.

O que fiz? Fiz ela enganchar em mim, como boas comadres, tomei coragem e com a aproximação de alguns veículos fiz menção com a mão de que iríamos, sim, atravessar! O primeiro carro parou, depois outro, e seguimos em frente, cumprindo a missão de sermos apenas pedestres.

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