Até que ponto estamos VIVENDO ou apenas EXISTINDO?

LUCY DE MIGUEL –  Ouvi essa frase ao assistir uma comédia italiana chamada “Bendita Loucura” (Benedetta Follia). Nela, o protagonista, de uns 60 anos, se questiona se durante toda a sua jornada ele viveu ou apenas existiu. A cena acontece durante uma conversa através do espelho, onde ele vê sua imagem ainda jovem.  É claro que se passa devido ao efeito alucinógeno, após ele ingerir um comprimido de êxtasy, pensando que era aspirina.

Ainda que a sequência dos acontecimentos resultasse em cenas engraçadíssimas, acredito que o diretor (que aliás, era o próprio protagonista) não colocou essa reflexão ali por acaso. Era mesmo para provocar, para trazer à tona esta reflexão para uma experiência vivida pela maioria das pessoas, e que nem se dão conta…

Confesso que durante alguns bons anos da minha vida eu apenas existi, principalmente depois que me tornei mãe. Não, não foi por culpa da maternidade. Não existem culpados, porque entendo que foi uma questão de escolha.

Não sei exatamente em qual momento deixei de viver a minha vida para entrar no piloto automático. Eu passava os meus dias em função do outro, dos filhos, do marido, da casa, da empresa, dos funcionários, dos clientes… ligada no 220. Só não tinha tempo mesmo pra mim.

Lembro-me de uma vez, no consultório da ginecologista, quando ela me perguntou sobre a última vez que eu tinha feito os exames preventivos. Parei pra fazer a conta, pra tentar lembrar e me assustei: “Nossa! Faz mais de cinco anos!”. Naquele momento, percebi que não dava nenhum valor para minha vida e tomei uma bronca da médica, que serviu como o início de uma grande amizade.

As pausas da vida são necessárias para recuperar a energia. Não existem heroínas estressadas, cansadas, maltratadas… Fotos: Depositphotos

Priorize-se!

Quando o foco não está em você mesma, nos seus sonhos, nas suas realizações, uma hora a “máquina” para, a cabeça pira, o estresse toma conta e a vida começa a desmoronar: negócios, saúde, relacionamento… Precisei passar por uma tormenta dessas para acordar e resolver olhar para a MINHA vida. E olha que ainda precisei de mais alguns anos pra tomar consciência disso. A bronca da médica não foi suficiente.

O problema é que eu olhava em volta, comentava com amigas ou outras mulheres, e descobria que elas também estavam apenas existindo. E não tinham tempo pra nada!

Quantas mulheres e mães você conhece que estão “apenas existindo” em função de tudo e de todos? Quantas abdicam da própria vida, do convívio com as amigas, da carreira, dos estudos, do seu corpo, do amor? 
VOCÊ: está vivendo ou apenas existindo?

A vida desanda quando nós mesmas esquecemos de viver quem somos e de realizar nossos sonhos.

Como quebrar esse ciclo de desesperança, então? Será que tem jeito? E eu te digo que sim, tem jeito. Dá pra virar essa chave e passar a viver com mais leveza, sem culpa, curtindo cada momento de uma linda jornada.

Meu processo de desconstrução e reconstrução, quando passei a entender o que é viver uma vida plena, veio com o coaching somado a horas e horas de estudos, cursos, meditação (por incrível que pareça, eu medito!) e até uma lesão na panturrilha esquerda. Era um sinal de que eu precisava PARAR.

As pausas são necessárias na vida, porém nós mulheres e mães nos esquecemos de uma regra simples, chamada PRIORIDADE. Não priorizamos a nossa saúde, mas cuidamos da saúde de toda a família. Não priorizamos a nossa alimentação, o nosso corpo, o nosso momento de sono, de descanso, de sexo, de diversão ou mesmo de estudo.

E se essa responsabilidade está em nós, não é culpa de ninguém mais, fica fácil de resolver. Então, dá pra virar esse jogo apenas mudando um comportamento e estabelecer as SUAS prioridades. Quando isso acontece, a vida fica leve, fica gostosa.

Hoje posso dizer que vivo de forma plena, curtindo o trabalho, a família, meus projetos, os amigos e eu mesma, meus sucessos e meus tropeços. Estou feliz! Feliz da vida!

Não foi a minha vida que mudou. EU MUDEI e todo o resto foi se encaixando… É só uma questão de começar a viver plenamente! No presente… E ser grata!

Lucy De Miguel, editora da revista NA MOCHILA, jornalista especializada em primeira infância, mãe da Sabrina e do Tiago, publica neste coletivo todas as sextas-feiras.

Instagram: @lucycantero
Facebook: facebook.com/lucycantero

2 comentários em “Até que ponto estamos VIVENDO ou apenas EXISTINDO?

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  1. Texto super sincero, que parece que fui eu quem escrevi, porém ainda não cheguei na fase de viver plenamente, estou na fase em que procuro motivação pra mudar os aspectos da vida que não me agradam! Amei o blog e vou continuar acompanhando 😉

  2. É uma jornada, Jacqueline. Comece valorizando os aspectos da vida que te agradam. Grata por me acompanhar! Um abraço. Lucy De Miguel

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