Nem um oceano nos separa

RITA BRAGATTO – 9.757km. Segundo o Google Maps, essa é a distância, em linha reta, que separa a Itália (país onde estou, neste momento) de São Paulo (estado onde mora a maioria da minha família, amigos e pacientes). É longe, se considerarmos que temos um oceano entre nós e toda a logística que envolve esse percurso. Mas quando a gente tem a internet e o amor a nosso favor, como dizem os mineiros, é “logo ali”. “Pertim”.

Ainda ontem, enquanto dirigia pelas estradas do Vêneto, pensei: “Nossa, estou sozinha aqui, no meio do nada. Não tem absolutamente ninguém que eu conheça por perto.” Mas bastou eu postar nas redes sociais as fotos dos meus últimos roteiros que todo mundo ficou conectado. Viajando juntinho comigo. Recebi vários áudios. Teve gente que até me ligou.

Lembrei do tempo em que eu morava nos Estados Unidos (1993) e mandava cartas com fotos (reveladas) pra minha família. Demorava um tempão pras notícias chegarem. Hoje, converso por câmera do Whatsapp, semanalmente, com meus amigos como se estivéssemos na sala de estar. Teve um, inclusive, que almoçou comigo no meu aniversário. Outro me acompanhou numa trilha pela floresta no dia em que nevou na França. Tem gente que vez ou outra me acorda com uma música de bom dia. Que conversa quando tenho insônia. Que faz prece junto comigo. Adoro quando essas coisas acontecem! Eu me sinto tão amada!

A distância física é cruel. Isso nós já sabemos. Nada substitui um abraço. Um beijo. A energia que emana do nosso corpo. Mas posso assegurar que a distância não separa o sentimento. Muito pelo contrário. Quando duas pessoas estão dispostas, a conexão acontece. E a energia se faz presente. Acolhe.

Meus pacientes que o digam! Desde que me mudei pra Europa uso a internet para atender pessoas que já atendia no Brasil. E também novos pacientes que moram em diversas partes do mundo. Gente que nunca vi pessoalmente. São brasileiros que residem nos Estados Unidos. Na Irlanda. Na Alemanha. Na Espanha. E que preferem ser atendidos em seu próprio idioma, pela internet, do que ter uma sessão presencial com um profissional local.

O que explica isso, pra mim, é a intenção. A energia que emana quando a gente se coloca à disposição do outro. Quando ponho meus fones de ouvido estou conectada, como que por um cordão umbilical, com a pessoa que está do outro lado. Não importa se ela está distante a 100 km ou 10.000 km. Estou ali. Frente a frente. Disponível. Presente.

Às vezes, a conexão da internet não ajuda muito. Um dia, por exemplo, tive de subir na laje de uma casa na Grécia para poder atender. Outro dia, na Holanda, precisei desligar o vídeo e continuar a sessão apenas por áudio. Mas, mesmo assim, os atendimentos foram feitos com qualidade e respeito pelos pacientes. E eles me disseram que sentiram o acolhimento necessário.

O que aprendo com tudo isso? Que o genuíno amor também é capaz de circular entre os gigabytes. Que é possível segurar a mão do outro, bem forte, mesmo que a gente não se conheça pessoalmente. Que podemos nos fazer presentes em memórias alheias, independente da distância física. E que nada é capaz de afastar duas pessoas dispostas a um encontro de almas. Nem um oceano nos separa.

Rita Bragatto | Psicanalista | Consteladora Familiar
Atendimento por Skype

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