Se olhar para o céu do fundo do poço, há de achá-lo pequeno.

PEDRO HENRIQUE NEGRÃO (FOTO) E VANESSA MARCONATO NEGRÃO (TEXTO) – Sempre fui de natureza otimista, nunca vi facilidade mais patética que dar-se por vencido. Indo contra o espírito crítico, implacável dos que me cercam, sigo tentando. Muitos julgam minha persistência como ingenuidade. Eu devolvo o julgamento: o peso nas suas costas é responsabilidade sua. Olhar o céu do fundo do poço o faz diminuir de tamanho. Daqui de cima enxergo melhor, respiro melhor, alcanço as prateleiras mais altas.

A tempestade que se avizinha, anunciada aos brados, sempre chega, eu sei, mas duvido da eficácia de antecipar suas tragédias. Na minha súmula de atribuições, nada consta sobre cutucar feridas só para vê-las coagular. O caminho é tortuoso, as pontes estão bambas, o asfalto está esburacado, de mão única em muitos trechos, mas a vida sempre pode prosperar.

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