Minha coragem é sinônimo de fé

RITA BRAGATTO – Era pra ser outra simples visita a uma igreja famosa, dentre tantas que já fiz na vida. Chovia em Pádova, na Itália, e quase não havia lugar para estacionar perto da Basílica de Santo Antonio. O movimento era grande. Pudera: domingo. Dia de missa. Mas acabei encontrando uma vaga bem ao lado da entrada principal. Quando me dirigi ao parquímetro para comprar o ticket do estacionamento, um moço veio em minha direção, sorriu e disse: “hoje, não paga. Passagem livre pra falar com Deus.”

Logo à entrada da igreja, peguei um folheto que dizia: “Bem-vindo, peregrino. Siga o percurso indicado e, ao final, retire uma recordação da peregrinação.” E assim fiz: passo a passo, segui aquele cortejo, achando que faria apenas uma visitação. Mas, não! Aquela era a fila da comunhão. E quando percebi isso meu coração veio à boca.

Basílica de Santo Antonio, em Pádova.

Eu nasci em uma família católica. Fui batizada. Fiz primeira comunhão. Crisma. Só que há séculos não comungo. Enquanto era casada, frequentava a Igreja Presbiteriana. Depois que fiquei viúva, um amigo muito querido me levou pra uma Casa Espírita Kardecista. Lá estudei, encontrei muitas respostas e permaneci atuante até antes de vir pra Europa.

Portanto, ciente deste distanciamento cronológico da Igreja Católica e também de tudo o que implica a comunhão, confesso que quase saí da fila. Mas logo pensei: “se o universo me colocou aqui, neste momento, é por um propósito. Sou cristã. Então, com todo o respeito, vou comungar.”

Assim que a hóstia foi colocada em minha boca, uma lágrima rolou pelo meu rosto. Eu me dirigi a um banco e me sentei ao lado de um casal de idosos. Após um momento de concentração, comecei a chorar de verdade. Foi uma emoção muito forte. Um sentimento de gratidão tomou conta de mim. Uma verdadeira comunhão com Deus. Vi toda minha vida passar como um filme bem rápido. E constatei que, apesar de tantas provações, a vida deu certo. Sou muito abençoada! E Deus é muito presente em minha vida!

Deixei o choro vir livremente. Sem medo de ser feliz. A senhorinha ao meu lado pôs a mão sobre a minha e assim ficou por alguns minutos. Foi muito bom receber mais este carinho de Deus. Aquela mão quentinha parecia um afago de anjo. Quando me controlei um pouco, ela me disse: “coragem!” E essa palavra fez eco em mim.

Estou há, praticamente, onze meses distante do Brasil. Da minha família. Dos meus amigos. Da minha zona de conforto. Durante esse período, passei por seis países. Estou vivendo em culturas muito diferentes. Aprendendo novos idiomas. Tomando várias decisões importantes. Muitos amigos olham essa minha experiência e me dizem: “Rita, você tem muita coragem.”

Coragem: do latim coraticum; derivado de “cor”. Significa coração. Porque, em épocas remotas, este órgão era considerado a sede da coragem e da inteligência. Coragem virou sinônimo de fortaleza. De valentia. De determinação. De ousadia.

Pra mim, coragem é sinônimo de fé. Não há obstáculo grande o suficiente se a nossa crença de que podemos superá-lo for maior. Sinto que é a fé que me move em direção aos meus sonhos. É a fé que me dá força pra sair da cama e enfrentar o desconhecido. É a fé que me fortalece nas dificuldades. É a fé que me mostra que absolutamente tudo tem um propósito na vida.

Sou muito grata a minha mãe, a dona Dê, por ter me dado essa base espiritual. Ela é uma das mulheres mais resilientes que eu conheço. Mesmo nos momentos difíceis, não se desespera. Não reclama. Não se revolta. Sempre tem uma palavra de força. De esperança. Isso, pra mim, é a mais genuína fé.

Com minha mãe também aprendi que sempre posso ter uma ligação direta com Deus. É óbvio que quando estamos reunidos em um local tido como sagrado, com mais pessoas vibrando nessa mesma frequência, a energia é mais intensa.

Mas o verdadeiro encontro com Ele não tem lugar, nem hora marcados. Tampouco religião. Pode ser no alto de uma montanha. Ou dentro de um ônibus. Ou até mesmo no sofá da sala de estar. Ele simplesmente acontece quando a gente abre o coração pra que possa ser preenchido de amor. De coragem. De fé.

Rita Bragatto | Psicanalista | Consteladora Familiar

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