A vida não cabe numa moldura

RITA BRAGATTO – Ontem à tarde, estava caminhando pelo vilarejo de San Vito Romano, na Itália, onde resido atualmente. Trata-se de uma comuna medieval com três mil habitantes. No alto da colina, as casas se amontoam umas às outras. As ruas são uma sucessão de becos. Os varais de roupa escapam das janelas e cruzam ruas. Revelam toda a história de seus moradores.

Olho para esse cotidiano simples e, ao mesmo tempo exótico, e penso: com quantos filtros observo este cenário? Sim, porque o que entra em nós não entra de forma pura. Atravessa véus. Trajetos neurais complexos. Como a cultura do país de origem. A educação que recebemos dos nossos pais. Da escola. As experiências que tivemos na vida. São informações carregadas de julgamento.

A intimida na janela

Minhas referências como brasileira, por exemplo, poderiam muito bem catalogar esse lugar de forma bastante pejorativa, como um verdadeiro cortiço. Mas já estou habituada a ir à página dois dos lugares e das pessoas. A não julgar. A ver que a vida não cabe numa moldura. Num rótulo. Hoje, consigo sentir o que cada cidade e cada ser humano têm a me oferecer como experiência de vida. E acho fantástico mergulhar em realidades bem diferentes da minha origem.

San Vito Romano

Durante os últimos onze meses, estive em seis países diferentes. A fronteira que os divide é muito mais do que física. É nítida a força da cultura de cada território. E o quanto e como isso impacta em sua gente. Em seu modo de vida. Observei todas as diferenças. Contrastes. Mas me concentrei na grande semelhança que nos une: a humanidade.

Ao me despir de rótulos e julgamentos me abri para experiências que entraram para a lista dos momentos inesquecíveis da minha vida. Como por exemplo, conversar com uma marroquina sem trocar nenhuma palavra. Só com o olhar. De alma para alma. Ou dividir a sala de aula de francês com muçulmanos e russos. E nos comunicarmos muito além do idioma. Também pude cantar em um coral holandês e sentir a força da música vibrando em minhas células. Participar do curso de tantra com os belgas e ir além dos meus limites. Dançar com os gregos, em plena praça pública, e sentir a festa acontecendo dentro de mim.

Dalai Lama já nos sugeriu: “Uma vez por ano, vá a algum lugar onde nunca esteve antes.” O que ele quer nos dizer com isso? Que a gente deve sair da zona de conforto. Que não devemos ter medo de mudar o sabor da pizza. Mudar de rota. De ideia. De país. Porque são essas experiências que nos fazem expandir como pessoas.

A gente pode começar a fazer isso até mesmo dentro da nossa própria cidade. Visitando os lugares com aquele olhar de criança, que observa tudo com muita curiosidade. Dizer sim às novas aventuras e descobertas. Conversar com estranhos. Te garanto: você pode olhar muito além dos filtros que recebeu. Descobrir que há infinitos lugares também dentro de você. E se permitir sentir este novo e diferente como algo bom.

Por falar nisso, vou ter de me despedir agora. Apesar da temperatura de 14C em plena primavera, o sol saiu e vou aproveitar para experimentar para fazer algo novo: pela primeira vez, vou estender toda minha intimidade no varal aqui de casa. Bacio. Ciao.

Rita Bragatto | Psicanalista | Consteladora Familiar
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