A deliciosa “Dix pour cent”

  • LÚCIA HELENA DE CAMARGO –

A série “Dix pour cent” nada tem de épico ou trágico. Então, se você é fã de “Guerra dos Tronos”, não vai gostar dela. Caso você aprecie uma afiada comédia de costumes, então essa é a pedida. A agência Ask, abreviação de “Agence Samuel Kerr” (o nome do dono) atende artistas de todos os tipos, dos mais famosos aos iniciantes, cuidando de suas carreiras, procurando papéis interessantes em filmes, peças e propagandas. A agência ganha 10% dos rendimentos de cada um. São quatro os agentes nos quais a ação é concentrada: Andrea (Camille Cottin), extremamente eficiente, mas esquentada; Mathias (Thibault de Montalembert), o craque em contratos; Gabriel (Grégory Montel), amável, adorado pelos clientes, mas avoado; e Arlette (Liliane Rovère), da velha guarda, que conhece todo mundo, e leva para todos os lugares seu cachorrinho Jean Gabin.

As peripécias dos agentes incluem tentar acomodar no mesmo filme mãe e filha, ambas atrizes atendidas pela Ask, conseguir convencer diretores a incluir atores no elenco, inventar logísticas para que desafetos não se encontrem no saguão da agência, entre outros. Em meio aos atendimentos vamos acompanhando as amizades, casos, almoços e passeios por Paris.

Os assessores dos agentes são responsáveis por algumas das sequências mais divertidas. Há Camille (Fanny Sidney), Noemi (Laure Calamy), apaixonada por Mathias, e o impagável Hervè (Nicolas Maury), que tem as falas mais iconoclastas e divertidas. A impressão é que os roteiristas o favorecem. Em muitos diálogos, são dele as melhores frases.

Cada episódio traz uma atriz ou ator francês conhecido, interpretando uma versão cômica e atrapalhada de si mesmo. Aparecem Cecile de France, Juliette Binoche,  Isabelle Hupert e Jean Dujardin, na pele de um ator que não consegue sair do personagem, depois de fazer um filme no qual vive um ermitão que caça coelhos na floresta para viver.

A quem começar a assistir, um aviso: o primeiro episódio não é dos melhores. Serve apenas para apresentar a sequência de fatos que vai possibilitar a interação futura. A série começa a engrenar a partir do segundo.

Criada por Dominique Besnehard e Fanny Herrero para o canal France 2 e grande sucesso na TV aberta francesa, “Dix pour cent” estreou por lá em 2015. As três temporadas produzidas, com seis episódios de cerca de uma hora cada, estão disponíveis na Netflix. A continuidade foi anunciada. Daqui, comemoro e espero ansiosamente pela quarta temporada, pois embora haja hoje uma profusão de programas disponíveis, não há exatamente muitos nesse estilo: excelentes diálogos, situações cômicas com tratamento sutil, sem perseguições de carros ou explosões, além de um delicioso despojamento formal. A qualidade está nas atuações, enredos bem concatenados e consistente caracterização dos personagens. E, charme adicional, eles ainda falam em francês.

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