Sorocaba – a história de um rio, um vídeo, um blog, uma amizade

SANDRA NASCIMENTO – Desde que foram publicados os primeiros artigos no Coletivo Terceira Margem sobre o rio Sorocaba, tenho recebido mensagens de pessoas interessadas em saber mais informações sobre o videodocumentário que estamos desenvolvendo, hoje em fase de pré-produção. Ao que agradeço.

O que posso responder é que o blog Rio Sorocaba conta Histórias nasceu como desdobramento de um trabalho sobre o rio Sorocaba que começou a ser feito no ano de 2002 – portanto há mais de 16 anos –, com a produção do documentário Sorocaba, o rio de nossas vidas (Loja de Ideias/Linc Sorocaba, 2005).

De fato, trabalho na Loja de Ideias Produção Audiovisual, Jornalismo e Edição – responsável pela produção do documentário – já há 25 anos. Nesse tempo, nossa agência de comunicação tem se empenhado em produções editoriais de jornais, revistas, programas de TV, assessoria de imprensa e edições de livros; mas tem na produção de documentários uma das atividades mais importantes. Isso ocorre pelo resgate que fazemos de histórias e por conta das pautas que somam várias linguagens: a escrita, a filmagem, o teatro, o jornalismo, a música, a fotografia e, se necessário, outras mais.

Digo fazemos, porque ninguém trabalha sozinho. Sou parte de uma equipe, bem pequena, reconheço, mas suficiente para um bom resultado. Dessa equipe, destaco o jornalista José Carlos Fineis, José Finessi (fotógrafo e editor de imagens) e o cinegrafista Juca Mencacci. Outros profissionais, como câmeras, pesquisadores, músicos e técnicos são contratados em tempos de produção. E ainda existem aqueles que, pela sensibilidade e elevada consciência cultural, se prontificam em colaborar com todo o trabalho.


O violeiro Zeca Collares (foto) é um deles. Preocupado que é com as questões ambientais, cedeu suas canções para a trilha de Sorocaba, o rio de nossas vidas. Grande Zeca! Grande músico e grande poeta, que com as suas músicas do CD instrumental Primavera Mineira (2002) contribuiu grandemente para o resultado final de nosso trabalho. Veja no link abaixo como ficou o doc.

Toda a inspiração para os roteiros vem do cotidiano, do modo de vida das pessoas, dos lugares, das memórias relegadas ao esquecimento. Temos em mente que a boa pauta deve ser a história que precisa ser contada; existe sempre uma grande e difícil tarefa nisso. E este é exatamente o caso do rio Sorocaba.

No documentário de 2005, conseguimos mostrar apenas aspectos do seu trajeto nas cidades de Votorantim e Sorocaba, sem nos aprofundar suficientemente nos desafios que ele enfrenta ao longo de todo o curso. Por isso, desde o lançamento, nos dedicamos a um novo projeto de filme, que possa trazer novos conhecimentos à comunidade. Pensando na divulgação dessa ideia, criamos também uma página no Facebook. Intitulada Rio Sorocaba Documentário, a página tem mais de 4.500 seguidores.

A jornada tem sido longa, requer tempo, um dinheiro razoável e pesquisas. Ultimamente, ando por aí, registrando o que posso, às vezes em grupo, às vezes em dupla, às vezes sozinha. Fotografamos, filmamos, entrevistamos. Posso até dizer que hoje considero o rio Sorocaba o meu melhor amigo.

É impossível caminhar nas margens do rio sem trocar energia com as águas, plantas, mata e suas brisas. Até acho que ele é um bom psicanalista: deixo preocupações e volto renovada. E o sol, então, que, de manhã, parece criança brincando de esconde-esconde entre as árvores, enlouquecendo quase sempre a íris da minha FinePix.

Bichos, conheço vários: capivaras, tartarugas, calangos e borboletas em trejeitos de balé. Gosto de observá-los, e já nem vejo grande diferença entre eles e os cachorros da minha casa. São inteligentes e bem adaptados aos trechos urbanos. Dizem que penso assim porque ainda não me deparei com uma cobra jararaca ou uma onça pintada. Confesso que aguardo por esse momento ansiosamente, mas para tanto gostaria de, antes, instalar alguma câmera numa toca ou numa árvore, para poder registrar alguma presença.

Na margem do rio, proximidades da Ponte de Pinheiros, em Sorocaba, vivem muitas corujas-buraqueiras (foto acima). Certa vez uma delas voou ameaçadoramente para onde estávamos, receando que chegássemos perto do ninho. Na verdade, ela correu atrás da gente, nós fomos embora e até agora ainda não conseguimos boas imagens dos filhotes.

Um bem-te-vi olhando para mim

Já os passarinhos, esses são os mais encantadores e sociáveis. Estão em toda a extensão do leito. Nos trechos movimentados são bem acostumados à barulheira e às pessoas. Depois de um considerável trabalho de despoluição do rio feito em Sorocaba, é possível encontrá-los em maior quantidade, sozinhos ou em bandos. Conforme a natureza foi se renovando, eles foram ressurgindo em número e espécie.

Ninguém, porém, é mais gracioso e atraente que o ratão-do-banhado. Esse aparece sempre na margem do rio. Assusta, mas quando ele encontra uma pessoa ou um objeto estranho se refugia rapidamente na mata ou nas águas. Certa vez, vimos muitos ratões – uma família – no lago do Parque das Águas. Indiferentes aos que os olhavam, nadavam sossegadamente. Confira a cena em clipe visual, abaixo.

São estas algumas curiosidades do nosso trabalho. Já em segunda edição, a produção é independente e busca um rio Sorocaba nos seus vários assuntos: geográficos, antropológicos e principalmente ambientais.

Para sintetizar, posso dizer que objetivamos um documentário com foco em novas pesquisas e no descobrimento do que ainda é desconhecido.

Assim como o rio, seguimos o curso…


Fotos: José Carlos Fineis e Sandra Nascimento.
Imagens (ratão do banhado): José Finessi

Videos

Ratão-do-banhado

Sorocaba, o rio de nossas vidas

“Sou beato de ouvir a prosa dos rios.”
Manoel de Barros (1916-2014), poeta brasileiro

Outros documentários da Loja de Ideias

Circo-Teatro, Alegria do Povo

(Brasil, 2008, 59 minutos)
Direção: Sandra Nascimento

Aluísio

(Brasil, 2002, 28 minutos)
Direção: José Carlos Fineis

Caminhos da Arte

(Brasil, 2001, 40 minutos)
Direção: José Carlos Fineis

Um comentário em “Sorocaba – a história de um rio, um vídeo, um blog, uma amizade

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  1. Maravilhoso, o rio sempre me encanta, obrigada Terceira margem, obrigada Sandra, não parece que li mas que vivi uma história, é assim que me sinto, é assim que é.

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