Roberto Marinho, mecenas brasileiro

RUBENS NOGUEIRA – Há tempos eu não sentia o fenômeno mental que um filósofo moderno resumiu na frase: “Nós somos o que lembramos.” Aconteceu quando li que a casa em que morou por muitos anos o doutor Roberto Marinho foi transformada em Centro Cultural – muito apropriadamente batizada como “Morada da Arte”.

A casa fica na rua Cosme Velho 1.105. Se você clicar – oglobo.com.br/cultura poderá passear em um tour virtual pelos jardins e os ambientes internos e, claro, quando vier ao Rio, incluir uma visita ao Centro Cultural, que fica bem perto do Cristo Redentor.

Mecenas e práticas mecenáticas são comuns aqui e lá fora. Daqui, não se pode esquecer uma família, que começou com o patriarca português e continuou com Ermírio de Moraes, grandes empreendedores culturais e sociais.

Roberto Marinho, para mim, reencarna o que o Novo Aurélio define: “Mecenas (60 a.C. – 8 d.C), ministro de Augusto, protetor de artistas e homens de letras. Patrocinador generoso, protetor das letras, ciências e artes, ou dos artistas e sábios.”

Roberto Marinho é recebido por Rubens Nogueira em Itaipu Binacional

As sinapses mentais me fazem lembrar que, desde 1948, quando fui admitido como suplente de conferente da revisão no Diário de Notícias — título de jornal fundado por Ruy Barboza e escolhido por Orlando Dantas, em 1932, quando fundou o seu jornal –, por artes do destino, convivi com alguns luminares da comunicação que ajudaram Roberto Marinho a construir o império que é hoje o Grupo Globo.

No Distrito Federal havia muitos diários, matutinos e vespertinos. Três se destacavam – O Globo, o Correio da Manhã e o Diário de Notícias.

Frequentei a sede de O Globo, na avenida Rio Branco, depois na rua Irineu Marinho, como representante de empresas onde trabalhei que anunciavam no jornal impresso e depois na rádio Globo e na televisão. Frequentei o primeiro estúdio no Jardim Botânico.

Ao cursar Relações Públicas na PUC-Rio, o professor era assessor de Roberto Marinho. Conheci então sua primeira esposa, senhora Stella Marinho, que participou do curso — linda mulher, extraordinariamente simples, integrava a turma de uns 20 alunos, que incluía várias senhoras da alta sociedade.

Como leitor, ouvinte, cliente, telespectador, tenho minha vida de jornalista muito ligada ao Grupo, que teve início com o avô de Roberto Marinho, depois seu pai Irineu Marinho, que morreu pouco depois de fundar o jornal, quando Roberto Marinho e seus dois irmãos assumiram a direção. Nem sempre concordo com as posições políticas do jornal, mas devo muito a ele e sua equipe.

Em várias ocasiões, entre 1981 e 1991, contei com o apoio da TV associada da Globo, e outras vezes com equipes do Rio para registrar etapas da construção, como a abertura do canal de desvio, e formação do reservatório, a chegada de peças para a montagem das turbinas e o início da produção de energia em Itaipu, onde trabalhei por quinze anos como relações públicas.

Em 09/11/1981 (foto acima), Roberto Marinho foi conhecer a Barragem da Binacional. Tive a honra de dar-lhe as boas-vindas.

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