O teatro quando a vida pede calma

JOSÉ SIMÕES – Há momentos que a vida nos pede calma. Pede para pararmos de remar e deixarmos o corpo ser levado pela correnteza. Saber remar é tão importante quanto saber parar. Acalmar-se e ganhar o fôlego necessário para poder seguir na labuta diária. Quem não sabe parar se arrebenta. A ida ao teatro é um desses momentos que a vida se “acalma”. O teatro lhe ajuda a sair do turbilhão do dia a dia e a viver outras tantas vidas, imaginários e imaginações.

Mas alto lá! Não se pode confundir  este “acalma” proporcionado pela ida ao teatro com descanso e calmaria. Algo como ficar com pés para cima ou corpo balançando num rede. Muito pelo contrário. O bom teatro – aquele  que “acalma” -,  na verdade mexe e remexe com a gente. No enche de uma tal eletricidade que é praticamente impossível ir para casa e se deitar placidamente na cama. Simplesmente não é possível. Não é à toa que se costuma associar a ida ao teatro a uma saída, também, para uma boa comida. Para os paulistanos uma boa pizza.

Mas que tipo de calma é essa que nos traz a ida ao teatro?  Uma calma que agita? Confuso. A ida ao teatro nos permite exercitar situações as quais não faz parte do seu dia a dia. É algo diferente. Mesmo quando a proposta em cena seja a de contar a sua realidade. Será sempre a realidade daquele mundo teatro que dialoga com o mundo real. Afinal o que acontece no teatro não é mentira. É, ao seu modo, realidade em/na cena.

No teatro estão presentes este duplo. Tal como  sonhar. Mas teatro não é sonho, pois no sonho você dorme e daí consegue ver imagens e sentir as ações que sonha e o sonho se encerra quando você acorda. No teatro não se pode dormir para vivencia-lo. Nele você fica bem acordado (se você dormir não participa do teatro). Assim, desperto é que se mergulha noutra realidade proposta pelas ações e imagens dos artistas da cena.

Desse modo, você se  afasta da sua realidade sem dormir ou sonhar. Sem nunca se esquecer que tudo o que vê e sente na cena é teatro. E, ao mesmo tempo, você sabe que a sua vida fora do teatro é outra realidade. Temos, pois, duas realidades. Dois ou mais mundos vividos conjuntamente. Assim, é neste estar dentro e fora da mesma realidade que a vida se “acalma”, no sentido de  um hiato,  que nos ajuda a compreender, a estar vivo e a enfrentar os percursos diários não é algo fácil.

É bem por isso que o teatro sempre foi (e ainda o é) o espaço da catarse dos indivíduos e da sociedade.

Para a sua saúde e felicidade se recomenda a ida ao teatro ao menos duas vezes por mês.

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