Mansa, graciosa, sociável: conheça a ‘digital influencer capivara’ do rio Sorocaba

SANDRA NASCIMENTO – Já bastante conhecida na região de Sorocaba, a capivara é um animal herbívoro e de hábitos semiaquáticos que vive em beira de rios, pântanos e córregos à procura de plantas para a sua alimentação. É espécie nativa da América do Sul e pode ser encontrada em todo o Brasil. Geralmente aparece em horários crepusculares. Ao longo do trajeto do rio Sorocaba, é encontrada sozinha ou em bandos, atravessando uma avenida ou simplesmente pastando ou passeando nas margens.

Em Sorocaba, ela é sempre apontada entre pessoas que costumam caminhar ou praticar esportes nas pistas de caminhada e ciclovias paralelas à margem esquerda do rio. Em Votorantim, são encontradas até em praças e jardins muito bem adaptadas, tanto que a cidade tem sido chamada em memes da internet de “capital das capivaras”. Em Cerquilho e cidades onde o rio é mais selvagem, elas são vistas por moradores ribeirinhos e fotografadas por pescadores.

Seu corpo é compacto e coberto de pelos. A coloração é marrom e pode apresentar tons avermelhados ou cinza-amarelados. Costuma pesar entre 25 kg e 80 kg. Os pés anteriores possuem quatro dedos; os posteriores apresentam apenas três dedos unidos por uma membrana para facilitar a natação. Reproduzem-se em ambiente aquático nas áreas onde o nível da água é baixo. As ninhadas somam de quatro a oito filhotes. Seus grupos podem atingir até 100 indivíduos, entre jovens, fêmeas e macho dominante.

Segundo estudiosos, as capivaras podem atingir 60 cm de altura e até 1,3 m de comprimento. São animais graciosos e calmos. Cativam pelo jeito singular. O rabo da espécie é assunto de muita discussão. Alguns autores afirmam que possuem um pequeno rabo, outros fazem questão de argumentar que não possuem rabo algum. Nome científico: Hydrochaeris hydrochaeris.

O nome científico significa “porco d’água”, está associado ao local onde costumam viver. Já o nome popular “capivara” é de origem tupi-guarani e quer dizer “comedor de capim”. Conforme estudos, capivaras adultas consomem, em média, de 4 kg a 5 kg de gramíneas por dia, e os filhotes, de 1 kg a 2 kg.

Assim como várias espécies, demarcam território para evitar que outros grupos de animais entrem em sua área. E também apresentam formas de comunicação: emitem sons quando instintivamente querem orientar os indivíduos do grupo para um determinado lugar e ao se sentirem ameaçadas pela presença de estranhos.

De acordo com a lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (International Union for Conservation of Nature – IUCN), as capivaras estão classificadas na categoria “pouco preocupantes” de extinção, o que não significa que elas não são predadas. Há caças por carne e couro de capivara, o que pode ameaçar a espécie.

As capivaras geralmente são portadoras do carrapato-estrela, que pode, se infectado, transmitir a febre maculosa. Esses carrapatos, cujo nome científico é Amblyomma cajennense, transmitem a Rickettsia rickettsii, bactéria que causa a febre e pode até matar. Entretanto, a incidência da doença é baixa. Segundo o Ministério da Saúde (veja link abaixo), em todo o Estado de São Paulo, com 44,3 milhões de habitantes, foram notificados apenas 33 contágios no ano passado.

Pela questão da doença, é costume em algumas cidades, como medida de prevenção, assassinar os animais infectados. Infelizmente, da parte do poder público, não é prática encontrar soluções para a preservação da vida desses animais. E eles ainda sofrem perseguição por invadirem propriedades, estradas, praças e jardins.

Alheia a toda essa problemática, no último 30/5, a capivara das fotos pastava tranquilamente à beira do rio, próximo à avenida Dom Aguirre. Como não se sentiu ameaçada com a nossa presença, acabou sendo fotografada em várias poses, para o deleite de quem a olhava. Por nossa equipe, foi chamada de “digital influencer capivara” e aí está em graça e beleza.

“Que a importância de uma coisa
não se mede com fita métrica
nem com balanças, nem barômetros.
Que a importância de uma coisa há que ser medida
pelo encantamento que a coisa produza em nós.”


Manoel de Barros (1916-2014), poeta brasileiro

Fotos: José Finessi

Referências

Os Peixes do Rio Sorocaba, Welber Senteio Smith (TCM 2003, p. 78),
mundoeducacao.bol.uol, Fundação Sead

Link – Febre maculosa

Febre maculosa – Casos confirmados no Brasil

Um comentário em “Mansa, graciosa, sociável: conheça a ‘digital influencer capivara’ do rio Sorocaba

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  1. Muito legal o texto informa e até nos deixa uma bela mensagem linda… gosteii!! Mas a presença da capivara está muito engraçado tbm😂… Boa!

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