É mais fácil seguir regras médicas do que as leis de trânsito

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FABIANA BLASECK SORRILHA – Estive ausente por um período para cuidar da minha saúde. Enquanto os debates acalorados sobre trânsito tomam conta da mídia, eu cuido do trânsito do meu sistema digestório. Quem dera fosse assim tão fácil tomar conta do trânsito brasileiro quanto cuidar do estômago. Seguir as regras do médico no pós-operatório é mais fácil do que diminuir a velocidade ao se aproximar de uma curva ou respeitar o amarelo do semáforo.

Surpreende-me, no entanto, num país em que a população tem dificuldades de respeitar regras, que o governo federal venha sugerir que leis feitas para preservar vidas no trânsito deixem de valer ou sejam alteradas de forma a perder o que já se conquistou de positivo.

O Brasil mata anualmente cerca de 35 mil pessoas no trânsito por ano, segundo dados do Sistema Datasus. Esse número deixa nosso país em quarto no ranking mundial dos que mais matam por acidentes de trânsito. Só isso já não justificaria como insana a ideia de retirar a obrigatoriedade do uso da cadeirinha para as crianças?

Infelizmente, as medidas do presidente não param por aí. Ao afrouxar o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) e aumentar a pontuação máxima permitida na CNH (Carteira Nacional de Habilitação), o presidente corrobora com os motoristas infratores, que fazem do seu carro uma arma, que se transvestem de monstros aos dirigir. E nem vamos aqui discutir violência pública e posse de arma…

Quem vive fazendo conta pelos pontos ganhos na carteira está feliz com o PL (projeto de lei) proposto pelo presidente. Com uma margem maior de pontos permitidos na CNH, o brasileiro vai baixar a guarda. E saiba que apenas 5% dos 60 milhões de condutores habilitados no Brasil são infratores contumazes.

Vale destacar que Bolsonaro, filhos e esposa somam 44 multas de trânsito nos últimos cinco anos. Espero que o PL não seja aprovado.

Crédito da foto: Portal Plural

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