Tratar bem a Terra e proteger o Meio Ambiente. Trinta anos depois, a mensagem de Carl Sagan continua atual

SANDRA NASCIMENTO – Em 5/6 se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data é lembrada desde 5 de junho de 1972, quando foi criada em Estocolmo (capital da Suécia), para promover atividades de preservação e chamar a atenção de países e governos sobre a importância de cuidar do planeta. Por essa ocasião, no Brasil comemora-se também a Semana Nacional do Meio Ambiente. Destacando o tema, o blog traz uma explanação do cientista Carl Sagan (1934-1996), como forma de colaborar com essa importante reflexão.

Sagan, além de cientista, foi astrônomo, astrofísico, cosmólogo, divulgador científico e autor de livros como “Cosmos” (1980), “Contato” (1985), “Pálido Ponto Azul” (1994) , “O Mundo Assombrado pelos Demônios” (1996) e “Bilhões e Bilhões” , escrito com sua esposa Ann Druyan (1997).

Durante os anos 1978 e 79, ele e Ann Druyan (escritora e produtora de projetos de popularização científica) realizaram ainda uma série de 13 documentários sobre o Universo, em parceria com a KCET (emissora de televisão americana, com sede em Los Angeles). Intitulada “Cosmos”, a série foi veiculada, em 1980, pela Public Broadcasting Service (PBS – rede de televisão americana de caráter educativo-cultural). Hoje, todos os episódios se encontram disponíveis no YouTube.

Em 1990, essa série recebeu algumas atualizações. Segue abaixo, a transcrição do texto acrescentado por Segan no final do último episódio, produzido ainda sob a ameaça de um conflito nuclear entre as duas grandes potências bélicas daquele momento: Estados Unidos e União Soviética. À época, o temor da extinção da espécie humana por uma guerra nuclear era uma das principais preocupações do cientista:

“O imperativo de tratar bem a Terra e proteger o meio ambiente global que sustenta todos nós, tornou-se hoje largamente aceito. Começamos finalmente o processo de redução do número obsceno de armas de destruição em massa. Talvez tenhamos, afinal, decidido escolher a vida. Mas ainda temos que percorrer anos-luz para assegurar essa escolha, porque mesmo depois de tantas reuniões, cerimônias e tratados entre governantes, ainda há cerca de 50 mil armas nucleares no mundo [hoje, são cerca de 15 mil], bastando a detonação de uma minúscula fração delas para produzir um inverno nuclear — a catástrofe climática global predita que resultaria da fumaça e da poeira levantadas na atmosfera por cidades e instalações petrolíferas em chamas.

A comunidade científica mundial já começou a soar o alarme sobre os graves perigos causados pelo esgotamento da camada protetora de ozônio e pelo efeito estufa. E de novo estamos dando passos atenuantes, mas de novo esses passos são pequenos demais e lentos demais. A descoberta de que algo como um inverno nuclear era realmente possível evoluiu do estudo das tempestades de poeira marcianas. A superfície de Marte, pintada pela luz ultravioleta, também é um lembrete de porque é importante manter intacta a nossa camada de ozônio. O efeito estufa desembestado de Vênus é um lembrete valioso de que temos que levar a sério o crescente efeito estufa da Terra. Lições importantes sobre o nosso meio ambiente vêm das missões espaciais aos planetas. Explorando outros mundos, nós salvaguardamos este. Eu penso que só isso já justifica o dinheiro que a nossa espécie gastou para enviar naves para outros mundos.

É nosso destino viver durante um dos capítulos mais perigosos do planeta e ao mesmo tempo um dos mais esperançosos da História humana. A nossa Ciência e a nossa tecnologia propuseram questões profundas: – Nós vamos aprender a usar essas ferramentas com sabedoria e perspicácia, antes que seja tarde? – Nós vamos ver a nossa espécie atravessar esta passagem difícil com segurança, para que nossos filhos e netos aprofundem ainda mais a grande jornada de descoberta aos mistérios do Cosmo?

Essas mesmas tecnologias de foguetes nucleares e de computadores que enviam nossas naves além do planeta mais distante conhecido, também podem ser usadas para destruir a nossa civilização global. Exatamente a mesma tecnologia serve para o bem e para o mal. De fato, é como se houvesse um Deus que nos dissesse: – Eu coloquei dois caminhos diante de vocês. Vocês podem usar a sua tecnologia para se destruir ou para levá-los aos planetas e às estrelas. A escolha só depende de vocês.” (Carl Sagan)

Referências

Wikipédia
Revista Galileu
Calendarr.com
YouTube

Fotos

Fotos: Carl Sagan por Psychologycorner
Estrelas por Free Fotos Pixabay
Foto de abertura: Cachoeira dos Guimarães/rio Sorocaba por José Finessi

Episódios de ‘Cosmos’ no YouTube (dublados)

Episódio 01 – Os Limites do Oceano Cósmico
Episódio 02 – As Origens da Vida
Episódio 03 – A Harmonia dos Mundo
Episódio 04 – Céu e Inferno
Episódio 05 – O Blues do Planeta Vermelho
Episódio 06 – Histórias de Viajantes
Episódio 07 – A Espinha Dorsal da Noite
Episódio 08 – Viagens no Espaço e no Tempo
Episódio 09 – As Vidas das Estrelas
Episódio 10 – O Limiar da Eternidade
Episódio 11 – A Persistência da Memória
Episódio 12 – Enciclopédia Galáctica
Episódio 13 – Quem pode salvar a Terra

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