A felicidade possível passou por aqui (conto). Parte 2 (final)

JOSÉ CARLOS FINEIS – A deserção de Bebeto não ocorreu do dia para a noite. Os sinais de que ele não estava disposto a assumir o casamento estavam presentes desde os primeiros dias. Mesmo assim, a maneira como pulou fora surpreendeu muitas pessoas – Paula, inclusive –, à vista das quais ele amava a esposa, só não conseguia se adaptar à vida de homem casado. De toda forma, a nova situação forçada, decidida unilateralmente, acabou dando a Paula a oportunidade e, mais que isso, uma motivação muito forte para se dedicar a algo que, até então, com mais de 30, ela ainda não havia tido tempo de fazer: conhecer a si mesma.

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Paula fora uma adolescente romântica ao extremo, e isso tinha atrapalhado muita coisa em sua vida, pois a pessoa de natureza romântica tende sempre a buscar o nirvana fora de si, naquele que ama. Conhecer Bebeto, um “bom moço” (como se dizia) sempre paramentado com fina camisa social e cintos na mesma cor dos sapatos – e que, oriundo de uma família de classe média baixa, contando apenas com seu esforço pessoal e o empurrãozinho de um tio que lhe arrumara um ótimo emprego, já circulava por aí em um reluzente Chevrolet Monza –, tinha sido para ela como que um presente, que estava disposta a fazer por merecer, mesmo que isso lhe custasse alguns sacrifícios.

Café número 3: Existe vida após o divórcio

Obviamente, Bebeto estava longe de ser o príncipe que aparentava ser. Apesar disso, os primeiros quatro ou cinco anos de casamento – enquanto a paixão pelo marido e a bem-aventurança de ter um bebê a mantinham como que imune às decepções cotidianas – ficaram marcados na memória de Paula como um período de felicidade em estado bruto, talvez o único que conhecera em toda sua vida.

A saída brusca de Bebeto colocou Paula diante do espelho depois de muitos anos, e o que ela viu não foi tão assustador quanto pode parecer para quem está de fora. Havia toda uma vida por reconstruir, é verdade, mas quem já passou por situações em que a felicidade e o sucesso cobram um preço alto demais sabe o quanto pode ser prazeroso encarar o fracasso, vasculhar as ruínas e perceber que delas pode-se criar, afinal, algo mais compensador, mais verdadeiro.

Mesmo que o filho afugentasse uma parte dos pretendentes, Paula poderia ter embarcado logo – e, quando digo logo, é em questão de semanas – em outros relacionamentos amorosos, principalmente se quisesse apenas diversão sem compromisso. Mas, como ocorre com tantas mulheres, optou por uma vida doméstica, sem grandes ou pequenas aventuras, até porque a maternidade tinha sido, para ela, desde o primeiro instante, algo capaz de manter sua mente ocupada e fazer com que se sentisse plena. Ser mãe lhe bastava para ser feliz.

Nos anos seguintes, os poucos amigos de Paula e a mãe sempre próxima descobriram surpresos uma Paula que sabia o que queria e a quem não faltava disposição para ser feliz. Sem condições de estudar, ela fez dos livros uma parte essencial de sua vida. Não se atrevia a escrever, embora dominasse a crase e a concordância verbal e pronominal melhor do que alguns mestres e doutores. Optou por ser uma boa leitora, consciente de que o leitor é tão importante para a obra quanto o autor, e – em alguns casos – talvez até mais importante.

A mãe, católica fervorosa, não gostava de Bebeto pelo que fizera ou deixara de fazer à filha. Dona Lourdes, para ser sincero, odiava o ex-genro com todas as forças, embora como leitora assídua dos Evangelhos soubesse que devia perdoá-lo setenta vezes sete e inclusive amá-lo, já que Jesus ensinara a amar os inimigos e dona Lourdes não tinha outro inimigo no mundo além de Bebeto.

Ainda assim, a sexagenária aconselhou a filha a acolher o ex-marido, depois de analisarem juntas a situação em que ele se encontrava. Bebeto não tinha família. Era filho único e ficou órfão na adolescência, quando os pais morreram em um acidente de trânsito. O tio que terminara de criá-lo – um ex-gerente de banco influente naquela região, responsável por encaminhá-lo para o emprego que lhe permitia circular de carro zero pela cidade – também havia morrido. E, embora aparentasse ser rico, deixara dívidas insanáveis nos bancos, devido, principalmente, ao fato de ser um péssimo jogador de pôquer.

Paula foi para o terceiro encontro com o ex-marido ainda na dúvida e disposta a discutir alguns assuntos com ele. Sabia que tinha sido rude no encontro anterior. Desta vez, pretendia apenas conversar, para poder decidir, afinal, o que fazer. Ela cogitava três hipóteses: alegar compromissos e virar-lhe as costas; acolhê-lo em sua casa que tinha dois quartos vagos e mobiliados – o quarto que fora de Júnior estava mais ajeitado e era usado por dona Lourdes eventualmente, quando visitava a filha e a conversa entrava pela madrugada; – ou, o que estava propensa a fazer, ajudar Bebeto em seu próprio “habitat”, sem levá-lo para casa. Não lhe custaria muito fazer-se presente na vida do ex, acompanhá-lo ao laboratório ou ao cinema. Porém, sem destruir o refúgio que preparou para si, ao longo dos anos de solidão. Uma casa onde chinelos e sabonetes não tinham vida própria e estavam sempre onde os havia deixado. Um universo que ela gostava de habitar sozinha, com liberdade para deixar a louça suja na pia e ficar por horas a fio lendo um livro, sem interromper a leitura nem mesmo para comer.

– Bebeto, não pense que eu não tenho compaixão por você. Quando soube de sua doença fiquei arrasada. Mas quero ajudar você sem me prejudicar. Prezo muito por minha rotina, que para mim é sinônimo de paz e felicidade. Você pode contar comigo, vou ajudá-lo no que puder. Estarei sempre disposta a tomar cafés e passar um tempo com você. Se preciso, vou todo dia a sua casa, para preparar refeições e lhe dar remédios. Mas não quero você em minha casa. Eu levei muitos anos para construir o que tenho. O silêncio das manhãs. A liberdade de sair e chegar, ou não chegar, quando alguma amiga me chama para a casa dela. Principalmente o prazer de ficar recolhida, em silêncio. Não me peça que abra mão disso tudo. Eu peço desculpas, mas não sou altruísta a esse ponto.

Bebeto ouvia com cara de decepção. Por algum motivo, quando decidiu ir atrás de Paula, ele tinha certeza de que ela o receberia de braços abertos. Agora, ouvindo-a falar, percebia o quanto havia sido estúpido e pretensioso. Em sua fantasia masculina, era como se Paula tivesse ficado parada na cozinha, vestida de avental e com as panelas a postos, para preparar o jantar caso um dia ele se cansasse da vida que escolhera e resolvesse voltar. Era uma fantasia idiota, ele sabia, até porque acompanhava de longe, por meio de amigos em comum, a maneira como Paula, magistralmente, aprendera a ser feliz em sua ausência.

Ademais, Bebeto sabia que não era mais o galãzinho de carro novo e roupas alinhadas. Era um homem de meia idade com câncer, que deixara a mulher e o filho, agindo como naquele poema em que a felicidade é sempre algo inatingível, porque nunca a pomos onde estamos (*). Os amigos de clube, de cerveja e de futsal o haviam abandonado. A companheira e sua filha, que ele criara como sendo sua, também o haviam deixado. Maiara, a enteada, sequer se despediu dele quando as duas pegaram suas coisas e foram embora. Júlia, a nova ex, ainda o abraçou por vários minutos, um abraço forte porém distante, o rosto lívido de quem vive uma tragédia, os olhos fixos e embaçados de quem toma calmantes demais.

Bebeto só não estava pior porque tinha ainda o emprego que lhe garantia um salário acima da média, um bom dinheiro investido no Tesouro Direto e um convênio médico meia-boca. Pelo menos sabia que morreria em um quarto coletivo, porém particular, com dois ou três companheiros de infortúnio, e não numa daquelas instalações precárias do Sistema Único de Saúde, sem ar-condicionado, sem televisão e, como ocorre em algumas unidades, sem cortinas nas janelas.

– Eu agradeço sua boa vontade – começou Bebeto. – Mas não era exatamente o que queria quando procurei você. Tenho condições de contratar alguém para cuidar de mim. Tenho até como pagar um tratamento particular. E pagaria, se houvesse a menor chance de cura. Onde pega, Paula, é que fiquei sozinho. Sinto solidão, tristeza, principalmente quando anoitece. Gostaria de ter alguém com quem conversar durante as madrugadas em que o sono vai embora e a solidão aperta, até para esquecer um pouco esta condição filha da puta em que me encontro. Não tenho mais companhia. Fui abandonado, literalmente. O trabalho tem sido uma bênção, porque me tira dessa frequência, mas há poucos dias me avisaram que serei encostado pelo INSS. Nunca imaginei que fosse ficar tão desgraçadamente só.

Paula, que saíra para o encontro com a sensação de ter encontrado uma solução para o problema, sentia-se mais e mais arrasada. Enquanto Bebeto falava, era como se uma retrospectiva de sua vida passasse por sua cabeça.

Iludida ou não, ela fora feliz com aquele homem. Ele lhe dera um lar, um filho. Tinha seus defeitos, mas nunca a agredira ou fora sequer grosseiro. Seu problema era um certo egocentrismo, misturado a um artificialismo e a uma autoestima elevada demais, que o tornavam naturalmente distante. Sua insistência em manter os encontros com os amigos, quando poderia estar com ela, era típica de alguém como ele. Mas, até onde sabia, não a havia traído. E, embora não fosse um bom pai, também não era o pior pai do mundo.

Para abalar ainda mais a mulher, pouco antes de saírem, enquanto esperavam a conta do café, ele esticou um papel por cima da mesa. Era uma folha branca, dobrada em quatro.

– Fiz um poema.

– Você fez um poema, Bebeto? Nunca soube que fosse poeta.

– Nem eu. Talvez seja efeito colateral dos remédios.

– E sobre o que é esse poema?

– Sei lá. De certa forma é sobre nós. Dias atrás eu tive vontade de voltar à casa onde moramos. Ela está à venda há muito tempo. É ainda uma boa casa, porém o bairro ficou ruim. Pedi a chave na imobiliária, que é de um conhecido. Está tudo meio gasto, mas ainda em bom estado. Fiquei horas lá, olhando para tudo, lembrando das coisas. E o poema aconteceu depois que eu voltei para casa. As palavras foram vindo e fui escrevendo. Depois li, reli, e achei que ficou verdadeiro.

Paula fez menção de desdobrar o papel.

– Por favor, não abra agora. Deixe para ler em casa. De qualquer forma, saiba que admiro muito você e que sou muito grato por ter concordado em conversar comigo. Eu entendo sua decisão e a respeito. Não pense que guardarei mágoa porque não quer viver comigo.

“Por que haveria de ser fácil?”, Paula pensou em voz alta, atirando os sapatos a um canto da sala e indo até a cozinha buscar uma taça e uma garrafa de sauvignon blanc chileno que costumava bebericar enquanto lia Neruda, Bandeira ou Borges, seus preferidos. Com a taça na mão, aconchegou-se em sua poltrona favorita, mas, estranhamente desta vez, sem aquela sensação costumeira de prazer. Por um instante, teve pena de si mesma, porém logo concluiu que não havia o que lamentar. A vida tinha sido boa para ela, afinal. O casamento estava destinado à ruína desde o princípio, e cada dia que passasse, caso Bebeto não a tivesse trocado por outra, teria sido para ela de uma infelicidade crescente, cumulativa. Ainda mais que conhecera a felicidade, ou pensara ter conhecido. Em termos práticos, numa comparação grosseira, Paula trocou a pia e o fogão pelos livros, o que foi um ótimo negócio. Concluiu que estava triste por Bebeto, e não por si ou pelos dois.

Depois desdobrou o papel que guardara no bolso da calça jeans e leu o poema do ex-marido. Ela não imaginava, mas ainda havia mais esta bomba reservada para aquela noite. “Não há de ver que ele escreve bem?”, ela pensou, inclinando-se sobre o papel e deixando o vinho de lado, enquanto lia e relia os versos do improvável poeta.

“Vazia e fria,
a sala
a tudo assistiu
e nada guardou:
crianças
risos
bolos
beijos.
Poderá alguém
no futuro
imaginar que por aqui passou
tanta vida?

A sala
silente
não fala
por nós.
Madeiras gastas
e tintas sobrepostas,
ela fala, quando muito,
de si mesma.
E não inspira desejos
a não ser o de limpá-la
com água e sabão
e encerar suas tábuas
e abrir suas janelas
para renovar o ar.

Mas foi aqui que eu vivi
a história da minha vida
com os únicos
a quem amei
verdadeiramente.
Aqui eu vivi
tudo
o que vale a pena ser lembrado
em toda uma existência.
E a mim me basta saber
bem claro em minha mente
e em meu coração
– saber de mim para mim, enquanto houver vida e memória –
que a felicidade possível
passou por aqui.”

Café número 4: Velhos amigos

– Gostei de seu poema – disse Paula, após sorver um gole do café fumegante. Estavam de novo frente a frente na cafeteria, e sabiam intimamente que aquele tinha grandes possibilidades de ser o último encontro.

– Você gostou? Tinha receio de que achasse piegas.

– Você me fez chorar.

– Eu também chorei muito, quando escrevi.

– Eu teria gostado ainda mais de você, Bebeto, se soubesse que era poeta – ela brincou, mas, antes de terminar a frase, já havia se arrependido de dizer aquilo.

Os dois tomaram seus cafés em silêncio. Ele parecia entretido com a bolachinha que vem junto com o café. Ela digitava algo no celular. Depois, guardou o aparelho e, com delicadeza, retomou a conversa.

– Bebeto, eu pensei muito e, apesar da insistência de minha mãe, decidi que não posso voltar a morar com você.

– Eu entendo perfeitamente. Já esperava por isso. Fui muito pretensioso ao pensar que pudesse haver um caminho de volta.

– Não vou abandoná-lo jamais, mas daquele jeito que lhe falei. Você na sua casa, eu na minha. Você vai ter de aprender a enfrentar sozinho as madrugadas, ou…

– Ou o quê, Paula? – ele se inclinou sobre o café. Pensou que ela fosse indicar algum aplicativo de bate-papo ou aconselhá-lo a se internar em uma casa de repouso, algo que já passara por sua cabeça.

– Ou você pode tentar morar com um novo amigo, que também está sozinho – ela esclareceu, erguendo o braço e chamando com um gesto alguém que estava atrás dele, no fundo do balcão.

Bebeto virou a cadeira. Viu um jovem que caminhava entre as mesinhas, com um riso nos lábios. Ficou de pé e se endireitou enquanto o outro se aproximava. Era seu filho.

– Paulo Roberto, este é Bebeto, seu pai – brincou uma Paula sorridente, sem se levantar. – Bebeto, este é Paulo Roberto, seu filho.

Os olhos que não se viam há tantos anos se encontraram como velhos amigos, e não havia neles a menor sombra de mágoa ou receio. Paulo Roberto havia se tornado um homem forte, de ombros largos. Olhava para Bebeto com um sorriso acolhedor. Bebeto estava um pouco assustado, porém também abrira um sorriso franco, desarmado, que a própria Paula não conhecia.

– Como o senhor está se sentindo, pai?

– Melhor agora. Mil vezes, um milhão de vezes melhor. Mas não me chame de senhor. Eu sou seu pai. Sou só “você”.

– Tá bom. Você… Pai… A mãe disse que você está doente, precisando de companhia. Eu estou procurando alguém para rachar o aluguel de um apê lá em Campinas. Tá a fim de morar comigo, no meio da estudantada? O bairro lá é agitado. Toda noite rola uma festa, uma cervejada, um show.

– Eu adoraria. Estou solteiro e não tenho nada a perder, até porque já perdi tudo. Mas não quero ser um incômodo pra você.

– Você nunca será um incômodo, pai. Além disso, diferentemente de você e aquela senhora ali – apontou para Paula, que retribuiu com uma careta engraçada –, nós dois temos um laço de sangue. Não que isso nos obrigue a ficar juntos, mas é um bom motivo. Eu cuido de você e você cuida de mim. Também me sinto solitário às vezes e, como disse, preciso de alguém pra rachar o aluguel. Você topa?

Bebeto pensou: por que não? Seu último vínculo com a cidade em que residia fora rompido na véspera, quando se confirmou a aposentadoria por invalidez. Em tese, agora, podia escolher qualquer lugar do mundo para viver o tempo que lhe restava de vida. E por que não em Campinas, na companhia do filho?

– Topo. Topo sim. Se não der certo morar juntos, a gente aluga um apê vizinho do outro. Daí você não perde sua privacidade. Eu tenho uma grana guardada, mais o Fundo de Garantia, que não é pequeno. Pra alguma coisa, nem que seja pra morrer com algum conforto, o dinheiro deve ter alguma serventia.

Paulo Roberto concordou com a cabeça. Depois ficou sério e pegou Bebeto pelo cotovelo. – Pai, eu quero pedir desculpas pelo meu comportamento nos últimos anos, ignorando você, deixando de responder suas mensagens.

– Eu também tenho muito de que me desculpar com você, filho. Mas, pra simplificar, por que não fazemos assim: eu te perdoo e você me perdoa? Não temos tempo pra passar tudo a limpo. Vamos esquecer o que passou e ser amigos de novo. É só o que eu quero.

– Eu também, pai.

Os dois ficaram em pé no meio da cafeteria. As palavras haviam se esgotado por enquanto. Olhavam-se com carinho e tentavam reter cada segundo, alheios aos sons à sua volta, com a consciência plena de que aquele era um daqueles momentos que serão lembrados por toda a vida, não importa o que aconteça depois, não importa quantos anos se passem.

Então, sem combinar, deram um passo à frente e se abraçaram com força. Paulo Roberto começou a chorar e Bebeto, vencendo a hesitação, acariciou sua cabeça, aconchegando-o em seu ombro, como um menino. Uma paz imensa desceu sobre pai e filho, e, com ela, a certeza de que seguiriam juntos e nunca mais se separariam a partir dali.

Olharam para Paula, para agradecer por aquele reencontro, mas a cadeira estava vazia. Ela avisara Bebeto que tinha um compromisso – algo a ver com teatro ou leitura de poemas. Sobre a mesa, embaixo de uma flor, deixara uma cédula de 20 reais, para pagar o café.


Sorocaba, inverno de 2019

Nota

(*) Referência ao poema “Felicidade”, de Vicente de Carvalho

Leia a primeira parte deste conto aqui.

Imagem de Tania Dimas por Pixabay

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