Quanto custa colocar amor no café?

Xícara de café com amor e corações escrito em giz com louza de fundo

LUCY DE MIGUEL – Quando li essa frase pela primeira vez no prefácio de um livro, percebi que ela continha uma riqueza enorme de significados, que tomei emprestada para usá-la em minhas palestras para empresários e líderes educacionais. Digo sempre que a frase não é minha, mas de Marco Kerkmeester, fundador de uma conhecida franquia de cafeterias – e alguém que eu ainda vou convidar para um café.

No texto, Marco diz que sempre ouviu de sua mãe que o amor nos faz crescer. Então levou essa motivação para seus negócios. Muito mais do que o sentido da existência de uma empresa, a sua razão de ser, vejo a afirmativa como uma grande metáfora que hoje me inspira em qualquer tipo de relacionamento ou empreendimento –  em todos eles.

Ah, quanto eu errei e cresci com os aprendizados que poderiam muito bem ter sido evitados se eu tivesse essa consciência. Dia desses, comentei sobre isso com uma amiga, que não entendeu a metáfora e me disse: “Mas Lucy, você sempre fez questão de servir o café para seus funcionários, para todo mundo que chegava em seu escritório. Tinha sempre uma palavra motivadora, incentivava todo mundo a sonhar, a seguir em frente. Isso é amor!”

“Sim, é verdade! Eu sempre fiz com amor, com carinho. Só que cometi um erro fatal: não comunicava o amor, entende?”, respondi.

É preciso comunicar o amor

A fórmula é simples, mas arrisco dizer que 99,9% dos habitantes da face da Terra pecam pela comunicação. Como é que sabemos se alguém está apaixonado por nós? Simples! Essa pessoa precisa dizer, escrever, tatuar na pele, grafitar num muro, mandar um whats, publicar um post… Aí, sim! Está comunicado, está claro! Daí esse amor ser ou não recíproco são outros quinhentos… A grande sacada é que o amor gera um movimento importante.

Como jornalista assumo o mea-culpa de que pequei na comunicação como líder durante muito tempo. Eu não externava, não demonstrava a minha gratidão com palavras, não deixava claro que fazia por amor.  E gestos nem sempre dizem tudo.

Estamos acostumados em agir no modo automático: pela correria do dia-a-dia, pelo despertar tão cedo, pelo ônibus ou metrô lotados, pelo trânsito ou pela desarmonia familiar, pela falta de grana ou de um emprego, pelos problemas de saúde, pelas contas que temos para pagar e ultimamente até por este ou por aquele perfil político. Essa lista é enorme.

O problema é que nessa neurose cotidiana, vamos deixando esse sentimento de escanteio, deixamos de “colocar amor no café”.

É aí que acabamos entrando em uma espiral descendente neste sentimento que é a essência de tudo. Quanto menos amor colocamos em tudo o que fazemos diariamente, pior vai ficando a rotina. Percebe?

Caiu a ficha

Quando me dei conta desse poder ilimitado, minha vida mudou. Virei a chave. Não basta mais acordar meus filhos com beijos e preparar o lanche para a escola com todo o carinho. Eles precisam saber que não existe ninguém no mundo que os ama mais do que eu.

Hoje boto amor em tudo! Na comida que preparo para a minha família, nos meus projetos, no trabalho, no contato com pessoas que conheço ou acabo de conhecer, nos comentários que faço pelas redes sociais.

Faço para o outro o que eu gostaria que fizessem para mim. Não tem erro.  Só exige uma consciência, uma atenção plena. É fácil? Não! É treino!

No início, fazer com amor exige um esforço “muscular” danado. Juro por Deus! Tentar cancelar a assinatura da TV a cabo pelo telemarketing vale por 10 aulas seguidas de crossfit. Você vai respirar fundo depois de navegar oito minutos pelo menu que não te leva nunca ao atendente, mas quando chegar nele, mantenha a atenção plena e entenda que existe um ser humano do outro lado da linha, alguém de carne e osso, que tem sentimentos, dores, frustrações. Para mim, essa foi uma das maiores provações. Sou humana e já mandei muito atendente catar coquinho. Hoje já levo numa boa os atendimentos deste tipo.

“O amor é a semente, a seiva e o sabor do fruto. Ele é a beleza e a fragrância da flor. O início, o meio e o fim. Despertar o amor é o motivo de estarmos aqui”. Sri Prem Baba, no livro Propósito

Tem gente que me contraria e diz que “ninguém dá o que não tem”. Ah, dá, Baby! Sabe por quê? Porque o amor é a única coisa que você pode produzir sozinho, não depende de ninguém. Não precisa ser amado para amar. “É dando que se recebe”. Terceira Lei de Newton: ação e reação. Manda amor para o universo, que ele volta pra você.

Como mãe, essa é a visão de mundo que eu passo para os meus filhos. Acredito que essa é a competência mais importante que devemos transmitir para as novas gerações. Até porque, não adianta ter resiliência, empatia, respeito, ética ou qualquer outra habilidade socioemocional. Antes de tudo, tem que vir o amor, que é a essência da verdadeira felicidade e do sucesso! Sempre dá certo!

Lucy De Miguel, editora da revista NA MOCHILA, jornalista especializada em primeira infância, mãe da Sabrina e do Tiago, fundadora do Instituto Noa, acredita que nosso verdadeiro crescimento acontece quando fazemos o outro crescer.

Instagram: @lucycantero

Facebook: facebook.com/lucycantero.miguel

Se precisar, me mande um email: lu@namochila.com

Crédito da imagem: Freepik.com/Valeria-Aksakova

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