Jornada amalucada pelo universo

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LÚCIA HELENA DE CAMARGO – O desenho “Rick e Morty”, em exibição pela Netflix, chega à terceira temporada causando comoção entre fãs, provocando elogios rasgados e entrando em muitas listas de melhores séries.

A ação é concentrada em Rick, um vovô desgrenhado que vive bêbado, mas ainda assim é capaz de inventar traquitanas científicas geniais; e seu neto, Morty, que sempre entra de gaiato nas aventuras do avô. A família em volta deles também não é muito funcional: o pai é boboca e a mãe parece desconectada da realidade. Há uma irmã adolescente, chatinha como todos os adolescentes.

Rick viaja para universos paralelos, descobre alienígenas de todos os tipos e compra briga com seres de diversos mundos para conseguir que o professor de matemática de Morty melhore suas notas e, assim, o neto possa estudar menos e acompanhá-lo em mais aventuras. O moleque parece o tempo todo desconfortável, reclama com voz esganiçada, mas segue participando dos amalucados projetos (que, de todo modo, são bem mais interessantes do que vidinha pacata de casa-escola).

Programação adulta

Originalmente exibida no Adult Swim, o núcleo de programação noturna do canal Cartoon Network, da TV paga, “Rick e Morty” estreou em dezembro de 2013. Mas fez tanto sucesso que agora chegou ao streaming. Os criadores do cartoon são Justin Roiland e Dan Harmon, que ganharam fama com a série cômica “Community”.

Inicialmente uma espécie de paródia dos filmes “De volta para o futuro”, o desenho ganhou personalidade própria. As histórias seguem ritmos frenéticos, com visual no estilo tudo-ao-mesmo-tempo-agora, cenários amalucados, monstros e paisagens coloridíssimos, que parecem saídos de um sonho psicodélico à base de LSD.

Estética de videoclipe

Embora a estética de videoclipe agrade a grande parte do público, o excesso de informação visual em cada segundo pode atrapalhar quem busca apenas entretenimento em forma de desenho animado com tema adulto. Os acontecimentos vão se sucedendo, sem maiores reflexões ou consequências.

Claro, trata-se de um cartoon e os personagens não morrem ao cair de penhascos (todo mundo que assistia “Pernalonga & Patolino” e as alucinadas correrias do Coiote “bip bip” sabe disso) nem ao ingerir venenos etc, mas como se trata de um desenho para pessoas com mais de 12 anos de idade seria interessante que houvesse um pouquinho mais de verossimilhança. Mas não. Ou você embarca nos mundos amalucados e totalmente sem sentido e encara isso como parte integrante do pacote, ou perde o interesse e vai assistir outro programa.

Nojeiras

“Rick e Morty” parece feito por adolescentes e para adolescentes. Ou então para um público masculino naquela faixa etária específica, que vai dos 10 até (mais ou menos) os 60 anos de idade. Jamais vamos entender (nós, mulheres) porque homens acham tão engraçadas piadas sobre flatulência, vômito, diarreia, arrotos e outras nojeiras que o corpo humano pode produzir. Do jardim da infância à universidade, o padrão se repete. Quem primeiro ri quando um menino faz um pum e mostra aos demais que fez? Claro, outro menino. Não que seja algo

No desenho, o velho Rick, que permanece bêbado o tempo todo, segue com voz pastosa e  arrotando, sem jamais limpar aquela baba verde que escorre pelo lado da boca. Entram ainda no roteiro piadas de duplo sentido sexual e uma profusão de referências a excreções de todo tipo. Algumas – aliás, muitas – pessoas acham engraçado.  Eu, não.

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