A terra que a enxada não rasga

VANESSA MARCONATO NEGRÃO (TEXTO) E PEDRO NEGRÃO (FOTO) –  

O tempo aqui enquadrado

Atravessa meu espírito

Mão em brasa

Contida nesse afinco

Espera paciente

O mínimo.

Nessa terra ressecada

Que a enxada não rasga

Que a chuva não alcança

Que não nasce planta.

Onde ninguém mais se espanta

Se a humanidade lhe fosse tirada

Quem dera a fera que habita os homens

Chegasse à superfície

Em face a miséria, a fome e a má distribuição

Seria o triunfo da dignidade

E as mãos antes calejadas

Quase amputadas

Descansariam então.

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