Sexo, drogas e… Shakespeare

PEDRO CADINA – Os romances policiais de Jo Nesbo estão de volta ao País. A Editora Record lança esse mês seu thriller “Macbeth”, sobre a luta pelo poder em uma grande cidade, recontada a partir da peça do dramaturgo inglês William Shakespeare. Traduzido em 50 línguas, o autor norueguês vendeu mais de 40 milhões de exemplares no mundo, dos quais 200 mil no Brasil. Com 59 anos, Nesbo é também economista, líder de uma banda de rock popular na Noruega, amante de futebol e praticante de escalada. O jornal Valor Econômico publicou, na última sexta-feira, um perfil que escrevi sobre o autor, que fala sobre seus livros e suas paixões. Após fazer um pequeno cadastro, o texto pode ser lido aqui.

O “Macbeth” de Jo Nesbo é parte do projeto Shakespeare da Hogart Press que convidou oito autores de best-sellers, entre os quais Gillian Flynn, Jeanette Winterson e Margaret Atwood, para recontar a obra do bardo no formato de ficção contemporânea. O escritor de policiais noir transformou a obscura e amaldiçoada peça do escritor inglês, em um thriller num cenário de drogas, corrupção, assassinatos e traições.

O escritor Jo Nesbo com capuz e camiseta azul, bigode e cavanhaque ao lado esquerdo da foto.
Jo Nesbo: Macbeth recontada como romance policial

Regicídio

Macbeth”, a mais curta das tragédias do bardo, foi escrita na primeira década do século XVII e conta a história de um regicídio. Macbeth, general do exército do Rei, volta de uma vitória sobre noruegueses e irlandeses, quando encontra três bruxas, que profetizam sua chegada ao poder. Apoiado por sua esposa, ele mata Duncan, o Rei da Escócia, e assume o trono. Seu reinado é de terror, composto por traições e assassinatos em série.

“Macbeth” é também considerada uma das origens dos gêneros policial, com alusões à peça em Agatha Christie, P.D. James e Dorothy Sayers, entre outros autores. Thomas De Quincey, no século XIX, tratou de assassinato e suspense no texto de Shakespeare no ensaio “On the Knocking at the Gate in ‘Macbeth”.

Desenho de William Shakespeare, careca, cm cabelos do meio da testa para traz. Longas sobrancelhas e pequeno bigode.
Shakespeare: suspense e assassinatos na peça Macbeth

Copa América

O romance “Macbeth” de Jo Nesbo, lançado no Reino Unido e Estados Unidos em abril de 2018, foi indicado pelo The Observer como um dos 10 títulos que não podiam deixar de ser lido no ano, além de chegar ao primeiro lugar na lista dos mais vendidos do Sunday Times, em outubro passado. Talvez a melhor resenha publicada sobre o livro seja a de James Shapiro, especializado em Shakespeare e professor da Columbia University. Com o título Sex, Drugs and … Shakespeare foi publicada na edição impressa do New York Time Sunday Book Review e pode ser lida aqui.

Na semana passada, Jo Nesbo iniciou uma turnê para lançar seu mais novo título, The Knife, que ele mesmo descreve como o mais sombrio da série com o policial anti-herói Harry Hole. Durante uma hora, no Theakston Old Peculier Crime Festival, ele falou sobre sua carreira, seus livros, seu processo de criação, futebol e a pratica de escalada. Depois deu autógrafos a seus leitores, que formaram maior fila do evento. Conversei rapidamente com ele, fã do futebol brasileiro, que entusiasmado me cumprimentou: “Parabéns pela Copa América”.

Escritor Jo Nesbo sentando, de óculos e cavanhaque branco, cumprimenta Pedro Cadina, que veste capa preta e está em pé de costas para câmera. Ao fundo, cartaz do Old Peculier Crime Writing Festival.
Jo Nesbo: Parabéns pela Copa América.

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