O corpo é o anfitrião da alma

RITA BRAGATTO – Desde que resgatei minha bike na França e a trouxe para a Itália estabeleci uma rotina diária: acordo de manhã cedo, faço meu desjejum, venço a preguiça e pego a estrada. Meu corpo, no primeiro dia, não entendeu muito bem. Como assim? Pedalar 20 km morro acima? Parecia bem contrariado. Mas bastou ele sentir o vento na pele; o aroma das árvores da montanha; ver aquelas paisagens lindas para esquecer o “sofrimento” e ser invadido por um grande sentimento de felicidade. Minha alma se alimenta na natureza. E ter um corpo saudável é essencial para viver essas experiências.

Por muito tempo a manutenção do corpo se restringiu à beleza. Ainda hoje, a auto-estima é baseada na aparência, não na essência. E isso nada mais é do que uma tentativa de nos colocar em molduras. Essas projeções e rótulos são um crime. Como diz Clarissa Pinkola Estes, em seu livro “Mulheres que correm com os lobos”: “defender apenas um tipo de beleza é de certo modo não observar a natureza. Não pode haver um tipo de ave canora, apenas uma variedade de pinheiro, apenas uma qualidade de lobo.”

Clarissa prossegue: “No corpo não existe absolutamente nada que “deveria ser” de algum jeito. A questão não está no tamanho, no formato, na idade, nem mesmo no fato de ter tudo aos pares, pois algumas pessoas não têm. A questão selvagem está em saber se esse corpo sente, se ele tem vínculo adequado com o prazer, com o coração, com a alma, com o mundo selvagem. Ele tem alegria, felicidade? Ele consegue ao seu modo se movimentar, dançar, gingar, balançar, investir? É só isso que importa.”

O corpo é a expressão física da alma. Ele é um recipiente que armazena nossas recordações, nos enche de sensações. Ele é o veículo que nos permite viver experiências. Sentir o aroma da comidinha da mãe. Ouvir a nossa música preferida. Sentir o vento. Enxergar com paixão. Suar ao fazer amor. Através dele nossa alma entra em contato com o mundo exterior.

Por isso é tão importante “ouvir o que o corpo diz”. Ele revela muito sobre a nossa alma. Ele fala do que é invisível. Do que está no nosso inconsciente. Do que, muitas vezes, não ousamos verbalizar. Ele mostra quando nossa alma não está sendo alimentada corretamente.

Desde que fiz a formação em “Leitura Biológica”, a relação com meu corpo mudou muito. A técnica revela conexões entre os conflitos emocionais e as doenças físicas. Em resumo, diz que o corpo elabora aquilo que não resolvemos no emocional.

Com os conhecimentos que adquiri eu passei a me observar muito mais. Investigo a emoção por trás de cada dor. E tenho comprovado essa conexão também em meus pacientes. Nenhum sintoma físico acontece ao acaso. Nada passa despercebido. As doenças são a voz da alma. De uma simples dor de cabeça a um câncer absolutamente tudo tem relação direta com a maneira que lidamos com as nossas questões emocionais.

Por isso é tão importante a gente se observar. Prestar atenção. Identificar o que nutre a nossa alma. E escutar o que o nosso corpo diz quando esse alimento não vem. Quando um sintoma físico aparecer, contextualize: “se essa dor pudesse falar, o que ela me diria?”. Certamente, você vai entrar em contato com histórias, com conflitos mal resolvidos, com emoções profundas que bloquearam a sua energia vital. O corpo não mente.

Portanto, vá ao médico para tratar os sintomas, se isso te tranqüiliza. Mas procure também ajuda terapêutica para cuidar das suas emoções. Não ignore seus sentimentos. As doenças (físicas e emocionais) nos aprisionam. Nos limitam. Cuide-se para que seu corpo seja anfitrião de uma alma saudável. Feliz. Livre. Você merece!

Rita Bragatto | Psicanalista | Consteladora Familiar
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