Antunes Filho e o seu legado

RAUL TEIXEIRA (São Paulo)- Antunes Filho há quatro meses virou estrela, quem sabe da constelação Ursa Maior, e está nos iluminando lá do hemisfério norte celestial. O tempo não consumiu a sua ausência e vivo está, presente intensamente.

O CPT está do jeitinho que Antunes deixou. Com seu grupo de atores ensaiando e mantendo vivo o espaço que ainda vibra o ambiente criativo de Antunes.

É comum a visita de atores e amigos que se emocionam ao entrar no palco do CPT. Olhar o acervo, os recados na parede, as frases de grandes mestres, sua cadeira e a mesa com seus livros e objetos místicos. Antunes parece que esta ali, observando e dialogando intensamente com cada movimento, algum gesto ou uma palavra.

Nos recados deixados no CPT ele aparece constantemente nos sonhos dando sinais de vitalidade na língua que criou.

No meu dia a dia, lembro das nossas idas às exposições com suas observações detalhadas. Os quadros eleitos deveriam ser vistos a uma certa distância e por um determinado tempo, sempre em busca do ponto de fuga e de equilíbrio de cada pincelada ou camada de tinta.

E aos domingos às 20h em ponto, fica a saudade dos encontros para tomar um sorvete na Ofner, conversar sobre teatro, amenidades e acontecimentos da semana.

O Grupo de Teatro Macunaíma e o SESC pulsam para manter seu legado por meio de seu método e espetáculos. Neste momento, ainda vivemos um luto e a sua ausência com saudades. Mas, em breve, algumas ações serão anunciadas e de portas abertas mostraremos as histórias deste mestre que formou e inspirou muitos artistas no teatro brasileiro.

Este retrato do Antunes, foi desenhado pelo cenógrafo e figurinista José Anchieta, logo depois que saiu do velório no dia 2 de maio.

Anchieta, amigo próximo , nos deixou no dia 23 de maio. Antunes e Anchieta brilham no céu.

Partem grandiosos pela trajetória de dedicação e amor teatro.

NÃO VIERAM NO MUNDO PARA SEREM PEDRA

Raul Teixeira: Atual diretor do grupo Macunaíma. Foi realizador das trilhas sonoras do grupo Macunaíma, sob a direção de Antunes Filho, durante os últimos 20 anos e pela técnica de som de consagrados espetáculos, trabalhando com renomados diretores e atores de teatro, como Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Marco Nanini e Jorge Takla. Em 1996 e 1997, coordenou o primeiro curso de “Designer Sonoro – Sonoplastia para Teatro” no Centro de Pesquisa Teatral (CPT/Sesc). É diretor artístico do Teatro do Colégio Santa Cruz e foi responsável pela implantação dos recursos audiovisuais de espaços culturais, como o Teatro Anhembi-Morumbi, o Teatro Ópera de Ponta Grossa e dos 21 CEU’s (Centro Educacional Unificado) da Prefeitura de São Paulo.

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