Instabilidade ambiental põe em risco gerações futuras

Sandra Nascimento

As queimadas na Amazônia trouxeram à tona antigas discussões sobre o meio ambiente. Em 2003, quando nossa equipe de vídeo trabalhava na produção do documentário “Sorocaba, o rio de nossas vidas” (Loja de Ideias, 2005, 34 minutos), Paulo Celso da Silva, professor de Geografia Humana e historiador, já explicava em entrevista que o critério ambiental dos dias atuais deve ser diferente do momento em que valorizar a industrialização e a urbanização eram mais importantes do que conservar a natureza (veja vídeo abaixo).

Recentemente, enquanto o mundo assiste às ações de queimadas na Floreta Amazônica, vários países passaram a discutir a intensificação da destruição da área, relacionando-a com a exploração de minérios no local, o extrativismo animal (caça e pesca), a urbanização, a especulação fundiária e com a expansão do agronegócio. O desmatamento causado é apontado como um dos maiores problemas ambientais do momento, por colocar em risco o equilíbrio da estabilidade ambiental do planeta.

Progresso x Natureza

A exploração da natureza pelo homem acontece desde o instante em que ele começa a se desenvolver na face da Terra. Mas nunca antes de forma tão acelerada quanto na era da revolução industrial e épocas posteriores, quando o ser humano intensifica a exploração de recursos naturais, colocando em risco a permanência da vida na Terra.

Durante a industrialização, com a criação de máquinas fantásticas e novas tecnologias, os países que mais se desenvolveram economicamente foram os que apresentaram as maiores taxas de desflorestamento. No entanto, na segunda metade do século XX, conforme foram assimilando uma consciência mais ambiental, essas taxas foram caindo nesses países. E, consequentemente, aumentando nos países em desenvolvimento ou nos considerados subdesenvolvidos.

Preservar a Terra

Diante da devastação, para a preservação da vida no planeta foi tornando-se crucial cuidar da natureza, preservando a terra, o ar, os rios, os lagos, as matas, os mares e os oceanos.

Neste cenário, a Floresta Amazônica passou a ser considerada um bem para toda a humanidade. É a única no mundo em tamanho e biodiversidade. E isso pode explicar o interesse dos países desenvolvidos na sua preservação e até conservação.

Ocas de índios isolados na Floresta Amazônica (G. Miranda/Funai/Survival)

O dono da Terra

Cabe ao Brasil a responsabilidade por 60% do território amazônico. No total são mais de 5,5 milhões de km2 em extensão de terra, abrigando 15% das espécies animais e vegetais existentes no planeta.

Ultimamente, porém, está havendo uma inversão dos valores primordiais para vida e infelizmente todos assistem, de forma indiscriminada, principalmente no Brasil, a devastação das matas, o uso desmedido de agrotóxicos e a consequente poluição das águas. Estranhamente, tais ações ameaçam o mundo e até a mais bem intencionada ideia para a proteção do meio ambiente.

Motivos para preservar

Florestas e áreas verdes fornecem oxigênio e condições essenciais à vida de todos. Desmatamentos provocam alterações no solo e consequentemente aos recursos hídricos. Sem vegetação não acontece a infiltração da água da chuva pelo solo. A devastação vegetal agrava cada vez mais a problemática das mudanças climáticas. Queimadas provocam emissão de gases poluentes na atmosfera e isto traz o efeito estufa e o aquecimento global. O aumento da temperatura causa danos incontáveis à saúde humana e aos ecossistemas.

Contrariando o bom desenvolvimento do planeta, a falta de recursos naturais pode comprometer desde já todas as gerações futuras.

“A perspectiva é que as gerações mais novas tenham um rio despoluído e o rio poluído seja história.”

Paulo Celso da Silva – professor de Geografia Humana e historiador

Veja abaixo a íntegra do depoimento de Paulo Celso ao videodocumentário.“Sorocaba, o rio de nossas vidas” (Loja de Ideias, 2005)

Veja o documentário na íntegra

Referências

Instituto Via de Acesso/Sustentabilidade;
“Sapiens – Uma breve história da Humanidade” (Yuval Noah Harari).

Foto principal
Imagem de luis deltreehd por Pixabay 

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