Como a jovem canadense campeã do US Open, a província de Ontário, onde ela nasceu, surpreende e encanta pelos atrativos dentro e fora das quadras e da mesa

MARCO MERGUIZZO – Numa espécie de revival feminino contemporâneo da saga bíblica de David e Golias, o reinado e a supremacia da fenomenal tenista norte-americana Serena Williams, a “Mike Tyson” do circuito profissional de tênis, considerada uma das melhores de todos os tempos, parece ter chegado ao seu crepúsculo, e de forma apoteótica, neste sábado, 7/9, na final do US Open, em Nova York. Do lado de lá da rede, segurava a raquete uma brava meninota canadense de nome Bianca (“branca” ou “pura”, em italiano) Andreescu, de apenas 19 anos, ainda com o rosto pontuado aqui e ali de cravos e espinhas, denunciando sua quase adolescência.

A mais nova sensação do Grand Slam levantou, além do público presente na quadra principal do complexo de Flushing Medows, a taça e o prêmio recorde de U$ 3,859 milhões (ou R$ 15 milhões), o maior concedido até hoje, quebrando assim uma longa hegemonia da craque americana de 37 anos, ex-número 1 do mundo e atual décima colocada no ranking da Associação de Tênis Profissional (ATP). Não é pouco coisa.

Nascida em 2000, um ano depois de Serena Williams ganhar o seu primeiro US Open, na encantadora Mississauga, cidade multicultural de 750 mil habitantes, situada na borda do lago Ontário, no subúrbio da igualmente cosmopolita Toronto, costa nordeste do Canadá, a mais nova número 5 do ranking da ATP sempre foi tida como uma fora-de-série desde as categorias infantil e juvenil do tênis de seu país e candidatíssima a ocupar um lugar no panteão das grandes tenistas do mundo.

Canadense de ascendência romena, a jovem e bela rainha do tênis de olhos verdes parece pertencer, ao que tudo indica, à mesma estirpe de uma outra gigante do esporte do país do leste europeu e do mundo: a ginasta Nadia Comaneci, que assombrou o planeta durante as Olimpíadas de Montreal, no Canadá, ao conquistar aos meros 14 de idade o chamado ’10 perfeito’ na ginástica, fato até então, inédito, faturando três reluzentes medalhas de ouros nas paralelas, trave e barras assimétricas, tornando-se a mais jovem atleta olímpica a conquistar tamanho feito, jamais repetido.

Bianca Andreescu, que acaba de ganhar o US Open, em NY, não hesitou…
… em trocar, após sua vitória histórica, a raquete pelas taças de icewines, brancos e tintos da região de Ontário, onde ela nasceu e vive com os pais

Quem gosta de tênis e assistiu pela TV à eletrizante partida final, neste final de tarde de sábado, entre as tenistas vizinhas do lago Ontário, tem muito a comemorar. Foram dois sets de tirar o fôlego, num embate que durou cerca de 1h40, no total. No primeiro deles, Bianca surpreendeu e logo se impôs diante de Serena, quebrando três games e decretando, sem muita resistência, 6 a 3 sobre a tenista veterana.

Já no segundo, a garota de Mississauga tratorou impiedosamente a “Mike Tyson de Michigan”, que cometia erros seguidos e incomuns, colocando 5 a 1 no placar. Quando tudo indicava um arrasador 6 a 1 final, veio a reação de Serena Williams, porém, insuficiente para barrar a vitória e ofuscar a consagração de Bianca Andreescu, que lutou como David. Resultado final: 7 a 5 para a nova numa atuação de gala quase impecável.

Com a conquista, a jovem de Ontário tornou-se a primeira jogadora a estrear na chave principal do US Open e ganhar o título do Grand Slam americano no mesmo ano. Também se tornou a primeira canadense a conquistar o título em Nova York. Filha de romenos que se mudaram para o Canadá antes de ela nascer, Andreescu vem em uma ascensão impressionante desde 2018. Neste ano, já foi campeã nas quadras duras de Newport Beach, Indian Wells e Toronto, tendo se recuperado de uma lesão no ombro no meio da temporada.

A final em Toronto, há três semanas, foi o primeiro duelo entre as duas adversárias deste sábado. Naquela decisão, em casa, a canadense vencia Serena por 3 a 1, ainda no primeiro set, quando a americana abandonou a partida, com dores nas costas. Andreescu também se recuperou de uma lesão no ombro no meio desta temporada, que a afastou das quadras por dois meses. Mesmo assim a jogadora que começou o ano fora do top 100, agora será top 5. A atuação da mais nova campeã do US Open mostra que aquela garota que era 178 do mundo ano passado chegou para figurar definitivamente entre os grandes nomes do tênis.

COMEÇA O JOGO: TORONTO, A BIG APPLE CANADENSE
Imagens: Agências e Arquivo Pessoal

Com uma série de semelhanças urbanas, vida cultural e noturna intensas e uma culinária diversificada, sem contar o seu grande poder de fogo econômico e financeiro – a cidade de Toronto, espécie de irmã siamesa e alter ego da vizinha Nova York, a Big Apple, ou em bom português, a Grande Maçã norte-americana, ancorada no lado de lá da margem sudeste do lago Ontário, bem que poderia ser chamada de “Big Maple”. 
  
O neologismo criado por este jornalista-blogueiro é uma livre associação às emblemáticas folhas de plátano presentes tanto na bandeira e na vegetação que pinta de várias cores os campos, ruas e avenidas das cidades por todo este país continental, quanto à mesa, com o típico maple syrup – o xarope local de paladar docinho feito a partir da seiva da árvore do gênero Acer, presente em muitas receitas, pratos e muito apreciado por dez entre dez canadenses. 
  
Embora Toronto apresente múltiplos encantos a cada estação do ano, é na primavera que se avizinha sobretudo, com temperaturas médias que variam entre 5oC e 15oC e longe portanto do frio congelante do inverno, a época ideal para se viajar para lá e conhecer um menu recheado de programas turísticos, culturais e, em especial, de endereços gastronômicos feitos sob medida para quem é fã de carteirinha da boa mesa, vinhos e cervejas especiais. Em tempo: o Canadá é um produtor emergente de ótimos rótulos, alguns incomuns como o icewine, o “vinho do gelo” (em breve, farei um post exclusivo sobre a produção deste vinho de sobremesa único, verdadeira joia da enologia canadense e mundial). 
  
De volta à Big Maple, apelidos carinhosos por sinal é que não faltam à maior e mais plural das cidades canadenses: Queen City (maior cidade da província de Ontário), T.O. (abreviação de Toronto-Ontário), Hogtown (referência aos matadouros e à indústria de derivados suínos dos primórdios da cidade), 416 (números do DDD local), YYZ (por causa da sigla do aeroporto), Megacity ou o termo da moda The Six, The 6 ou 6ix, amplificado pelo rapper Drake, natural da cidade (ambos fazem referência à unificação de 6 distritos para formar uma só cidade: Toronto, Scarborough, North York, East York, York e Etobicoke) são algumas de suas inúmeras e carinhosas alcunhas. 

Embora a modernidade da paisagem urbana de Toronto lembre de fato NY e seja visível na arquitetura arrojada de seus arranha-céus, caso por exemplo da frenética Yonge Dunda´s Avenue, e em especial no trecho mais central conhecido como Dundaa’s Square, espécie de Times Square local, com seus outdoors iluminados, bares e restaurantes – a cidade tem, também, uma face encantadoramente bucólica com bairros pitorescos que oferecem dezenas de endereços de comida típica de várias nacionalidades.

Caso de Chinatown, Little India, Little Italy, Little Portugal, Greektown e Little Poland, dentre outros lugares que traduzem em boa medida como este jovem país foi colonizado e assimilou as múltiplas influências à mesa ao longo de sua história. (Em tempo: o Canadá completa agora, em 2018, 151 anos de independência do Reino Unido).  

KENSIGNTON MARKET: PRIMEIRA E GRANDE SACADA

Também é programa obrigatório no roteiro de todo gourmet e foodie que visita a cidade o alternativo e pulsante bairro multicultural de Kensignton Market. Patrimônio histórico e artístico do país desde 2006 por seu casario em estilo vitoriano, o lugar vizinho à Chinatown, e que até o início dos anos 90 era conhecido como Jewish Market pela forte presença da colônia judaica, também abriga diversos grupos étnicos como chineses, iranianos, mexicanos, africanos e vietnamitas, além de dezenas de galerias de arte e artistas de rua e inúmeros restaurantes, cafés, delis, mercearias, quitandas e bakeries.

Cada um desses locais faz com que o visitante perca a hora se deliciando com seus sabores e produtos artesanais, em grande parte orgânicos, tamanha a oferta de delícias oferecidas. Caso dos tradicionais bagels, tortas, hambúrgueres, queijos locais, como os ótimos maturados 5 Brothers e Avonlea e o Riopelle (que se assemelha ao brie francês) e até mesmo o ultrapopular e tradicional poutine, finger-food amplamente consumido que consiste em uma gigantesca porção de batatas fritas guarnecida com molho de queijo coalho e gravy (feito à base, carne bovina, farinha de trigo, pimenta, sal e outras especiarias), e pouco atraente aos paladares mais exigentes. 
  
Enquanto no simpático e acolhedor Wanda’s Pie in the Sky, por exemplo, pode-se provar uma das melhores tortas de cranberries (arando, em português, uma frutinha vermelha), pumpkin (abóbora) e maçãs da cidade, na Caplansky Deli é possível devorar o ótimo BBLT (sanduíche de bacon bovino), uma criação local que é tão clássica e famosa quanto o sanduíche de mortadela do Mercadão de São Paulo, e que ali é executada pelo ex-food-truckeiro e hoje reverenciado mestre-chapeiro Zane Caplansky. 

Em Kensignton Market, comidinhas em geral, alimentos e produtos gourmet de todo tipo são levados tão a sério que há algumas empresas especializadas em organizar roteiros personalizados para o público foodie. Caso da Culinary Adventure Co., cujo dono, o simpático e tarimbado Kevin Durkee, é um foodhunter que, entre outras descobertas inusitadas, pode levá-lo a uma surpreendente fabriqueta artesanal de pipocas. 
  
Nesse caso trata-se da para lá de original Toronto Popcorn Co., que produz mais de cinco dezenas de sabores, entre salgados e doces, como a gourmetizada cheesy dill e bacon com cheddar, além das que levam frutas (cherries e strawberries) e maple, outra preferência nacional. Minha insuspeita ascendência italiana recaiu sobre as de espresso caramel (café com caramelo), de longe as minhas preferidas. Enfim, um programa sedutor para quem é fã da iguaria dos 8 aos 80 anos. 

DISTILLERY DISTRICT: FOME E SEDE DE QUÊ? 

Seja foodie ou não, um dos lugares mais legais de se visitar em Toronto e passar algumas boas horinhas por lá é o Distillery District, uma antiga destilaria de canadian whisky e rum do século 19, que foi a maior da América do Norte e hoje abriga um complexo de entretenimento de enorme vocação gastronômica. 
  
Em estilo vitoriano, a bela e revitalizada construção, é a mais bem preservada coleção de arquitetura industrial do gênero da América do Norte. Com paredes de tijolo aparente e edifícios de ferro, o lugar se tornou o maior set de filmagens do Canadá e o segundo do mundo, depois de Hollywood. Foi cenário de clássicos como Chicago e O Novato e do blockbuster X-Men.

Restaurado há cerca de duas décadas, hospeda hoje, além de galerias de arte e teatros, minidestilarias de vodca, gim e aquavit (a Spirit of York), saquê (a Ontario Sake Izumi) e cerveja (a Mill Street Brewery; em tempo: todos elas oferecem tastings guiados), bistrôs, padarias artesanais, como a descolada Wildly Delicious, e a Soma Chocolatemaker, que é puro deleite. 
  
Ressalte-se: esta fábrica de chocolates torontiana não é uma chocolateria qualquer. Por ser do tipo micro-batch, produz artesanalmente seus próprios blendeds a partir de amêndoas de cacau de origens selecionadas, provenientes de melhores produtores do mundo, incluindo terroirs africanos remotos e até do litoral baiano.

O respeito ao chocolate, sua procedência e o esmero no preparo – tudo é potencializado em combinações ousadas e incomuns que envolvem berries iranianas, azeite de oliva, sal Maldon, sementes de abóbora, nibs de cacau e flor de sal, abrindo novas experiências ao palato. Por essas e outras, o Distillery District é um programa para lá de completo feito sob medida para todos os paladares e preferências à mesa.   

EVERGREEN BRICK WORKS: ÉDEN FOODIE SUSTENTÁVEL  

Não só em Toronto mas em todo lugar por aqui produtos orgânicos, biodinâmicos e sustentáveis são temas levados muito a sério. Situado no subúrbio da cidade, a cerca de 40 minutos da cidade, o Evergreen Brick Works é uma espécie de “Ceasa” de pequenos produtores canadenses ecologicamente engajados, que somam hoje cerca de 170 mil voluntários, responsáveis por restaurar a natureza em ambientes urbanos por todo o país e empenhados seriamente em produzir alimentos in natura, frescos e sem quaisquer defensivos e agrotóxicos. 
  
Nos finais de semana, o local, que abrigou a Don Valley Brick Works, uma antiga indústria de tijolos que operou por quase 100 anos fornecendo matéria-prima para muitos edifícios famosos de Toronto, como a Casa Loma e a Assembléia Legislativa de Ontário, atrai uma legião de visitantes que vai até lá em busca não só dos alimentos ultrafrescos provenientes de centenas de produtores da província de Ontário, como o seu incomparável café orgânico, os quais, por sua vez, são comercializados nas tradicionais feirinhas de sábado e domingo. Também vale esticar até este oásis verde e caminhar por suas trilhas, lagos artificiais e mirantes que proporcionam uma vista espetacular de Toronto.     

AGKA MUSEUM E AGO: ARTE E BOA MESA NO CARDÁPIO 

Além de ótimos endereços de diferentes especialidades espalhados pela cidade, a vocação gastronômica de Toronto também se estende a alguns bons restaurantes abrigados em museus e em conhecidos cartões postais da cidade. São gratas surpresas e exceções à regra, já que em geral tais estabelecimentos costumam apresentar um gastronomia desinteressante ou, ainda pior, ruim e cara. 
  
Apinhados a 351m de altura da CN Tower, a torre de transmissão que é um dos símbolos da cidade, em um prédio de 553,33m de altura, considerado o mais alto do mundo – são eles: o giratório de 360º, o Horizons e o Le Café, todos com boas opções de pescados e carnes vermelhas, como o house smoked atlantic salmon e o alberta prime pib.

O primeiro, ainda, tem como atração uma superadega com mais de 300 rótulos das principais regiões vinícolas do mundo, incluindo, claro, alguns dos melhores produtores canadenses. Em tempo: apesar dos preços nada democráticos, as mesas do 360 são bastante disputadas. É recomendável reservar, portanto. Como bônus, pode-se subir gratuitamente na torre. 
  
Outra dica é o Diwan, de cozinha étnica, abrigado dentro do Aga Khan Museum. Além do acervo impressionante com mais de 1.000 peças sobre a arte e cultura milenares do Islã, o museu, cujo projeto arquitetônico imponente é assinado pelo japonês Fumihiko Maki, um dos autores dos novos edifícios que estão sendo erguidos no lugar das torres gêmeas de NY, destruídas no atentado de 11 de setembro, a comida de seu restaurante de fusão, de sotaque mediterrâneo-indiano e que segue a linha comfort food, é uma atração à parte. 
  
Os pratos têm a assinatura do chef Mark McEwan, famoso e dono por aqui de outros quatro elogiados restaurantes espalhados pelo país, além de ser jurado do popular Top Chef Canadá. Garantia líquida e certa de uma ótima refeição, são pedidas certeiras as instigantes salada de polvo grelhado, frango ao curry e camarões picantes. Ainda outro programa que alia boa mesa e arte da melhor qualidade é o AGO (Art Gallery of Ontario) na região central de Toronto, de cozinha contemporânea. 

ACES CERTEIROS: SALMÃO, CERVEJA DA BOA E JANTAR NAS ALTURAS 

Viajar a Toronto e não provar o precioso salmão selvagem (que em nada lembra o que estamos habituados a consumir no Brasil, de carne mais firme, paladar peculiar e cor mais suave), o majestoso atum albacora, a ostras e demais frutos do mar servidos ultrafrescos em alguns do melhores restaurantes da cidade, é o mesmo que ir à Roma e não provar o Fettucine à Alfredo. Ou à Veneza, o carpaccio do Harry”s Bar. À Parma e San Danielle e seus célebres prosciuttos, para só ficar em alguns exemplos. 
  
Neste departamento, portanto, são ótimas dicas o impecável La Banane, de cozinha contemporânea, o japonês moderninho e ocidentalizado Kasa Moto e o gastropub Chez Lavelle, de cozinha contemporânea e com uma das vistas mais estupendas do lago Ontário e da CN Tower. Se o paladar pedir comidinhas finger food são boas opções o sanduíche de bagel de salmão defumado do Nü Bagel, em Kesington Market, e o Buster’s Sea Cove. no Saint Laurence Market, maior e melhor mercado público de Toronto, e programa foodie obrigatório. 

Anote, também, na sua agenda: degustação de diferentes estilos de sidra (bebida alcoólica fermentada feita à base de maçã que estagiam em barricas canadenses) do bar temático Her Father”s Cider Bar, o primeiro do gênero da cidade e do país. E as cervejas especiais da Steam Whistle. Cerveja oficial de Toronto, a fábrica oferece visitas e degustações guiadas por biersommeliers, que são verdadeira aula, além do que suas cervejas e bar são ótimos. Fica num prédio histórico próximo ao lado Ripley’s Aquarium, outra superatração que vale muito conferir antes de mergulhar no rico mundo cervejeiro canadense. 

SOBREVOO EM NIAGARA FALLS, ICEWINE E A DOCE VIDA DO INTERIOR    

Quase duas horas de carro é o tempo que se gasta para percorrer os 130km de Toronto até a pequena e bucólica Niagara-on-the-Lake, que concentra uma série de programas de puro hedonismo, com direito a desfrutar sem pressa da ótima comida e vinhos e paisagens de tirar o fôlego daquela região de Ontário. A começar pelas cataratas de Niagará Falls, a emblemática atração na fronteira com os Estados Unidos, um dos pontos turísticos mais famosos do mundo. 
  
Formadas por três grupos de cachoeiras, as cataratas, localizadas entre os rios Erie e Ontario, são muito volumosas, atingindo altura e 168 mil metros cúbicos por minuto, e altura máxima de 53m no lado canadense. O resultado é um espetáculo de águas que pode ser visto de várias perspectivas: a partir de mirantes, por trás das quedas por meio de antigos túneis, navegando de barco ou, ponto alto desse programa obrigatório, em um sobrevoo de helicóptero. 

 Com duração de exatos 12 minutos que passam voando, literalmente, não hesite em fazer esse passeio sobre as águas geladas e verdejantes do rio Niágara em contraste com a vegetação luxuriante do Queen Victoria Park, tamanho o deslumbre dos aeronavegantes. As janelas das aeronaves são grandes o suficiente para qualquer um se deliciar com a vista da área de Whirlpool (as cataratas norte-americanas), a Skylon Tower, as Bridal Veil Falls e, claro, a Horseshoe Falls, as catarantas canadenses. 
  
Os voos saem a cada 5 minutos, dependendo do número de pessoas. (Confira, abaixo, no final do post, o vídeo exclusivo desse sobrevoo realizado pelo blog em uma das modernas aeronaves da companhia Niagara Helicopters, a única autorizada a fazer esse passeio impactante e que vale o ingresso). 

Dentro do complexo do parque, não hesite em comer na Skylon Tower, no Revolving Dining Room, com vista arrebatadora das cataratas. Embora sem brilhar, a cozinha se mostra correta em algumas preparações e as harmonizações com vinhos da região são prazerosas e certeiras. Mas para conoisseurs e enófilos exigentes, o ponto alto mesmo são os ótimos e simpáticos restaurantes de Niagara-on-the-Lake e as dezenas de vinícolas com estrutura de primeira linha daquela região localizadas em sua órbita.

 Caso, entre outras, da cenográfica Peller Estates Winery, a poucos minutos do centro dessa simpática e histórica cidadezinha canadense. Com uma das melhores estruturas receptivas do distrito de Ontário para enófilo nenhum botar defeito, a Peller é uma vinícola familiar que se destaca pela produção dos singulares icewines – os chamados “vinhos de gelo”.

São rótulos de sobremesa raros – e caros -, difíceis de serem encontrados no mercado brasileiro (não há importadores), elaborados a partir de uvas congeladas – daí o nome de batismo -, sob condições de plantio, colheita e clima bastante peculiares, o que resulta em uma bebida de paladar doce ultraconcentrado, servida gelada -, além de espumantes, brancos, tintos e roses tranquilos de excepcional qualidade. 
  
Melhor: além de visitas guiadas por enólogos com direito à visita aos vinhedos, sala de barricas e degustação em um charmoso terraço pergolado próximo às parreiras, abriga um exclusivo icewine bar, recém-inaugurado – o Below Icewine Lounge – onde o visitante degusta os néctares da casa a 15º C negativos. 

Além de um restaurante de primeiríssima linha, cujos fogões são comandados pelo “celebrity chef” Jason Parsons. Um dos mais premiados e conhecidos cozinheiros do país (4 estrelas pela revista Toronto Life), Parsons foi durante anos chef-consultor de um programa de gastronomia da TV canadense.

No sofisticado restaurante abrigado na Peller, ele opera uma cozinha moderna e atual que valoriza ingredientes sazonais e ultrafrescos daquela região em preparações inventivas que se harmonizam à perfeição com os rótulos ali produzidos ou integrango engenhosamente algumas das receitas do cardápio, como protagonistas ou coadjuvantes do prato. 
  
Caso do inusitado patê de fígado de pato que é marinado com um raro icewine tinto da casa (em geral, os “vinhos de gelo” são moldados com uvas brancas), feito com a variedade Cabernet Franc. Em tempo: é recomendável reservar antes. Um grand finale para fechar com em grande estilo este saboroso tour gastronômico por terras canadenses.  

MARCO MERGUIZZO 
é jornalista profissional 
especializado em gastronomia, 
vinhos, viagens e outras 
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