6 meses (um poema)

FREDERICO MORIARTY – À margem esquerda, trago meus erros

À margem direita, a inquietude

Entre as duas, a água em que navega minh’alma

Ela flui indecisa, indelicada

Descontrolada

Arranca as pedras do meu coração

Lava as veias sujas que circulam

Jorra sem sentido

Como um touro ensandecido e machucado pelas espadas

Tenho comigo que jamais encontrarei o mar

Em que poderei despejar minhas dores

Meu sofrimento

Meu sentimento de incompreensão

Serei uma foz em serpentear

Um rio de desgosto

Que numa queda brutal de suas águas

Construirá, de força e tormento,

A Terceira Margem do renascimento.

(Frederico Moriarty, 14 de Setembro de 2019).

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