Pós 7 a 1 teutônico: Império do Mao contra o Brazil do 00

FREDERICO MORIARTY – Em 1990, o Brasil era a décima economia mundial. Nosso PIB totalizava US$ 500 bilhões. A renda per capita era de US$ 3.800. Éramos responsáveis por 1,7% do comércio internacional . Inovação tecnológica: contribuíamos com 6% das pesquisas. Nossos desastrosos problemas sociais complicavam a conta: 12% de analfabetos, 35% de analfabetos funcionais, 32% da população abaixo da linha da pobreza, 67% dos brasileiros sem água tratada ou esgoto, mortalidade infantil em 46 por 1.000, salário médio de R$ 900, a terceira maior desigualdade econômica do mundo (índice Gini).

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Fizemos uma constituição, reformamos o Estado, as leis, experimentamos o neoliberalismo, uma social-democracia capenga e assistimos a volta do autoritarismo. Criamos o maior sistema público de saúde do mundo – o SUS -, distribuímos um pouco a renda, democratizamos o país, demos direitos às minorias. Estabilizamos a moeda, encerramos um trágico período de hiperinflação, modernizamos o parque industrial, passamos de 700 mil alunos no ensino superior para 3 milhões.

O salário mínimo pulou de US$ 45 para US$ 400 (em 2016, o maior valor). A renda média do trabalhador saltou para R$ 4.000 (também o maior valor, em 2016). Se nos anos 80, o problema era a dívida externa que passou dos US$ 245 bilhões, em 2017, possuíamos uma reserva cambial de US$ 300 bilhões e a dívida administrada chegou a US$ 150 bilhões (apenas 40% dela do Estado).

SUS, o maior sistema público e gratuito de saúde do mundo

O analfabetismo despencou, a expectativa de vida deu um salto de 14 anos (hoje é 77 anos). Nosso IDH Índice de Desenvolvimento Humano), em termos estatísticos, é o que mais melhorou no mundo (dados até 2013). Até 2014 o PIB cresceu seis vezes, mas desde então patina entre uma recessão e outra. Hoje não passa de US$ 2,6 trilhões (14% inferior ao daquele ano).

A renda média desceu para R$ 2.880 e o desemprego gira em torno de 11,5%. Nosso parque científico e tecnológico está sendo desmontado, nossos cientistas vendendo balinha, ou pior, patentes pelas ruas. Vivemos uma tragédia de recessão, desindustrialização, queda brutal na confiança e abandono das metas e de projetos sociais. Como se o país tivesse decidido subir o morro acelerando em marcha à ré.

O livro clássico dos anos 1950: ainda à espera do futuro após 70 anos
Alhos com bugalhos

Em economia, jamais podemos comparar Palmeiras/Crefascista com Corinthians/Del Valle. O consumo de arroz-doce pelos dinarmaqueses não pode ser posto lado a lado com o comércio de passarinhos da Etiópia. Mas algumas dados podemos citar, com um misto de dor de cotovelo e exemplo. Sim, vamos à China.

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Os comunistas da terra de Mao passaram de US$ 450 bilhões de PIB em 1990 (menor do que o do Brasil) para US$ 12 trilhões ano passado (cresceram 27 vezes). A renda per capita saltou de US$ 2.600 para US$ 9.200 (não cresceu mais porque eles têm 1,36 bilhões de habitantes). Eles são responsáveis por 18% das inovações tecnológicas do mundo e produzem 27% das tecnologias limpas que serão utilizadas no futuro. Formam 5 milhões de engenheiros da computação por ano.

Tecla Ctrl + China: o dragão chinês virou a imparável locomotiva do séc. 21

Os investimentos na educação básica são impressionantes: em 1960, o país contava com 48% da população analfabeta, hoje são apenas 4% (lembrando que os 48% eram 400 milhões de chineses, cerca de 12 vezes em números absolutos, os nossos analfabetos no mesmo período). Lideram todas a estatísticas de investimento científico do mundo.

Todo ano nascem 15 milhões de chineses: nenhuma criança fora da escola

O salário médio, uma das críticas aos chineses no passado, saltou de R$ 600 para R$ 6.000. Construíram 150 km de metrô em Pequim para as Olimpíadas de 2008 e ganharam no quadro de medalhas com 48 douradas. Já a Cidade Maravilhosa do pastor Crivella, Sérgio Cabral e Eduardo Paes, entregou 11 km de metrô e abiscoitou 7 medalhas de ouro (quatro em esportes coletivos).

O saldo da balança chinês passa de US$ 400 bilhões anuais. A taxa de pobreza está em 5%. A mortalidade infantil é 7 por mil (a nossa caiu para 11). Até pouco tempo, eles eram associados à “muamba”. Preconceito típico de quem está tomando 7 a 1 todo dia. Eles têm a segunda maior indústria bélica do mundo, satélites e foguetes próprios, estão no projeto de construção da base lunar de 2030.

Os carros chineses estão no salão do automóvel alemão, o mais importante do planeta. A marca Lenovo já é referência tecnológica em computadores. A Xiaomei tem um celular de excelente qualidade, com a mesma interface da Apple (mas sem o valor de troca desta) e custa a metade do preço.

O PIB chinês, em recessão, cresceu só 6,8% no primeiro semestre de 2019. A China, após 7 décadas de comunismo pardo (como dizia Deng Xiao Ping ao comentar sobre a abertura comercial capitalista do país: “Os gatos podem ser pardos, mas o que interessa é que cacem ratos”), é a máquina do mundo, a indústria que não pára, a natureza em combustão. Nós continuamos a ser o país da Guaraná Antárctica, da soja e da carne Friboi.

Recém-inaugurado, o Pequim-Daxing é o segundo maior aeroporto do mundo. Com arquitetura futurista que lembra uma grande estrela-do-mar, sua capacidade é de 100 milhões de passageiros anuais. Nos últimos 15 anos, a capital chinesa construiu o segundo e o sétimo maiores aeroportos do planeta.


Tá tudo bem. Não precisávamos ser uma China (na destruição do meio ambiente estamos pau a pau com eles), mas esperar o futuro para depois da 3ª Guerra Mundial é um tanto longo.

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