Dia da Árvore, em 21 de setembro, antecede o início da primavera no hemisfério Sul

Sandra Nascimento

Comemorado no dia 21 de setembro, o Dia da Árvore existe para lembrar a importância de preservar árvores e florestas para a proteção do Meio Ambiente. A data antecede o início da primavera no hemisfério sul, que ocorre entre os dias 22 e 23 de setembro.

No Brasil, o Dia da Árvore chegou a ser oficialmente substituído pela Festa Anual das Árvores (decreto federal 55.795 em 24 de fevereiro de 1965 – veja abaixo). No entanto, a lei não pegou e a mudança não conseguiu tirar do 21 de setembro o privilégio de ser o “dia da árvore”, ocasião em que acontecem – nas escolas, nas mídias e até pelos próprios órgãos oficiais – várias homenagens dedicadas  às árvores e às questões ambientais.

DECRETO Nº 55.795, DE 24 DE FEVEREIRO DE 1965.

Institui em todo território nacional, a Festa Anual das Árvores.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , usando das atribuições que lhe confere o Art. 87, item I da Constituição,

DECRETA:

Art 1º Fica instituída em todo o território nacional, a Festa Anual das Árvores, em substituição ao chamado “Dia da Árvore” atualmente comemorado no dia 21 de setembro.

Art 2º A Festa Anual das Árvores tem por objetivo difundir ensinamentos sobre a conservação das florestas e estimular a prática de tais ensinamentos, bem como divulgar a importância das árvores no progresso da Pátria e no bem-estar dos cidadãos.

Art 3º A Festa Anual das Árvores, em razão das diferentes características fisiográfico-climáticas do Brasil, será comemorada durante a última semana do mês de março nos Estados do Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia e Territórios Federais do Amapá, Roraima, Fernando de Noronha e Rondônia; e na semana com início no dia 21 de setembro, nos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Guanabara; Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

Art 4º As comemorações ficarão a cargo dos Ministérios da Agricultura e da Educação e Cultura.

Art 5º Os casos omissos serão resolvidos pelo Conselho Florestal Federal.

Art 6º Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Brasília, 24 de fevereiro de 1965; 144º da Independência e 77º da República.

H. CASTELO BRANCO
Hugo de Almeida Leme
Flávio Lacerda

A história por trás da data

A data comemorativa surgiu no final do século XIX, em 10 de abril de 1872, quando o jornalista e político estadunidense Julius Sterling Morton (1832-1902) decidiu plantar muitas árvores no estado do Nebraska, Estados Unidos.

Denominado “Day Arbor”, a data acabou se tornando um marco ecológico de conscientização e preservação das espécies arbóreas, porque já nessa época o desmatamento causava problemas ambientais e alterações na biodiversidade. Tanto que, mundialmente, as nações passaram a comemorar adaptando o seu “day arbor” conforme as características geológico-climáticas de cada país. Por isso, na Alemanha, o dia é comemorado em 25 de abril; na Polônia, em 10 de outubro; na Tanzânia em de janeiro; entre outras.

Paineira rosa, árvore tropical, localizada na avenida Dom Aguirre, margem esquerda do rio Sorocaba, frente ao Poupatempo. Nome científico: Chorisia speciosa

No Brasil

No Brasil, o dia da árvore foi comemorado pela primeira vez na cidade de Araras, em 7 de junho de 1902, por iniciativa de Alberto Löfgren, então responsável pela área de Botânica da Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo e do engenheiro agrônomo João Pedro Cardoso, que por essa época denunciava a destruição das matas nativas de São Paulo, decorrentes da expansão das ferrovias e das plantações de café no estado. Posteriormente, o dia da árvore passou a ser comemorado em 21 de setembro, às vésperas da primavera.

A Mangueira é nativa da Índia, mas se diversificou no Brasil. A árvore da foto está localizada próxima à ponte do Pinga-pinga. Nome científico: Mangifera indica

Árvores, consciência e respeito

Consideradas riquezas naturais, as árvores são fundamentais para a continuidade da vida no planeta Terra. Elas são responsáveis  pelo aumento da umidade do ar, redução da temperatura, liberação do oxigênio através da fotossíntese (1). Também evitam erosões (2) e fornecem sombra, abrigo, frutos, remédios, beleza; sem contar as razões econômicas e sua aplicabilidade na indústria, como matéria-prima.

Nativas da América do Sul, aroeiras vermelhas são comuns no rio Sorocaba. Nome científico: Schinus terebinthifolius

Utilização indiscriminada de árvores

Devido à expansão urbana e à utilização indiscriminada, as árvores estão sendo suprimidas, o que afeta e põe em risco a vida da população e próximas gerações.

O desmatamento, além de provocar  erosões e reduzir o regime de chuvas, modifica drasticamente a biodiversidade, podendo até desertificar as áreas, além de provocar o assoreamento (3) ou “bancos de areia” nos rios.  

Banco de areia no rio Sorocaba. O acúmulo sedimentar de areia, terra e detritos diminui a profundidade dos rios

Dia de reflexão

Atualmente, o dia 21 de setembro, mais do que um momento simbólico para plantar mudas, pode ser visto como pausa para reflexão sobre as atitudes abusivas que são aplicadas contra a natureza, desde a falta de conservação consciente das matas até a quase total negação de políticas públicas que evitem queimadas ou a exploração ilegal e descontrolada de árvores e florestas.

“Árvores!
terão sido flechas
caídas do azul?
que terríveis guerreiros as lançaram?
terão sido as estrelas?

Vossas músicas vêm da alma dos pássaros,
dos olhos de Deus,
da paixão perfeita.
Árvores!
Conhecerão vossas raízes toscas
meu coração em terra?”

Federico García Lorca (1898-1936)

Fotos
José Finessi

Foto principal – Copaíba, árvore de grande porte, originária da América Latina e da África Ocidental. É bastante predominante no Brasil nas regiões amazônicas. A árvore da foto está localizada na Cachoeira dos Guimarães, rio Sorocaba, em Votorantim/SP. Nome científico: Copaifera langsdorffii. (Por Sandra Nascimento)


Notas

1 – Fotossíntese: Capacidade que têm os vegetais de sintetizar a matéria orgânica a partir da luz solar captada pela clorofila, utilizando-se de gás carbônico e com desprendimento de oxigênio.

2 – Erosão: Desgaste ou arrastamento do solo, da superfície terrestre, causado pela ação mecânica das águas dos rios e mares, pela chuva, pelo vento, etc.

3 – Assoreamento: Acúmulo sedimentar de areia, terra, detritos em rio, canal e lagos, que diminui sua profundidade, causando redução ou obstrução da correnteza, dificuldade de navegação e enchentes, com prejuízo do equilíbrio ecológico, da economia e das condições ambientais.

Referências

IPEF – Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais; Mundo Educação; Plantas do Brasil – Árvores Nativas, vol. 1 (Editora Plantas do Brasil, 2014) de Daniel Saueressig; presrepublica.jusbrasil.com.br: http://agenciasn.com.br/arquivos/415; https://www.arborday.org/celebrate/world-dates.cfm


Publicado em 21 de setembro de 2019

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