Onde o céu azul é mais azul

Rubens Nogueira – E onde a noite podemos contar as estrelas. Isto é Maraú, o paraíso que já foi descoberto pelo mundo, mas continua restrito a poucos nacionais. A Bahia, onde o Brasil nasceu como civilização cristã, é um tesouro ainda a ser descoberto. Fui lá. Ou voltei. Como dizem de Portugal – “não vamos a Portugal, voltamos para lá”. Por que a Bahia vive em nós. O próprio D. João VI quase instala o Reino na terra de Gilberto Gil. Eu que nasci no interior de São Paulo, comecei a conhecer a Bahia de um modo meio que politicamente incorreto. Foi na conturbada época das revoluções de 1930 e de 1932. São Paulo nunca aceitou Getúlio Vargas. Existem ruas, avenidas, praças com o nome dele em todo o país. Menos em São Paulo. Que eu saiba, na capital paulista o nome de Gegê só aparece na FGV – a Fundação Getúlio Vargas – que é do Rio.

Então, em 30 e 32, apareceram muitos jovens e não tão jovens baianos para guerrear contra o governo central. Pelo jeito eram destemidos e ferozes. Sei que, menino de seis, sete anos, recebia de mamãe a advertência, sempre que queria ir à rua, depois do pôr do sol: – “não saia, que o baiano te pega!” Passei a infância com isso no bestunto. Mas na adolescência conheci Ruy Barboza, Castro Alves, Nina Rodrigues, Octávio Mangabeira, seu irmão João Mangabeira e tantos luminares, gênios políticos, científicos, intelectuais. De um deles – Afrânio Peixoto – li toda a obra literária. Uns vinte e poucos volumes. A Bahia moderna, pela música, de baianos como Caymmi e não baianos como Alcyr Pires Vermelho e Ary Barroso é conhecida em todo o Planeta. E o que dizer de Gil, Caetano, Betânia e a ruidosa Ivete Sangalo?

Salve a Bahia! A família Nogueira que tem antepassados ou homônimos na Bahia boa terra Bahia (obrigado Flávio Damm) está, “literalmente”, voltando para lá. Primeiro a filha caçula Regina Lúcia, a qual trocou 30 anos de Reino Unido pelo reino da rainha do Mar. Depois Márcio, o único filho homem, artista da cerâmica. Depois de andejar por Ceca e Meca, deu com os costados em Itacaré, outro “point” do turismo internacional. Escrevi estas mal traçadas à sombra do salão de refeições da Pousada “Aycha” – que quer dizer alegria. E alegre estou de aqui estar trazido pela filha primogênita Ana Nogueira. Ela trocou a friorenta Boston pelas espumas brancas do mar de Algodões (freguesia de Maraú). Apenas uma semana. Mas valeu a pena.


Dia a dia

Primeiras impressões

A televisão deu ampla cobertura ao discurso de Bolsonaro na ONU. Não ouvi protestos ou vaia enquanto ele discursava, e nem depois. Respeito ao Brasil que teve em Oswaldo Aranha o criador daquela entidade?

Impossível desconhecer tantas coisas boas que a ONU faz. Por mais que puxe pela memória, não me lembro de um discurso que tivesse tanta aceitação na imprensa brasileira. Páginas inteiras no “O Globo”, por exemplo, e um detalhe que tem lá sua importância: Bolsonaro mostrou pose e discursou como um estadista. Se incluíssem o item elegância ele ganharia, pelo terno, camisa e gravata!

Os livros de Mariel Reis

Ele escreve bem. Acredito para se conhecer melhor e melhor entender o mundo em que vivemos. Tive oportunidade de ler “A arte de afinar o silêncio” e “John Fante Trabalha no Esquimó” (Editora Calibán Ltda.). Mariel Reis, como diz dele André Seffrin – “escreve encharcado de literatura”. Os títulos me encantaram e o conteúdo idem.

Fotos

Crédito da foto principal: Wikimedia Commons. Bolsonaro na ONU: reprodução do YouTube

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