Mostra de cinema: a cultura resiste

LÚCIA HELENA DE CAMARGO – Vai começar a 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O blog Todas as Telas esteve na coletiva de imprensa de lançamento do evento, no último sábado, e já estamos selecionando os filmes mais interessantes para assistir e comentar aqui neste espaço.  

O festival começa no dia 17 de outubro e segue até o final do mês ou um pouco mais, porque sempre há as exibições da repescagem. Então, na prática, acontece até a primeira semana de novembro.

A escolha dos mais de 300 filmes inéditos desta edição do evento não foi nem um pouco aleatória. Reunidos sob o olhar atento de curadores que estão há muitos anos envolvidos com a produção de cultura, os longas e curtas refletem um desassossego, digamos assim, com o estado de coisas que se estabeleceu no País no último ano. Falam de desigualdade social, busca por inclusão, gente oprimida. Claro, há também filmes que falam apenas da vida que segue, romances, comédias.

“A cultura vai sempre resistir. É nossa missão combater o obscurantismo que paira sobre o País”, disse Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc, um dos patrocinadores do evento.

As três centenas de produções vêm de 45 países. E serão exibidas em 27 locais, entre salas de cinema, espaços culturais, CEUs e museus da cidade de São Paulo. Em Campinas haverá um recorte da Mostra, em exibição paralela à Capital. Em Sorocaba a Mostra chega depois, no programa de itinerância. Os filmes serão exibidos no Sesc.

DNA brasileiro

Os filmes com “DNA brasileiro”, nas palavras da diretora da Mostra, Renata Almeida, ganharam destaque. Estão na abertura e no encerramento. O filme que abre a Mostra é “Wasp Network”, do diretor francês Olivier Assayas. Entra na conta do Brasil por ter sido produzido por Rodrigo Teixeira, com roteiro inspirado no livro “Os Últimos Soldados da Guerra Fria”, de Fernando Morais. A obra conta a história de um grupo de cinco presos políticos cubanos detidos pelos Estados Unidos no final da década de 1990 sob acusações de espionagem e assassinato. No elenco estão Gael García Bernal e Wagner Moura, que estarão presentes na estreia paulistana. Exibido no Festival de Cinema de Veneza, o longa tem ainda Penélope Cruz (foto acima) e Edgar Ramírez. O cineasta Assayas vai receber o Prêmio Leon Cakoff. E a Mostra fará uma retrospectiva de sua obra, com 15 títulos. O encerramento do evento terá “The Great Green Wall”, manifesto ecológico de Fernando Meirelles.

Quem estiver em São Paulo nessas duas semanas de outubro poderá aproveitar ainda exibições no Teatro Municipal (novidade desta edição); no vão livre do Masp, onde acontece a exibição de “O Mágico de Oz”, junto com uma homenagem a Rubens Ewald Filho, morto este ano. Esse era o filme preferido do crítico.

Naquele evento ao ar livre no parque do Ibirapuera, já tradicional, no qual é projetado um filme mudo com trilha sonora executada ao vivo, desta vez haverá “O Gabinete do Dr. Caligari”, com Jazz Sinfônica.

Para quem não puder ver os filmes nos locais, pode ver alguns em casa mesmo. A plataforma pública SPCine, dirigida por Laís Bodansky, promete disponibilizar gratuitamente um recorte da Mostra em seu sistema de streaming. Vamos conferir.

www.mostra.org

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