Paulo Henrique Amorim

Vou consultar o Google, mas devo pertencer a um restrito grupo de jornalistas, conhecidos como dinossauros. Meu registro no antigo INSS tem o número 468. Perdi a carteira de trabalho na Delegacia de Sorocaba. Nos muitos anos depois, minha coleção é de umas oito, sei lá. De uma anotação na loja de ferragens na Praça Tiradentes, passando pela Confederação Evangélica na rua Buenos Aires, Edifício da Bíblia, General Eletric, agências de publicidade e relações-públicas, Artes Gráficas Gomes de Souza, Standard Propaganda, e, desde 1976, Itaipu Binacional. Todo esse introito para explicar onde entra Paulo Henrique.

A barragem estava pronta. 1982. O mundo inteiro era contra. Costa Cavalcanti, ministro do presidente Médici, foi escolhido por Costa e Silva para organizar a usina binacional. Ele foi muito competente. Ouso afirmar que sem ele não seria construída. Paulo Henrique me telefonou e pediu para mandar a equipe que registraria a formação do lago, a partir do local Pedra que Canta, em Foz, até as Sete Quedas em Guaíra, uns duzentos quilômetros outrora muito cultivados, mas na ocasião uma lavoura devastada pelos cafezais.

Paulo Henrique mandou um repórter até hoje em atividade – Paulo José, se não me falha a memória – e uma jovem, até hoje brilhando nos GloboNews da Globo.

O grande jornalista me convidou para visitá-lo. Conheci os estúdios. Guardo dele somente boas lembranças.

Curiosidade. A tão combatida produtora de energia, produzida sem poluentes, poderia, com sua imensa produção, iluminar todo o planeta por uns 14 dias. É mole?

Nessa noite, no Clube do Lago, com vista para o Paranazão, passei por uma prova terrível, mas que me diplomou como profissional de comunicação – jornalista, publicitário e relações-públicas –, que me trouxe até aqui – ainda produzo posts para meu Facebook. Os paraguaios improvisaram uma inauguração dias antes com comes e bebes. Era hábito deles comerem e carregarem o que sobrasse nas mesas. Lembro-me que a secretária do Conselho de Administração, minha amiga e protetora, aliviou-me: estava tudo bem.

Paulo José e a Leilane Neubarth haviam sobrevoado as Cataratas naquela manhã. Meu desafio era que o Jornal Nacional mostrasse a reportagem. Um minuto, dois minutos e nada. Mas no oitavo minuto uma bela reportagem. Todo mundo riu quando apareceu o Cel. Nilton Freixinho na tela. Naquela noite o ministrinho – Dr. Wilson Aguiar – discursou anunciando que o ministro Cavalcanti seria candidato a presidente da República. Em eleição indireta. Ele apoiou Paulo Maluf. Quem ganhou? Não me lembro. O que sei é que sem Costa Cavalcanti Itaipu não teria saído do papel. Ele deu a alma para que após dez anos, com números fantásticos de transporte e concretagem, a barragem fosse construída e se tornasse um orgulho nacional e mundial. Os chineses mandavam delegações anualmente e a grande Três Gargantas teve Itaipu como colaboradora.

Eu poderia escrever muito mais. Lá tive oportunidade de firmar minha capacidade administrativa. Foram quinze anos de trabalho, em muitos domingos inclusive. Apertei a mão de muitos e muitos dirigentes de nações e, claro, de muitos “peões de obra”. Um que me lembro com orgulho chamava-se Henry Kissinger – o diplomata alemão-americano que conseguiu a paz com o Vietnã, conflito no qual os EUA perderam muitos milhares de jovens americanos, não os imigrantes que convocam nas guerrinhas de hoje.

Tive oportunidade de trabalhar lado a lado com grandes profissionais. Um deles chamou-se Homero Homem de Siqueira Cavalcanti, meu cunhado. Obrigado, Paulo Henrique, por estas recordações.

Reflexão: Já disse, agora repito, com orgulho: Não fosse a Fundação Itaipu – FIBRA, eu não estaria a lembrar, nesta tarde gris, os quinze anos de muito trabalho, mas também de muito orgulho, nem estaria da minha janela, apreciando Santa Teresa onde morei há tantos e tantos anos. Texto produzido no quarto 312 do Ancionato do Amparo Alemão, no Rio Comprido, RJ, local onde sou muito feliz!

Foto: Divulgação

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