Reitora autoritária da UFSCar prejudica campus da universidade em Buri

GERALDO BONADIO – O campus Lagoa do Sino, da Universidade Federal de São Carlos, instalado numa fazenda de área quase igual ao campus principal daquela instituição (643 hectares contra 645), em Buri, na Região Administrativa de Sorocaba, está sendo duramente prejudicado pela atuação autoritária da reitora Wanda Hoffmann – denuncia a escritora Marilene Felinto, na edição de dia 20 da Folha de S. Paulo.

Instalado no extremo sudoeste paulista, área tradicionalmente esquecida pelos governos paulistas, o campus tornou-se viável graças ao escritor Raduan Nassar que doou, à universidade, não apenas a área para as construções, mas todas as instalações de uma fazenda de grãos altamente produtiva e parte de seus equipamentos, como tratores, colheitadeiras e silos de armazenagem. Concebido como projeto pedagógico ajustado às características da região, o Lagoa do Sino estrutura-se em três eixos: desenvolvimento territorial sustentável; soberania e segurança alimentar; e agricultura familiar. Desde 2014 vem oferecendo, numa área que depende muito da presença da universidade pública, cursos de graduação em administração, ciências biológicas, engenharia agronômica, engenharia ambiental e engenharia de alimentos.

As coisas se modificaram para pior desde 2017, quando teve início o mandato de quatro anos da atual reitora. Já naquele ano, a reitoria alegou não dispor de verbas para manter o pacto assinado na escritura de doação, que estabelecia 25 mil m² de construção de edificações no campus. Raduan se viu, então, obrigado a aceitar uma repactuação que reduziu pela metade (12.500 m²) a área de construções. Em maio de 2018, prossegue Marilene Felinto, a reitoria extinguiu em uma só canetada o conselho gestor da fazenda, representativo da comunidade do campus, escolhido por processo interno democrático e responsável por gerir os recursos da produção da propriedade, os quais, nos termos da escritura de repactuação, devem ser aplicados exclusivamente no campus.

As lideranças da Região de Sorocaba não podem fechar os olhos aos sucessivos obstáculos que a reitoria da UFSCar vem opondo à consolidação de uma iniciativa essencial para se garantir um futuro melhor para a juventude de uma vasta extensão do Estado de São Paulo, suprindo uma longa e injustificável omissão de sucessivos governos estaduais face aos reclamos do sudoeste paulista.

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