Para aprender e, melhor, saborear, curso ensina os segredos de IPAs e de outras espumas artesanais em microcervejaria de Vargem Grande Paulista

MARCO MERGUIZZO – Conhecer de perto os processos de elaboração da cerveja, colocando literalmente a mão na massa – ou, melhor, na espuma -, a fim de produzir a bebida como hobby ou até mesmo profissionalmente, como negócio. Sonho de consumo de muito apreciador louco por uma boa cervejota especial, acontece no final desta semana, mais precisamente no sábado (7), a quarta edição do concorrido Workchopp da cervejaria Villa’s de Vargem Grande Paulista, que fica a menos de 1h de carro de Sorocaba pela rodovia Raposo Tavares (acesso pelo km 9 da rodovia Bunjiro Nakao, bairro de Casablanca, sentido Ibiúna, tel. (11) 99512-6269).

Um curso organizado por professores especialistas do Instituto Federal de São Roque que ensina o passo a passo e os segredos do universo das IPAs e das cervejas artesanais em atividades teóricas, expositivas e práticas durante todo o sábado com uma degustação ao final. Com as últimas vagas abertas, ainda dá tempo de se inscrever (veja as informações, abaixo, e garanta um lugar na turma). Participei tempos atrás de um desses workchopps e recomendo tanto a estrutura do local quanto o conteúdo extremamente didático e o profissionalismo dos professores.

Realizado na própria fábrica do mestre-cervejeiro Leonardo Villanueva naquele município, o curso é ministrado pelo trio de professores Armando “Cebola” Palazzi Júnior (em destaque na foto abaixo), Jean Rabello e Marcelo Gouveia, experts em fazer APAs, IPAs e demais estilos de cervejas. Com muitas adesões nas três primeiras edições, o quarto workchopp acontece agora neste final de semana. 

Da teoria à prática: curso ensina o passo a passo – do caldeirão até o copo

Verdadeira imersão no mercado de cervejas artesanais, esse tipo de workshop, ou melhor, workchopp, é uma oportunidade e tanto de aprender, aprofundar conhecimentos e, de quebra, dominar os macetes e desvendar os segredos de como fazer uma cerveja de qualidade e elaborar a sua própria.

Na pauta do curso, entre teoria e prática na sala de aula, figuram os tópicos: história da cerveja, principais estilos, processos de produção, ingredientes, equipamentos básicos, sanitização e limpeza e visita técnica à fábrica. Como as vagas são limitadas é recomendável inscrever-se com antecedência pelo telefone (11) 97112-3929 ou pelo site da cervejaria www.cervejariavillas.com.br/workchopp), mediante o pagamento de R$ 300.

Espumas pra lá de especiais

Cervejas artesanais estão na moda? Sim, já há quase três décadas, elas permanecem na crista de onda. Mas é um hábito de consumo que vai passar como outros modismos? A resposta é… seguramente não! Na Europa, em especial em países de tradição cervejeira como a Alemanha, Bélgica e Inglaterra, estes tipos especiais estão na “moda” há cerca de 1.000 anos. Ou seja: também aqui, no Brasil, é um comportamento de consumo já consolidado, segundo as pesquisas que apontam o crescimento contínuo e irreversível dessa categoria de cervejas. 

Mas, da mesma forma que a moda é feita de estilos, a cerveja também é. Pale Ale, Bock, Weizen, Pilsen, Stout, Strong Ale, etc. são tipos que carregam histórias e técnicas próprias e as suas características refletem a personalidade de seus criadores (Em tempo: farei, em breve, um post sobre as diferentes escolas e estilos de cerveja, a origem e características de cada uma delas e o crescimento vertiginoso do consumo e do mercado de cervejas especiais no Brasil; acompanhe aqui no blog). 

Como se sabe, o mercado e os consumidores de cerveja no Brasil começaram a mudar suas preferências no copo com o nascimento das cervejarias artesanais, há cerca de três décadas. Em um primeiro momento, elas surgiram de modo tímido, restritas ao local de origem, sob a forma de chope ou, tecnicamente falando, como cerveja não pasteurizada. 

Em seguida, impulsionadas pelo boom de cervejas artesanais, as microcervejarias foram se espalhando por todo o país. E, apesar da queda do consumo de cerveja no Brasil nos últimos quatro anos, o número de fabricantes, marcas e rótulos da bebida se multiplicou. Hoje, elas somam mais 750 em atividade, de acordo com a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe). E o que se tem visto é uma aceleração dessa tendência, sobretudo em estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, que concentram rótulos e produtores de excepcional qualidade. 

Homebrews e nanocervejarias: a nova onda

E, mais recentemente, nos últimos cinco, seis anos, numa espécie de “segunda onda” desse movimento, as homebrews – ou, em bom português, as cervejas caseiras – são as protagonistas de uma nova revolução nos copos ao incrementarem a experimentação e a cultura cervejeira, e impulsionando de quebra a personalização da bebida em “produções de garagem” e o surgimento de milhares de nanocervejarias, apresentando espumas com a assinatura de pequenos produtores, com diferentes aromas, sabores, cores e texturas. 

Consumir e comprar boas cervejas artesanais nos dias de hoje é relativamente fácil, já que o próprio mercado tem tentado suprir essa demanda. Lojas on-line, clubes de cerveja que entregam na sua casa, empórios gourmet e mesmo supermercados mais populares, antes com as gôndolas repletas de cervejas iguais, agora são abastecidas de rótulos especiais nacionais e importados. Existem até mesmo lojas exclusivas de cervejas preocupadas em dar diversidade de escolha aos consumidores, oferecendo opções de diversas procedências e valores. 

Em Sorocaba e por toda a região e o país, os bares se enchem aos poucos de torneiras de diferentes cores e sabores de loirinhas, ruivas e morenas. As fábricas de cerveja, por sua vez, há anos já abrem as suas portas para receber o consumidor que pode conhecer o “chão da fábrica” e os detalhes de produção da bebida. Os restaurantes, ainda que tímidos, também já perceberam o potencial gastronômico da bebida. 

No vácuo do crescente interesse por conhecimento e espumas de qualidade, os cursos de cerveja, como o da microcervejaria Villa’s, de Vargem Grande Paulista, surgem como alternativa e porta de entrada bem interessante para compreender melhor e entrar com o pé direito nesse amplo universo. E mesmo para quem quer começar a produzir a sua própria bebida por hobby ou empreender como negócio.

Seja qual for seu interesse, fica a dica. E ótimos goles.

MARCO MERGUIZZO 
é jornalista profissional 
especializado em gastronomia, 
vinhos, viagens e outras 
coisas boas da vida. 
Escreve neste Coletivo 
toda sexta-feira. 
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