Titanic e Leo DiCaprio: os agentes do globalismo para destruir o Brasil

FREDERICO MORIARTY – O Royal Message Sheep-RMS Titanic começou a ser construído em 1908 pela empresa White Star Line, então uma das maiores empresas do setor naval. Os estaleiros irlandeses erguiam ao mesmo tempo uma embarcação gêmea: a RMS Olympic. Passados quatro anos, as duas naus estavam prontas. O Olympic foi abalroado nas docas de Liverpool e quase foi à deriva. Em 15 de abril de 1912, após um choque contra um iceberg, o Titanic naufragou.

Ao longo dos quase 108 anos da tragédia, as lendas e teorias conspiratórias se multiplicam para explicar o caso Titanic. Mas nenhuma delas se compara à lenda do atual governo brasileiro que diz ser o naufrágio o responsável pelo derramamento de óleo nas praias tupiniquins em 2019.

Logo da empresa que construiu o lendário Titanic. Existiu entre 1865 e 1937

Com o invento do aço em 1863 pelo cientista Bessemel, o controle da eletricidade e o avanço da exploração petrolífera durante a 2° Revolução Industrial, o caminho para a construção dos transatlânticos estava traçado. As viagens transoceânicas de passageiros eram essenciais para a constituição dum mercado mundial. O Titanic era o ápice dessa política anterior à Grande Guerra de 1914.

Vinte das 29 caldeiras do imenso Titanic (Foto: Wikipedia)

A construção nos estaleiros levou pouco mais de três anos. A extensão do navio era 269m (equivalentes a 2,5 campos de futebol de linha do gol a outra), a altura de 53m assemelhava-se a 18 andares de um prédio. Em dias atuais, o custo seria de R$ 900 milhões. A lotação da nau previa 850 tripulantes e 2.500 passageiros.

Dentro, a embarcação possuía três setores: a 1° classe com aposentos de luxo, dezenas de serviçais e áreas de lazer semelhantes a dos hotéis mais luxuosos da Europa e Nova York. Ja na segunda eram aposentos mais simples e pouco lazer. Na terceira classe, por sua vez, havia uma espécie de navio negreiro adocicado. Na única viagem realizada, a grande maioria dos mortos veio de lá. E isso não foi mera coincidência.

O Titanic (Foto de F.G.O. Stuart (1843-1923) Domínio Público)

A nau partiu de Liverpool no dia 10 de abril de 1912. Destino: Nova York. No fim da noite nublada e sem lua do dia 13, a uma velocidade média de 35km/h, o Titanic chocou-se contra um dos vários icebergs próximos ao Ártico. A região da batida ficava a 400 km da Província da Terra Nova, no Canadá.

O iceberg que, acredita-se, tenha sido o responsável pelo abalroamento do Titanic, foi fotografado pelo comissário chefe do SS Prinz Adalbert na manhã do dia 15. Testemunhas afirmam que o iceberg tinha rastros de pintura vermelha do casco do navio em um de seus lados.

Entre o choque e o naufrágio por completo transcorreram exatas 2h40. Por isso a data oficial da tragédia é 14 de abril de 1912. Oficialmente, após vários inquéritos, o número de mortos fechou em 1.514. Mais da metade deles provenientes da terceira classe. Os cerca de 1.000 sobreviventes foram resgatados ainda no dia 14 e levados até Halifax no Canadá.

Réplica da capa do New York Times com a notícia que chocou o mundo

O imaginário do Titanic carrega duas questões: o medo de viagens marítimas e as teorias conspiratórias. Com o naufrágio, a White Star sofreu abalos consideráveis em sua reputação, ainda mais porque os inquéritos revelaram vários erros da empresa. Durante décadas a paúra de viagens de navio foi tão grande quanto o medo da queda de avião.

E quais as lendas sobre o naufrágio? A mais citada era de que a empresa afirmava ser o Titanic ” inafundável”. Piada pronta a embarcação ter afundado logo na primeira viagem. Sabotagens, ataques alienígenas, testes dos U Boots do Império Prussiano para a futura 1° Grande Guerra. Nenhuma delas justifica o óbvio: as falhas técnicas na construção e na segurança do Titanic.

Insígnia de guerra da Kaiserliche Marine (1903-1918). A Prússia se preparando para a Grande Guerra. (Fonte: Marinha Alemã)

Quais os erros principais:

  1. Com o acidente anterior do Olympic, algumas partes não usaram aço e, sim, ferro fundido;
  2. A planta naval continha falhas. O peso era mal distribuído;
  3. As três classes eram tomadas por verdadeiros labirintos de corredores. Além disso, para “isolá-las”, construíram-se grades que serviram como prisão para vários passageiros e tripulantes, quando a proa (a frente do navio) afundou por inteiro e começou a encher de água até quase a popa (que permaneceu fora das águas nos últimos 40 minutos).

E as principais deficiências na segurança? Vamos lá:

  1. Por ser “inafundável”, nenhum passageiro ou tripulante fez treinamento de segurança;
  2. Os tripulantes que ficavam na vigia da gávea (parte mais alta com um “cesto”) sequer tinham binóculos;
  3. Os botes de salvamento seriam suficientes para 2.000 pessoas. Mas ninguém havia sido preparado para salvar pessoas. Todos os 20 barcos de salvamento transportaram muito menos do que podiam. Num deles, por briga entre tripulantes, em vez de 70 pessoas foram apenas 9 crianças;
  4. A preocupação do comando da nau limitava-se à vida dos passageiros da 1° Classe.
Telégrafo original do Titanic pedindo socorro
A arte e a vida

O escritor Kenneth More publicou o romance A night to remenber, em 1956. Tornou-se um clássico da tragédia do Titanic. No ano seguinte, saiu o filme “Uma noite para relembrar” (o cartaz original do filme é a imagem da capa deste texto). No Brasil, o título ganhou o título de “Somente Deus por testemunha”. Além deste, houve uma série de filmes B e livros sobre o naufrágio.

Mas nada supera o filme de James Cameron. Cineasta respeitado no mercado, Cameron era aficcionado pelo tema Titanic. Em 1995 ele apresenta a ideia aos executivos da Fox e Paramount:

– Se passa no futuro?

– Não, em 1912 – explica Cameron.

– Tiros? Exterminadores?

– Não. É uma história de amor. Uma espécie de Romeu e Julieta,

– Perseguições?

– Nenhuma.

– Quem conta a história?

– Uma senhora de 102 anos.

– Custo?

– US$ 200 milhões.

– Externas?

– Sim, filmagens no oceano e comprar uma praia no México…

– Aprovado!!

Os destroços do navio foram encontrados em 1985. Cameron levou uma equipe para produzir as filmagens. Durante meses conseguiu mais de 600h de imagens reais do Titanic. A maior parte da proa e da 1ª classe ainda razoavelmente preservadas são as mais presentes. Antes de afundar totalmente, houve uma grande explosão e a popa desprendeu-se do barco.

Destroços se espalharam por cerca de 60 km2. Proa e popa encontram-se a 3 km de distância uma da outra e a 4000m de profundidade. Valorizando o trabalho da equipe. Cameron pesquisou por mais de seis meses antes de escrever a história de amor entre a bela moça de 17 anos da 1ª classe, Rose (interpretada pela excelente atriz Kate Winslet) e Jack (transformando Leonardo di Caprio no novo ícone do cinema americano).

Titanic, o filme é uma bela história de amor com final trágico como em Romeu e Julieta. A verossimilhança é não só do cenário perfeito, afinal acabamos nos sentindo dentro do Titanic na noite de 13 de abril, como também do romance. O filme foi um sucesso pois conseguiu fazer a plateia acreditar em Rose e Jack, mesmo sabendo o final triste.

O amor eterno numa das cenas mais famosas do cinema

Titanic, o filme custou R$ 900 milhões, o mesmo valor atualizado do navio. O naufrágio levou 2h40, exatamente o tempo do filme. Foi o primeiro filme a ter mais público do que “E o Vento Levou”. Até hoje rendeu R$ 2,5 bilhões e é o terceiro em faturamento da história (perde para os Vingadores de 2019 e Avatar de 2011, este último também de James Cameron). Faturou 11 Oscar.

Winslet levou mais 10 anos para vencer a estatueta da Academia de Hollywood, Di Caprio teve de esperar 17. Fica a dúvida: a centenária Rose (Gloria Stuart) contou a história verdadeira ou apenas sonhou?

Uma lenda que circula sobre o filme é o personagem de DiCaprio. Um dos tripulantes da 3ª classe era John Dawson e tinha os mesmos 22 anos de Jack Dawson no filme. É o que basta para afirmarem que Cameron se inspirou em cartas secretas do tripulante falecido no naufrágio.

Foto do cemitério de Halifax, no Canadá: o verdadeiro Jack?

Mais absurda foram as afirmações semana passada de que Leonardo DiCaprio com uma carreira irrepreensível como ator e uma luta permanente em defesa do meio ambiente, seria o responsável pelas queimadas na Amazônia.

Não seria absurdo se algum dos integrantes do atual governo brasileiro ainda colocasse a culpa do derramamento de óleo em praias nacionais ao naufrágio do Titanic. Vivemos num país governado por tripulantes e engenheiros tão despreparados quanto os do navio inglês submerso em 1912 e, pior, nos cestos da gávea estão os três patetas filhos do timoneiro.

O filme na íntegra e dublado

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