É preciso apurar a causa do vandalismo no Vitória Régia

GERALDO BONADIO (Blog do Bonadio) – Quem, pela primeira vez, circula pela Zona Norte nos sábados à noite, domingos ou feriados se surpreende com o número enorme de pessoas e veículos que por ali se movimentam. Esse vai e vem que lembra, de forma ampliada, o movimento do antigo centro sorocabano, tem como eixos as avenidas Ipanema e Itavuvu, é intenso, mas pacífico e descontraído, sem entrechoques ou embates.

No último final de semana, essa situação modificou-se radicalmente. Atos de protesto – como o fechamento de vias públicas – e vandalismo puro e simples – incêndio de dois ônibus da concessionária de transporte coletivo que atende aquela parte da cidade e de um caminhão do SAAE, que dava apoio à manutenção da rede ali desenvolvida pela autarquia – transtornaram a vida de um grande naco da área urbana e assustaram milhares de pessoas que, a pé ou de carro, transitavam pelas vias públicas.

Nas horas seguintes, a mídia e a Prefeitura fizeram uma intensa divulgação das providências adotadas para prevenir e conter os tumultos, mas ninguém esclareceu a fundo o que os gerou.

O Vitória Régia existe há décadas. É habitado por uma população, em sua maioria, ordeira e pacífica. O que levou parte dessas pessoas a, de uma hora para outra, elegerem as vias públicas como palco de sua ira? Essa é a pergunta que o governo da cidade e a mídia, que tem se derramado na divulgação de providências que serão adotadas caso as manifestações se repitam, não expressou, até agora, com a clareza suficiente.

O que se sabe é que, antes do tumulto, um morador do bairro, que fora abordado por uma equipe da Guarda Civil Municipal, foi encontrado morto em circunstâncias não esclarecidas. As pessoas que comandaram os protestos ou a ele se juntaram – viram naqueles dois fatos uma relação de causa e efeito. Esse, inclusive, o motivo de haverem direcionado sua ira contra o caminhão do SAAE – que é uma autarquia municipal – e os ônibus que, embora pertencentes a uma empresa particular, têm sua operação regulada por uma empresa da Prefeitura, no caso a Urbes.

Os danos foram expressivos e tumultuaram a vida de milhares de sorocabanos. Mas, se a relação de causa e efeito, sussurrada, mas não explicitada em todos os termos, efetivamente existiu, não há como fugir à conclusão de que a maior vítima foi o cidadão abordado pelos GCMs, que perdeu algo de muito maior valia: a própria vida.

O mal-estar surgido no bairro e que, pouco a pouco, se difunde pela cidade, reclama a drenagem do bolsão de suspeitas que tirou do sério parte dos moradores do Vitória Régia, levando-os a ver – pela primeira vez? – com compreensível desconfiança e medo, uma corporação que, nos termos da lei, existe para proteger e servir a população. O resto são efeitos colaterais, que cessarão, uma vez identificada e controlada a razão da revolta.

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