Edital de ocupação (mas não cultural)

JOSÉ SIMÕES (Blog do Simões) – Na rede social a artista Flavia Aguilera fez um desabafo acerca do edital de ocupação cultural proposto pela Secretaria da Cultura de Sorocaba. Os editais de ocupação dos espaços públicos, no âmbito da cultura, são ações recorrentes.

E por que então o desabafo da artista?

Ao ler o Edital SECULT 01/2020 – OCUPAÇÃO CULTURAL DO PRÓPRIO MUNICIPAL: PARQUE DOS ESPANHÓIS – PRIMEIRO SEMESTRE 2020 – tudo fica claro.

No referido edital de fato não há descrito quais são os objetivos de tal ocupação, em consonância  com as políticas publicas e culturais existentes no município. Há, sim, descrito o objeto. Na verdade confundem-se objeto e objetivo na redação.

Eis um trecho do edital

1.1 O objeto deste edital é o Chamamento para ocupação de próprios da Secretaria da Cultura para que grupos, companhias, artistas individuais, coletivos, associações, dentre outros, que tenham interesse em utilizar os espaços do Parque dos Espanhóis para atividades de cunho artístico-cultural, tais como ensaios, apresentações, oficinas, e atividades produção cultural.

1.2 por meio desse edital, pretende-se valorizar a diversidade cultural, criar ambientes propícios à criatividade e ao processo de produção cultural, promovendo a formação de público e propiciando o diálogo entre os agentes culturais da cidade e as comunidades dos espaços ocupado

Já vou direto ao ponto. Como em um período no máximo de no quatro meses e meio (sendo muito otimista. Afinal já estamos em meados de janeiro) pode se propiciar, por exemplo, a formação de público?

Certamente a equipe da secretaria sabe que formação de público não tem nada a ver com ” abrir a porta de qualquer equipamento, ofertar qualquer tipo de atividade e deixar as pessoas entrarem”. Desse modo, há muito se sabe, que desse modo não se faz “formação de público”. Se assim o fosse todos os equipamentos culturais estariam abarrotados de pessoas. Não estão.

É preciso que  a Secretaria da Cultura explique a população como este chamamento, na forma deste edital, com ônus ao poder público (limpeza, iluminação, funcionários envolvidos na seleção e acompanhamento do processo),  e ônus aos proponentes (sim! os participantes terão gastos) irá promover a formação de público para o município de Sorocaba? Quais são os indicadores? Como isto será avaliado?

Outro ponto: o que se entende por “criar ambientes propícios à criatividade e ao processo de produção cultural”. Eu é que pergunto como um edital que não oferece nenhum recurso financeiro, não oferece recursos humanos aos proponentes, não aponta os objetivos e metas claros no edital, oferecendo somente o espaço físico nas datas que o proponente solicitou,  propiciará a produção cultural na cidade de Sorocaba? Outra vez associar a criatividade nas artes à noção de pobreza ou de falta de algo?

Não seria mais correto abrir um edital para organizar uma agenda de ensaios para grupos e coletivos artísticos da cidade? Infelizmente, devo concordar com a Flavia, este edital não é um edital de ocupação cultural.

Infelizmente mesmo. Porque o processo de ocupação cultural é sempre desejável na cidade. Mas para tanto ele deve oferecer condições para que vicejem e, principalmente, ter objetivos e metas factíveis.

Por fim, desejo que tenhamos editais de ocupação cultural da cidade e não de equipamentos

(É preciso destacar que o Secretário esta aberto ao diálogo – vamos aguardar os próximos passos)

 

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