Morte trágica de Kobe Bryant remete a duas glórias gastronômicas: o wagyu, que originou seu nome, e o Brunello de Montalcino, legenda da Toscana

MARCO MERGUIZZO – Um merecido tributo a um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos. Em um acidente de helicóptero ocorrido neste domingo, 26/1, morreu o ex-armador e ala do Lakers e da Seleção Americana de Basquete, Kobe Bean Bryant (1978-2020). Na aeronave também estavam outras oito pessoas, dentre elas a filha de 13 anos, Gianna Maria, vista por ele como sua sucessora em quadra.

Ok, ok, você pode ter na sua lista de eternas lendas do basquete, o fenomenal Michael Jordan. Ou o não menos genial Earvin “Magic” Johnson Jr.. E o lendário Kareem-Abdul Jaba. Ou ainda os trituradores de recordes Karl Malone e Lebron James. Mas seja qual for a formação do dream team de titãs da NBA ou do time do basquete de todos os tempos de sua preferência, Kobe Bean Bryant (1978-2020) terá um lugar e presença obrigatórios.

Ala-armador por 20 anos do Los Angeles Lakers, Kobe tinha 1m98 de talento extremo, personalidade e vibração em quadra avassaladores. Entre 1996 e 2016 encantou o mundo, com seus arremessos precisos ao lado de milhares de infiltrações, dribles, pontes aéreas e assistências efetivas e de rara plasticidade.

Sua carreira teve como ápice pessoal nada menos do que cinco títulos da NBA e duas medalhas de ouro nas Olimpíadas de Pequim e Londres. Em toda a carreira, computou estratosféricos 33.643 pontos (é o quarto maior cestinha da história, logo atrás de Lebron James, alcançada na partida do sábado, 25/1, contra o Philadelfia 76ers).

Perfeccionista e letal, o habilidoso Kobe foi cinco vezes campeão da NBA

Na lista de recordes impressionantes em fundamentos, ganhou mais de seis mil rebotes e deu mais de seis mil assistências. Não quis disputar a Olimpíada de 2016, no Rio, para que sua aposentadoria fosse no time que amava. Não é por acaso que as camisas 8 e 24 do Lakers foram aposentadas, quando abandonou a carreira em 2018.

Mais: após pendurar os tênis, multiplicou a fortuna através de sua produtora, a Granity, com filmes voltados para a educação das criança. A revista Forbes revelou que seu patrimônio, em 2019, passava dos 800 milhões de dólares, cerca de R$ 3,3 bilhões. Voava sempre pelos Estados Unidos no seu próprio helicóptero.

Nome garimpado num cardápio

Curiosamente, a origem do nome de uma das maiores lendas do basquete contemporâneo provém de um termo gastronômico. Kobe é o nome de uma carne bovina que batiza uma iguaria japonesa cultuada por gourmets no mundo todo. Um pouco antes de o futuro astro das quadras nascer, seus pais foram jantar em um restaurante sofisticado da Filadélfia, a terra-natal do craque, e se depararam no cardápio com os nomes de pratos como yakissoba, sashimi e um tal de “kobe beef”, uma carne rica em gordura e bastante saborosa.

Anos depois, seu pai, Joe Bryant, que também foi jogador profissional entre os anos 70 e 90, por quase duas décadas, rumou para o Velho Continente para jogar na liga italiana de basquete, à época uma das mais fortes e disputadas do mundo. Lá, Kobe viveu parte da infância e pré-adolescência, dos seis aos doze de idade, entre 1982 e 88. Nesse período, o pai atuou por quatro times: o Rieti, na região da Lazio, o Viagio Reggio Calabria (Sicilia), o Olimpic Pistoia (Toscana) e, por fim, o Palacanestro Reggiana (Emiglia-Romagna).

Toque de Midas: dentro ou fora das quadras, o ala-armador…
bilionário só viu crescer a sua fortuna (Fotos: Arquivo)

Ao lado das delícias culinárias da Bota que forjaram o seu paladar, os anos na Itália tiveram peso considerável na formação de Kobe como jogador. Em relação a outros jovens americanos, o futuro ídolo dos Lakers foi lapidado através de uma filosofia de jogo não muito cultuada nos Estados Unidos.

Enquanto naquele país a AAU – Amateur Athletic Union, organização não lucrativa dedicada a promover novos jogadores – empurrou atletas para o desenvolvimento de aspectos físicos como atleticismo, força e explosão, na Itália, Kobe Bryant pôde beber da fonte do “fundamento acima de tudo”, um mantra também bastante repetido no basquete de base de países como Argentina, Espanha, Lituânia.

A Kobe Bryant, desde muito cedo foi vendida a ideia de que no jogo, os aspectos mais importantes são a leitura e o entendimento do jogo, a coordenação e o trabalho de pernas, a mecânica perfeita nos movimentos de finalização. Disciplinado e comprometido, o garoto adotou essa filosofia na sua formação. A preocupação com o desenvolvimento físico só veio depois.

Em 1989, os Bryant mudaram-se de mala, cuia e bola para a França, onde Joe jogou uma única temporada pelo time da Alsácia, região que é berço de alguns dos mais espetaculares Rieslings do mundo, além de elogiados crémants (espumantes produzidos fora da região de Champanhe) e vinhos de sobremesa a parir da técnica de colheita tardia, que são classificados como vendange tardive. Ou seja, a boa mesa sempre acompanhou o astro norte-americano.

Tributo à suculência

De paladar delicado e textura ultramacia, o kobe beef ou wagyu, seu outro nome, é considerado o foie gras das carnes bovinas. Proveniente de uma antiga raça de gado negro japonês (wa significa “japonês” e giu, “gado”), seus cortes exibem um inigualável e intrincado padrão de veios gordurosos esbranquiçados denominados pelos açougueiros de “marmorização”. Atestado em laboratório, ela apresenta três vezes mais gordura em sua carne que os bifões de outras raças bovinas.

E é essa gordura marmorizada e opulenta, que a faz célebre. Verdadeiro tributo à suculência, não por acaso ela ser considerada a mais tenra, macia e cara das proteínas vermelhas. Nos restaurantes da capital japonesa, um prato de Wagyu pode chegar aos 40 000 iens, ou 340 dólares.

Quem já a saboreou, sabe: sua textura e paladar são tão peculiares quanto a maciez de um filé mignon, a untuosidade do atum somados à suculência da costela bovina, porém bem mais rico e delicado. Sua gordura contém uma alta proporção de ácido oléico, monossaturado, similar ao do azeite de oliva.

Proveniente da Manchúria e da península coreana, a raça Wagyu foi provavelmente levada ao Japão como animal de carga no início do século II d. C.. Durante pelo menos 1.000 anos, o gado trabalhou nos campos de arroz, antes de ser servido à mesa como alimento. Hoje, ele é criado em pequenas fazendas familiares em todo o Japão, embora haja, também, grandes criadores.

Estes transportam o gado até a região ao redor de Kobe – daí kobe beff e wagyu serem quase sinônimos –, para concluir a engorda e processar a carne, a fim de se alcançar um preço mais alto no mercado internacional. Hoje, graças a essa supervalorização e à fama planetária do Wagyu, já há fazendeiros criando-o em outros partes, fora da Terra do Sol Nascente, como australianos e texanos.

Embora seja tratado a pão-de-ló (o gado é paparicado ao longo de sua vida com massagem, acupuntura, além de ser alimentado com uma dieta à base de cerveja e grãos empapados de saquê), sua textura marmórea, suculência e sabor únicos são, em boa medida, resultado da alimentação e de fatores genéticos.

A massagem feita nos boizinhos, porém, vale explicar, é para distender a musculatura, já que os animais vivem sob confinamento quase que implacável. Já os “porres” ocasionais de loirinhas (japonesas, claro) que são obrigados a tomar, servem para mantê-los livres de infecções microbianas.

A melhor forma para preparar o Wagyu é grelhá-lo ou fritá-lo, malpassado, quase ao ponto mas sem sangrar, extraindo o máximo da sua suculência e maciez. No Japão, ele também é servido sob a forma de shabu shabu e sukiaki. Ou, ainda, cru, como sashimi, lá batizado de tataki. Preparado desse modo minimalista, o Wagyu definitivamente ganha status de iguaria celestial.

Parla e mangia che te fa bene
Torcedor rossonero, Kobe Bryant viveu na Itália dos 6 aos 12 anos

O astro americano do basquete tinha uma relação muito próxima com a Itália. A lenda dos Lakers e da NBA era fã de futebol e torcedor declarado do Milan. Após ter passado pelo Philadelphia 76ers, San Diego Clippers e Houston Rockets, seu pai, Joe Bryant, aceitou uma proposta para defender o Sebastiani Rieti, da região da Lazio.

Além do Rieti, também atuou no Reggio Calabria (Sicilia), no Pistoia (Toscana) e no Reggiana de Parma na Emiglia Romagna. O ex-craque do Lakers viveu na Itália dos seis aos 12 anos de idade, onde deu seus primeiros passos no basquete, além de também ter criado um vínculo muito forte com o Milan no período que passou no país da Bota.

Oscar, um ídolo brazuca
Fã do Mão Santa: inspiração e idolatria de infância do ídolo das quadras

Além de falar fluentemente o italiano, Kobe manteve fortes ligações não só com o país da Bota mas com o Brasil. A ligação com o “pátria do futebol” atende pelo nome de Oscar “Mão Santa” Schimidt, que nos anos 80 brilhava na Itália na mesma época que o pai de Kobe (Joe é o atual treinador do Solsonica Rieti). Lá se acostumou a ver o pai enfrentar o brasileiro pelos times locais. Resultado: virou fã declarado de Oscar.

Seu amor pelo Brasil e pelo soccer também se estendia ao amigo Ronaldinho Gaúcho, do Barcelona e da Seleção, e na fanática torcida pelo Milan, o seu time do coração, um dos principais e mais vencedores times do calcio e do mundo.

Campeão panamericano em Indianápolis, em 1987, contra os donos da casa, num histórico e inesuecível placar de 120 a 115, em que o ‘Mão Santa’, o cestinha da partida, ficou eternizado na memória dos anfitriões – e do próprio garoto Kobe de 9 anos – foi Oscar Schimidt – eleito três anos depois como um dos 50 maiores jogadores de basquete de todos os tempos e, em 2010, incluído no hall da fama da FIBA – quem serviu de modelo e fonte de inspiração para Kobe.

Na época era comum Oscar fazer até 30 pontos por noite. Os tiros certeiros rumo à cesta entusiasmaram a maior lenda do Lakers a ser um arremessador tão bom quanto o brasileiro. Tentando emular o seu ídolo, Kobe praticava arremessos de longe no quintal de casa tal como Oscar. E, nos finais das partidas, pedia dicas aos jogadores do time do pai.

Oscar na final dos Jogos Panamericanos de Indianápolis: monstro

Desde criança Bryant sempre levou os treinos muito a sério. Sabia que só seria melhor se superasse a si mesmo. Naquela época não era raro ver Kobe disputando aos 11, 12 anos, partidas de um-contra-um contra atletas de mais de 30. Se era para aprender, o negócio era aprender desde muito cedo.

No tempo que seu pai jogou na Itália, Kobe pedia dicas para os colegas de Joe e, com o intuito de aprender cada vez mais, disputava partidas de um-contra-um com eles sempre que possível. Certa vez, quando Joe Bryant jogava pelo Reggiana, Kobe desafiou um dos jogadores da equipe de seu pai para uma partida de um-contra-um. Após a vitória de Kobe, o jogador do Reggiana ficou desolado por ter perdido para um menino de apenas 12 anos.

“Passei pelo meu colega de time e perguntei se estava tudo bem. A resposta foi: ‘Acabei de perder do seu filho de 12 anos no um-contra-um. Acho que vou me aposentar amanhã’. Pedi a Kobe que até o final da temporada apenas treinasse, mas que não desafiasse mais meus companheiros daquela maneira”, disse sobre o filho, sem imaginar o futuro de astro das quadras que o garoto teria anos depois.

“Você sempre tem que estar no limite. Você sempre tem que encarar todos os treinos, a cada jogo, como se fosse o último.”

A carreira em números

Como jogador profissional, Kobe Bryant teve uma carreira de muito sucesso. Conquistou duas Olímpiadas – 2008 e 2012. Foi cinco vezes campeão da NBA – 2000, 2001, 2002, 2009 e 2010. Fez 81 pontos em um único jogo – segunda maior pontuação em um jogo de NBA. É o único jogador da história da competição a fazer mais de 30.000 pontos e 6.000 assistências. É considerado o jogador que por mais temporadas atuou em um único time. E, de quebra, tornou-se o maior pontuador da história do Los Angeles Lakers e o terceiro da história da NBA.  Um gigante, enfim, na galeria dos grandes do basquetebol.

Black Mamba ou simplesmente Kobe

Rápido e letal era o ala-armador dos Los Angeles Lakers, Kobe Bryant. Com seus arremessos de longe e explosão física, o astro se tornou um dos maiores jogadores da história da NBA. Ao longo da vida teve vários apelidos, porém, “Black Mamba” o eternizou na galeria da fama do basquete.

O mindset “Black Mamba” de um “matador obstinado e implacável” acabou por nortear a sua carreira e vida de esportista. O termo, que inspiraria também o livro lançado por ele em 2018 (à venda na Amazon), tem como origem uma espécie de cobra extremamente venenosa: a Elipidea nativa, da mesma família da Naja (a Ophiophagus hannah, também conhecida como cobra-rei), originária da África subsaariana.

Em 2018, já aposentado das quadras, o astro lançou o livro Mamba Mentality. De acordo descrição da obra, o livro revela “a famosa abordagem detalhada e os passos que Kobe Bryant tomou para se preparar mental e fisicamente, não apenas para ter sucesso no jogo, mas para se destacar… O primeiro livro da estrela do basquete Kobe Bryant – um mergulho luxuoso e profundo na mente de um dos atletas mais reverenciados de todos os tempos”, descreve a sinopse da obra.

Mais do que uma simples alcunha, o nome Black Mamba se tornou um alter ego de Kobe. De acordo com o próprio jogador, em entrevista ao The Hollywood Reporter’s Award Chatter podcast, a escolha surgiu em dos momentos mais conturbados da carreira.

“Eu senti a necessidade de me separar de um certo modo. Muita coisa estava acontecendo na minha vida pessoal na época, com toda aquela história no Colorado, e voando de volta para casa, indo direto para os jogos, tentando manter a minha família unida. Parecia que o jogo, que era algo sagrado para mim, estava comprometido também. Eu precisava criar algum tipo de personalidade diferente, só para mim. Então, quando eu pisava na quadra com outra identidade, não aquela pessoa que tinha que ir a julgamentos, isso me ajudava a manter minha sanidade. E com o tempo, acabou se transformando em algo maior”, afirmou Kobe Bryant.

Brunello: uma legenda na taça

Complexidade e longevidade garantem a fama e os preços por vezes nas alturas do Brunello de Montalcino, uma das joias da coroa da enologia italiana
Franco Biondi-Santi na cave da propriedade e o seu icônico rótulo

Ícone da vinicultura italiana e mundial, o Brunello di Montalcino, produzido unicamente na Toscana, território da comuna de mesmo nome, na província de Siena, região central do país da Bota, constitui ao lado do piemontês Barolo, produzido já na parte Noroeste, as mais preciosas joias da enologia peninsular. Tinto intenso, complexo e longevo, é um dos rótulos mais antigos daquela região – e da própria Itália.

A origem do Brunello de Montalcino está ligada à família Biondi-Santi, quando, em meados do século 19, Clemente Santi isolou algumas parcelas de Sangiovese para a produção de um vinho que poderia envelhecer por longos períodos. Em 1888, seu neto Ferruccio criou a primeira versão “moderna” do clássico Brunello di Montalcino, no caso um vinho que permaneceu, de maneira inédita para a época, por mais de 10 anos em grandes tonéis de madeira antes de sua comercialização.

Certo da qualidade de suas garrafas, o herdeiro do clã toscano, inscreveu-as em um concurso em Londres, em 1867. Na época, os especialistas torciam o nariz para o vinho italiano, considerado de segunda linha. Naquele ano, porém, a ousadia do antepassado de Biondi Santi foi recompensada. O Brunello venceu o concurso e se estabeleceu como o equivalente italiano aos grandes châteaux franceses. Desde aquele concurso, centenas de produtores da Toscana passaram a fazer versões do Brunello com diferentes níveis de qualidade e personalidade própria.

No início da década de 80, a fama e prestígio dos Brunellos voltaram a crescer dentro e fora da Itália, com a regulamentação da Denominação de Origem Controlada e Garantida Brunello de Montalcino, a primeira da legislação italiana. Hoje, os Brunellos passam por uma renovação de estilo, contestada por alguns mas irreversível, acompanhando a tendência mundial em se produzir vinhos com maior ênfase na fruta e mais consumíveis no curto prazo e acessíveis ao bolso. Estes vinhos convivem hoje com os Brunellos mais tradicionais, de caráter e paladar mais concentrados e austeros e, portanto, talhados para uma longa guarda e com preços mais altos.

Com o verdadeiro DNA italiano

Primeiro a receber a certificação Denominazione di Origene Controllata e Garantita (DOCG), a personalidade ímpar do Brunello se deve à Sanviovese Grosso, a casta emblemática com a qual é e pode ser legalmente elaborado por algumas poucas dezenas de produtores. A partir da mais conhecida uva italiana, a Sangiovese, porém, de difícil vinificação por apresentar características atípicas entre as vitis vinifera, como a polpa grande, pele fina e pouca concentração de taninos, que uma tradicional família de vinicultores toscanos de nome Biondi-Santi começou a elaborar no final da segunda metade do século 19, esse varietal precioso, a partir de um clone selecionado da essa uva genuinamente italiana.

Batizada como Brunello, esta uva produz um vinho potente e denso, especialmente pela combinação entre as peculiaridades de seu terroir e as de sua filosofia enológica. Foi assim que Ferruccio Biondi-Santi criou em 1888 a primeira versão “moderna” do Brunello – no caso um vinho que permaneceu em grandes tonéis de madeira por mais de 10 anos, antes de sua comercialização – uma aposta vinícola inédita e inovadora para os padrões da época.

De fato, um Brunello di Montalcino de estilo clássico não é um vinho fácil. É um tinto longevo, de guarda. Obedece regras estritas da sua D.O.C.G. de envelhecimento e tempo de garrafa antes de ser lançado ao mercado. São, no mínimo, dois anos de barrica e quatro meses em de garrafa (seis para o Riserva) antes de o vinho poder ser comercializado. Mas, na prática, o Brunello é lançado no quinto ano após a colheita e o Riserva, só no sexto.

Além da Sangiovese, o Brunello tem no seu DNA a alma do vinho italiano que é a sua acidez natural característica, a qual por sua vez, junto do tanino, é a fórmula para sua longa vida na garrafa. Além disso, um Brunello é um tinto de terroir, ou seja, diferente e único a cada safra e que não segue muito a tendência internacional de consumo imediato: portanto, exige ainda mais tempo de garrafa na adega. Aí, sim, ele se desenvolve e entrega as suas melhores notas terrosas, de frutas maduras e aromas balsâmicos e os taninos vão se afinando e amaciando.

Amor eterno ao basquete

A emocionante carta de despedida do basquete de Kobe Bryant foi usada como tema de um curta-metragem que acabou levando o Oscar em 2018. Dear Basketball foi elaborado pela própria produtora do ídolo, a Granity. Veja, abaixo, o texto e o vídeo com o depoimento de Bryant – uma verdadeira e tocante declaração de amor ao basquete -, numa edição primorosa de imagens, que reúne algumas atuações magistrais da sua carreira dentro de quadra. Black Mamba forever. R.I.P. Kobe.

“Querido basquete:
A partir do momento em que eu comecei a enrolar as meias do meu pai, e me imaginava fazendo arremessos vencedores, no Great Western Forum, eu sabia que uma coisa era real: eu me apaixonei por você.
Um amor tão profundo que eu te dei meu tudo. Da minha mente e corpo. Ao meu espírito e alma. Como um garoto de seis anos de idade. Apaixonado profundamente por você.
Eu nunca via o fim do túnel. Eu apenas via a mim mesmo. Correndo para fora dele. E então eu corri. Eu corri para cima e para baixo de cada quadra. Depois de cada bola perdida para você. Você me pediu convicção. Eu te dei meu coração. Porque ele veio com muito mais.
Eu joguei depois de cada alegria e dor. Não porque o desafio me chamou. Mas porque você me chamou.
Eu fiz tudo por você. Porque é isso o que você faz. Quando alguém te faz sentir Vivo como você me fez.
Você deu a um garoto de seis anos de idade o seu sonho de jogar nos Lakers e eu sempre te amarei por isso. Mas eu não posso te amar obsessivamente por mais tempo.
Esta temporada é tudo o que eu ainda tenho para dar. Meu coração pode carregar o peso. Minha mente pode lidar com a dura rotina. Mas meu corpo sabe que é hora de dizer adeus. E isso está ok.
Eu estou pronto para te deixar partir.
Eu quero que você saiba agora. Por isso nós podemos saborear cada momento que ainda temos juntos. Os bons e os ruins. Nós podemos dar um ao outro tudo o que ainda temos.
E nós dois sabemos, não importa o que aconteça. Eu sempre serei aquela criança. Com as meias enroladas. A cesta de lixo no canto.
Cinco segundos no relógio.
Bola em minhas mãos.
5… 4 … 3 … 2 … 1
Te amarei para sempre,
Kobe”
Dear Basketball Kobe Bryant (Vídeo – 2018)
MARCO MERGUIZZO 
é jornalista profissional 
especializado em gastronomia, 
vinhos, viagens e outras 
coisas boas da vida. 
Escreve neste Coletivo 
toda sexta-feira. 
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acessando @marcomerguizzo  
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