As pontes do Gualberto e a histeria da direita

GERALDO BONADIO (Blog do Bonadio) – O sorocabano que transita pela avenida Dom Aguirre, do início ao fim, pode facilmente avaliar a importância de três pontes que, a partir delas, cruzam o rio Sorocaba na altura de Pinheiros, da Castelinho e do Pinga-Pinga.

O que poucos sabem é que não foram construídas com recursos da Prefeitura ou do governo do Estado e sim do governo federal, através do antigo Ministério da Viação e Obras Públicas. Resultam, todas elas, de emendas ao orçamento da União negociadas pelo médico Gualberto Moreira quando foi deputado federal, entre 1959 a 1963, no tumultuado momento em que o país teve, como presidentes, Juscelino Kubitschek (1956-1961), Jânio Quadros (1961) e João Goulart (1961-1964).

Embora sua passagem pela Câmara dos Deputados – então, ainda no Rio de Janeiro – houvesse sido rápida e, na perspectiva da grande política, pouco expressiva, Gualberto conseguiu para Sorocaba, negociando verbas do orçamento federal, um respeitável pacote de obras da União, fato virgem na história da cidade.

Aqui que me aparto da sua controversa biografia, não sem lembrar que, até sua morte, em 1984, mesmo oficialmente excluído da política, ele se manteve como uma força importante na cidade. Articulações de que participou, junto ao velho MDB, levaram o partido, que desde sua fundação, vinha girando em torno do Antônio Hernandes Moreno, a entregar o comando local ao jovem professor de português e radialista José Theodoro Mendes.

O que pretendo com esta nota é demonstrar que as emendas parlamentares ao orçamento federal são praxe antiga que remonta aos tempos da República de 1946.

Ao contrário do que supõe o general Augusto Heleno, as verbas assim direcionadas, ainda que contemplando interesses eleitorais dos congressistas que as apresentam, quase sempre direcionam recursos para obras e serviços essenciais à população. Imagine-se como seria a Sorocaba de hoje sem as pontes do Gualberto.

Quando o Congresso cobra, do Executivo, a liberação de recursos para que obras, propostas pelo Legislativo e incluídas no Orçamento Geral da União sejam executadas, não está chantageando o presidente, até porque, neste momento, vigora no Brasil o orçamento impositivo. As despesas previstas no orçamento, por iniciativa parlamentar, deixaram de ser simples indicações, e sim comandos que o governo deve cumprir.

Sob esse ponto de vista, pois, chamar o povo às ruas para pressionar os generais a fechar o Legislativo é, apenas e tão somente, expressão um golpismo sinistro, impulsionado pela histeria de nossa extrema direita.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: