Vírus, educação para a saúde e políticas locais de resíduos sólidos

BLOG DO BONADIO – Sorocaba enfrenta, hoje, uma epidemia de dengue, a segunda a atingir a cidade, castigada em 2013, por idêntico flagelo, que contaminou centenas de pessoas, levando muitas delas à morte.

A fim de conter a epidemia, o governo do prefeito Antonio Carlos Pannunzio, que então apenas se iniciava, precisou remanejar verbas orçamentárias para contratar serviços emergenciais de retirada de material propício à reprodução do mosquito transmissor da doença, acumulado em centenas de baldios de propriedade particular, indevidamente usados, pela vizinhança, como lixões.

As pessoas nem assim aprenderam que o simples afastamento do lixo de suas residências e o ato de jogá-lo num terreno vazio mais ou menos distante, em nada contribuía para melhorar os níveis de sanidade de suas respectivas moradias. Antes, os piorava, implantando, a curta distância, um criatório de vetores, cujas picadas poderiam levá-las à morte.

Poucas semanas após a limpeza compulsória o lixo voltava a se acumular nas mesmas áreas.

Agora, nova epidemia nos alcança e, enquanto coletividade, voltamos a pagar um alto preço, em recursos materiais, que poderiam ser direcionados para outras urgências da vida urbana e, não fora isso suficiente, também em vidas humanas.

Não é a única mazela a revelar a necessidade em que o país se encontra de um trabalho consistente de educação de seu povo para a saúde, por meios formais e informais.

A saúde – felizmente – ainda não foi alcançada pelo processo de desmantelamento do Estado, conduzido pelo governo Bolsonaro. Teve, ademais, a sorte de contar, à frente do Ministério que dela se encarrega, com o sr. Luís Henrique Mandetta, dublê de político bem-sucedido, no exercício de um segundo mandato de deputado federal, e administrador competente, articulado e capaz de atuar em sintonia com a invejável estrutura de saúde pública da pasta, que o país construiu ao longo de décadas.

O trabalho do Ministério da Saúde, porém, vem sendo vítima de informações falsas sobre a confiabilidade dos mecanismos de prevenção de doenças disponibilizados pela rede de unidades básicas, de que é exemplo a criminosa atitude dos pais que se recusam a vacinar seus filhos contra todo um leque de doenças causadoras de sequelas insuperáveis, como a pólio, ou geradoras de sofrimento e morte, como o sarampo.

Soma-se a omissão dos pais o seu descuido face às doenças evitáveis por simples rotinas higiênicas. A melhor prevenção, contra o novo coronavírus, é o prosaico e eficientíssimo hábito de lavar as mãos.

Muito mais do que campanhas ,sazonais e limitadas no tempo, o país carece de um permanente esforço de educação para a saúde – por meios formais e informais – e de medidas administrativas, duras e de imediata implementação – por parte dos municípios. Em muitos casos, será preciso somar os esforços de várias prefeituras.

Exemplifico. O mosquito da dengue não respeita divisas municipais. Fracionar a contabilização dos casos da doença ocorridos em Sorocaba e no bairro iperoense de George Oetterer é um perfeito contrassenso. Em termos de prevenção e controle de epidemias, ele interage muito mais com Sorocaba que com o município a que se subordina administrativamente. Portanto, tudo aconselha, naquele e em muitos outros casos, uma articulação intermunicipal capaz de enfrentar, por exemplo, mazelas como os lixões clandestinos à margem de estradas que interligam os municípios.

As ciências médicas já se deram conta da inexistência de algo como um campeonato mundial da saúde, com direito a partida final entre o homem e o vírus. Face à sua constante mutação, este tem de ser contido, periodicamente, através de vacinas que ajustem o organismo humano às mudanças neles observadas.

A rapidez com que os humanos hoje se deslocam sobre a superfície do planeta joga em favor do vírus e gera mudanças inesperadas no curso das epidemias, de que é exemplo o pesado impacto do novo coronavírus sobre a Europa. A seu favor, tem a humanidade a crescente velocidade em sequenciar o DNA do vírus e desenvolver novas vacinas. Isso, entretanto, não evita as duras consequências das pandemias sobre a economia globalizada de nosso tempo.

Sendo certo que o novo coronavírus pode ser prevenido mediante ações de higiene pessoal e tem letalidade bem inferior à da influenza – gripe, no popular – o correto seria, sem descuido das ações de prevenção contra aquela epidemia, priorizar a atenção à dengue que já invadiu nossas casas e tomar consciência da necessidade da educação para a saúde com a qual ainda não contamos.

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