Vá pra rua ou fique em casa? Quem está com a razão?

LUCY DE MIGUEL (Blog Como Vai Você?) – Eis que nos encontramos enclausurados em meio a um turbilhão de informações e diante de uma ameaça invisível, que em menos de 15 dias nos tirou totalmente o chão. E, só pra variar, nos deparamos com uma polarização que, como todas, reforça uma atmosfera de ódio, de rivalidade, de destemperos… E o que é pior: de desunião.

Enquanto escrevo este texto neste domingo, aqui em São Paulo, aproximadamente às dez horas da manhã, passa uma carreata pela Av. Consolação, amparada por um carro de som tocando o hino nacional. Em meio aos buzinaços insanos, percebo a vizinhança indo pras janelas e varandas com suas panelas e garganta afiada, e começa a gritar o que todo mundo já sabe. Uma vizinha, em plenos pulmões saudáveis, e que sempre grita: “Genocidaaa!”, “Assassinoooo”… desta vez clamou enfurecida: “Sai a pé!”. A meu ver, um grito muito coerente.

A verdade é uma só diante de tal cenário – cada um de nós está, no máximo, cinquenta por cento certo. Houve um tempo em que o ovo era o vilão da história, comprovado por evidências científicas. Carne de porco, então, era um veneno. A soja já foi um alimento super saudável – já não é mais. Um médico me disse que o azeite não pode ser aquecido, senão libera substâncias tóxicas que são prejudiciais ao organismo.

A era das incertezas

Até que apareçam evidências ou estudos que provem o contrário, vamos vivendo, aprendendo e errando diante de verdades relativas. Confuso, não? A máxima socrática “Só sei que nada sei” nunca esteve tão presente na mente da humanidade. Para tudo, haverá ônus e bônus, só não podemos ficar parados, inativos, vendo a vida passar pela janela.

Num momento tão delicado como o que estamos vivendo, inédito na história mundial, é impossível tomar uma decisão que seja 100% acertada. Lembra do ônus? Entendo que decisões precisam ser tomadas e seguidas por todos. Já não se trata mais de polaridade partidária, ideológica ou econômica. Quem tem o poder para tomar as decisões, precisa avaliar os riscos, as oportunidades e adotar medidas que minimizem as perdas humanas. Essas sim, são 100% relevantes, não podem ser relativizadas.

Vá pra rua ou fique em casa?

Percebo que o problema todo esteja exatamente na incoerência, na falta de bom senso, de respeito ou, de forma bem simples e direta: de se importar com o outro. Se ciência alguma pode ser 100% certa, se nem mesmo a medicina é considerada uma ciência exata ou se até mesmo as evidências possuem exceções, não é hora de brincar com a sorte.

Quando se tratam de vidas humanas, não podemos adotar pensamentos tão reducionistas a ponto de colocar em risco o bem mais precioso: a vida. A sua, a minha, a de todos. Se pensarmos que toda vida importa, o momento é de união, já que estamos todos no mesmo barco.

Sejamos otimistas. Esse tsunami vai passar, sairemos mais fortalecidos, mais humanos, mais amorosos, muito mais generosos e com uma energia extra para nos reconstruirmos. Estamos precisando é de mais amor no café, no trato com o outro, valorizando a vida dos que estão fora trabalhando e cuidando dos que estão dentro de casa. Não vamos ganhar essa batalha com ódio, mas com amor, gentileza, respeito, solidariedade. Essa receita dá sempre certo!

Ah, e na dúvida, eu fico em casa. E sigo fritando meu ovo com um pouquinho de azeite. Enquanto não provem o contrário, essa receita é uma delícia!

Foto: Depositphotos/robodread

LUCY DE MIGUEL é jornalista, empresária do setor editorial, idealizadora e editora da revista NA MOCHILA, mãe da Sabrina e do Tiago. Como empreendedora social, fundou o Instituto Noa e idealizou o “Escolas do Bem“, o primeiro programa brasileiro de responsabilidade social nas escolas. É palestrante e professora de pós-graduação. Acredita que só é possível crescer fazendo os outros crescerem.  Criou esse blog para promover reflexões sobre o papel de cada um de nós na construção de um mundo melhor.

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