Originária de Bordeaux, a Malbec virou uva-símbolo da Argentina, onde ganhou um dia só dela (17/4), data em que é festejada no mundo todo

MARCO MERGUIZZO – Em Portugal, a versátil e elegante touriga nacional. Já no vizinho Uruguai, a tânica e masculina tannat. No Chile, brilha e reinou por muito tempo a robusta e opulenta carménère. Já na vizinha de fronteira, a Argentina, a carnuda e concentrada malbec ganhou a primazia e prestígio internacionais. Em comum, tais varietais (vinhos de uma única variedade) se tornaram praticamente sinônimo na taça desses países de vocação e tradição vinícolas.

Ao lado da produção expressiva em volume e de rótulos de qualidade, a poderosa indústria desses lugares resolveu eleger uvas-símbolo para si, a fim de ganhar o paladar, corações e mentes dos consumidores que são bombardeados pela superoferta de produtores, rótulos e uvas de todas as partes. E mais: seguindo a estratégia do comércio, criar também datas especificas para turbinar a venda de seus vinhos.

Caso desta sexta, 17 de abril, em que a Argentina oficialmente comemora mundo afora o Malbec World Day“. Mesmo vivendo em tempos de pandemia, o evento, que costuma ocorrer em locais públicos, como hotéis, bares, restaurantes, confrarias e clubes de vinhos em todo o mundo, terá algumas particularidades. Além das promoções de praxe oferecidas pelas importadoras e supermercados, haverá uma série de encontros e aulas virtuais com produtores, enólogos e especialistas que falarão sobre as características da casta bordalesa.

Para quem é fã de vinho e não só desta casta, o Malbec World Day também é uma excelente oportunidade para provar, comparar, aprender, descobrir as características e peculiaridades desta variedade francesa e provar os varietais de várias procedências que levam a uva em seu DNA.

Como aqui, no Brasil, em que importadores e distribuidores de vinhos promovem uma série de promoções do tinto-símbolo do país hermano em seus sites com ótima relação preço-prazer e, melhor com dólar promocional em algumas delas, além de descontos exclusivos. Vale, portanto, fazer uma pesquisa prévia nos sites dos principais importadores de vinhos, que oferecem preços mais vantajosos.

Mais: em tempos de confinamento e isolamento social, alguns deles farão lives exclusivas com produtores, sommeliers e enólogos renomados. Caso, por exemplo da importadora Mistral de São Paulo, que realizará, logo mais às 19h30, uma live exclusiva com uma das estrelas de seu porftfólio: o argentino Alejandro Vigil, enólogo-chefe da conceituada Bodegas Catena Zapata (para conhecer esta vinícola ultrapremiada, leia a entrevista exclusiva que eu fiz com Laura Catena, clicando aqui). e dono da vinícola-butique El Enemigo, em Mendoza, na Argentina, que a partir das 19h30 estará ao vivo conversando com os consumidores brasileiros. A transmissão será pelo Instagram da importadora: @mistralvinhos

Bate-papo com o craque Alejandro Vigil em live direto de Mendoza

Para marcar o Malbec Day deste ano, a Mistral, uma das maiores e mais respeitadas importadoras de vinhos do país, dará ainda 10% de desconto nos seus varietais de malbec – cerca de 35 diferentes produtores e regiões -, para compras realizadas entre hoje até 21/4. Os descontos são aplicados já sobre o dólar promocional de R$ 4,29 da importadora, levando a cotação a R$ 3,86 (frete gratuito para todo o país em compras acima de R$ 99).

Entre as opções de relação custo-qualidade estão o argentino Catena Malbec 2017 (de R$ 159,97 por R$ 143,97) e o francês Gouleyant Malbec Cahors AOC 2018 (de R$ 125,06 por R$ 112,55). Durante o período de quarentena, os pedidos podem ser pelos telefones em SP: (11) 3372-3400 e 3174-1000.

Malbec, uma francesinha globetrotter

Vinhedos aos pés da Cordilheira dos Andes: expressão do terroir mendocino


Brasileiro ama malbec, isso é líquido e certo. Rótulos varietais ou de corte (com outros tipos de uva em sua composição) estão entre os preferidos do consumidor, a maioria proveniente do país vizinho pela boa relação preço-prazer. Mas a uva também está presente em outros países como Chile, Austrália e Nova Zelândia, que têm ótimos malbecs. Embora originária de Bordeaux e tenha consagrado a região de Cahors, no Sudoeste francês, onde no passado era mais cultivada, são os tintos elaborados com a uva da região argentina de Mendoza que, em termos de mercado internacional, alcançaram fama e prestígio, nas últimas décadas.

Ou seja, a simples menção à malbec nos remete imediatamente à Argentina. Os melhores rótulos do país hermano conseguem a proeza de harmonizar a expressão do terroir do Novo Mundo, através de notas de frutas vermelhas, com a acidez e os taninos firmes e balanceados do Velho Mundo, constituindo- se, provavelmente, na razão pela qual se explica o enorme sucesso de seus rótulos mundo afora.

A uva malbec cruzou o Atlântico em meados do século 19, mais precisamente em 1852, e se adaptou espetacularmente no terroir mendocino. Nesta zona de clima seco e com ampla utilização da irrigação artificial, ela se manteve a salvo da filoxera (a praga que devastou os vinhedos no fim do século 19) e conseguiu apresentar ali a sua melhor expressão, constituindo-se hoje em uma grande bandeira do vinho argentino no mercado mundial.

Enquanto que, na sua Bordeaux natal, com seu caráter mais duro e tânico, ela continua desempenhando papel secundário no chamado “corte bordalês” – composição de variedades permitidas na região para a elaboração dos vinhos dessa apelação. Lá, ela fica à sombra das igualmente globalizadas cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc e petit verdot.

A malbec origina vinhos robustos e concentrados. No nariz recorda frutas vermelhas e negras, como cerejas maduras, ameixas, morangos, além de notas florais e de anis. Na boca, tem sabor característico, levemente adocicado proporcionado pela intensidade das frutas maduras. Assim, ele está longe de ser considerado um vinho fresco – o que não significa que não possa ser potente e tânico.

Por conter acidez bem equilibrada e taninos redondos, a malbec favorece o paladar longo e aveludado ou, em outras palavras, um tinto que não “amarra a boca”. À mesa vai muitíssimo bem com churrasco e assados de carnes de sabor forte e gordurosas como costela, picanha, cordeiro e aves. Um brinde à malbec e a sua enorme vocação gastronômica.

Fotos: Arquivo e Divulgação

Principal e mais importante região vinícola platina, a região de Mendoza projetou mundo afora a uva francesa originária de Bordeaux. Desembarcada no país vizinho em meados do século 19, a Malbec se aclimatou esplendidamente e ganhou, já na segunda metade do século passado, fama e prestígio internacionais, tornando-se quase um sinônimo de vinho argentino, nos dias atuais.

Malbec de estirpe – e de fina estampa

A partir da safra 2015, o Malbec Argentino é elaborado com um corte de vinhas antigas de dois icônicos vinhedos da família Catena Zapata: Nicasia e Angélica. Cada parcela é colhida individualmente, em seu ponto ideal, e vinificada separadamente. É um vinho extraordinário, que mereceu 95 pontos do conhecido crítico norte-americano Robert Parker, para quem é muito expressivo, e que no copo “continuou crescendo e crescendo, ficando mais focado e ainda mais fresco”. O Malbec Argentino foi criado por Nicolás Catena Zapata e logo em sua primeira safra (2004) arrematou 98+ da exigente revista Wine Advocate. Verdadeiro ícone, é sem dúvida um dos maiores tintos de Malbec da Argentina. É um vinho esplêndido, monumental.

Tive o privilégio de provar as safras 2015 e a de 2017, ambos de qualidade superlativa, simplesmente incomparáveis a outros malbecs hermanos. Embora ostente um preço um tanto salgado (em boa medida pela disparada do dólar), vale cada centavo pago. Importação exclusiva no Brasil pela Mistral, de São Paulo (Preço da safra 2017 no site da importadora: R$ 926).

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DEZ DICAS CAMPEÃS



CATENA MALBEC 2017 
(Mendoza/Argentina). Da Mistral. R$ 143,97 (**) Provado e aprovado por este blogueiro  

COBOS FELINO MALBEC 2016 (Mendoza/Argentina). Da Grand Cru. R$ 85 (**) Provado e aprovado por este blogueiro 

EL ENEMIGO MALBEC 2014 (Mendoza/Argentina). Da Mistral. R$ 159,66 (***) O preferido deste blogueiro 

ESCORIHUELA GASCON MALBEC 2016 (Mendoza/Argentina). Da Grand Cru. R$ 85

FINCA ANGEL MALBEC RESERVA 2014 (Mendoza/Argentina). Da Vinissimo. R$ 77 (*) Provado e aprovado por este blogueiro 

GOULEYANT MALBEC CAHORS AOC 2018. (Cahors/França). Da Mistral. R$ 112,55).

LAS PERDICES RESERVA CAPITÁN TOMÁS MALBEC 2016 (Mendoza/Argentina). Da Wine.com. R$ 57  

LA FLOR DE PULENTA MALBEC 2017 (Mendoza/Argentina). Da Grand Cru. R$ 68

PEREZ CRUZ CARMÉNÈRE MALBEC 2016 (Valle de Maipo/Chile). Da Wine.com. R$ 53

CAVA NEGRA MALBEC 2019 (Mendoza/Argentina).Da Wine.com. R$ 42,84

SALENTEIN KILLKA MALBEC 2018 (Mendoza/Argentina). Da Wine.com. R$ 69,90.

MARCO MERGUIZZO 
é jornalista profissional 
especializado em gastronomia, 
vinhos, viagens e outras 
coisas boas da vida. 
Escreve neste Coletivo 
toda sexta-feira. 
Me acompanhe também no Facebook e no Instagram, 
acessando @marcomerguizzo  
#blogaquelesaborquemeemociona 
#coletivoterceiramargem

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