Pandemia cala Aldir, letrista maior da música brasileira

GERALDO BONADIO – Vítima do coronavírus, morreu, aos 73 anos, o poeta Aldir Blanc, um dos maiores letristas da música brasileira, a quem devemos peças como O Bêbado e o Equilibrista, que, na voz de Elis Regina, se tornaria o hino da anistia que marcou o começo do fim da ditadura militar instaurada em 1964.

Dele, também, a letra de O Mestre Sala dos Mares, concebida para uma canção de homenagem ao marinheiro João Cândido, o Almirante Negro que liderou a revolta da chibata e pôs fim aos castigos físicos que, na Marinha de Guerra do Brasil, perpetuavam a escravidão negra.

A Marinha, até hoje, não admite que se reverencie a memória de João Cândido e, naturalmente, não permitiu que a composição de Aldir e João Bosco, fosse gravada com a letra original que, por isso, sofreu mudanças. A palavra marinheiro foi trocada por feiticeiro e almirante passou a ser navegante.

Ao registrar o seu desaparecimento, agrego a este post o link para a gravação da letra original de O Mestre Sala dos Mares, mais atual do que nunca num momento em que pesa sobre a nação brasileira vive sob a sombra do desgoverno Bolsonaro, impatriótico, demencial e golpista.

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