É cada um por si na Cultura? Não.

JOSÉ SIMÕES (Blog do Simões) – A  entrevista da Secretaria Especial da Cultura Regina Duarte à CNN foi para a maioria do artistas algo terrível de se ver e ouvir.

Primeiro porque ela  tinha nada a dizer para os artistas. Na sua cola ( que passou o tempo todo amassando ou enrolando) não havia nada de fato que  resultasse em apoio aos artistas. Passados sessenta dias no cargo não conseguiu sequer organizar um pensamento e mesmo tema para ser apresentado ao país. Nada.  Ao mesmo tempo  pediu 100 dias para poder falar algo? Ridículo.

Segundo porque ela foi canastrona ao se apresentar na entrevista como uma inocente, tal qual uma adolescente quando ganha um presente desejado ou um brinquedo novo, personagem que não lhe cabe, não é possível. Afinal trata-se de uma senhora com muita vivência no meio jornalístico. Trabalhou durante muitos anos na maior empresa de comunicação do país. Deu inúmeras entrevistas. Foi capa de revistas  de todos os tipos, inclusive, as de fofocas. É calejada. Nunca inocente.

Terceiro porque mentiu. Afirmou que “não lia nada das redes sociais”, mas sabia do movimento “Cadê Regina” (que só aconteceu nas redes sociais)  como, também, sabia que a estavam cobrando pela falta de manifestações públicas pela mortes de pelo menos quatro reconhecidos artistas brasileiros.

Quarto porque a ela sabe a diferença entre homenagem e obituário. Disse ela: “vocês querem que eu faça um obituário?”. Não. Ninguém quer um obituário. Queremos, sim, uma manifestação ou palavra de HOMENAGEM a estes trabalhadores da Cultura. Agiu, portanto, de modo dissimulada.

Quinto porque banalizou toda e qualquer tortura e os seus mortos. Desrespeito é o que me vem a cabeça. Canalha.

Paro por aqui.

O resto das afirmações e da encenação daquela senhora na entrevista foram de causar asco. Enfim, cada qual opta pela personagem que deseja ser lembrada. A memória, para quem é do oficio, é um patrimônio. Assim como o trato com os seus.

É importante reafirmar que os artistas não são heróis ou exemplos de pessoas “para a sociedade”. Artistas não são personagens. Muito pelo contrário são repletos de complexas dissonâncias. Inclusive são estas diferenças que potencializam muitos  processo criativos de alguns artistas.  Não existe pensamento uníssono nas artes. Há os inquietos, os vanguardistas, os experimentais etc.

Um artista/ cidadão/cidadã pode apoiar a direita, esquerda ou centro. Não vejo problema nisso. A não ser quando este artista apoia e defende a tortura e, principalmente, quando ela não defende a classe que representa como um todo no governo. Não pode trabalhar na Cultura quem não defende a Cultura e Artes, em síntese, os artistas e o acesso dos cidadãos à Cultura e as Artes.

(Isso também vale para os secretários e diretores da Cultura da Região Metropolitana de Sorocaba.)

Os artistas estão à deriva neste governo.  Estão sem eira e sem beira. Fato. (isso já era esperado deste governo em relação a Cultura e as Artes).

Entretanto, não podemos ficar cada um por si. Precisamos de modo urgente fortalecer os laços e as redes.

Temos movimentos  que já então em marcha. Vamos nos unir e  desenvolver  as forças horizontais apregoadas por Milton Santos. Os tempos são outros.

Vai passar. Apesar de vocês.

O tempo é o senhor da razão.

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