‘Ainda bem’ que tem ‘tubaína’

Lucy Rocha (blogueira convidada)

Acordei com os adoradores de Bolsonaro se deliciando na fala infeliz de Lula que, de forma inadequada, quis mostrar quanto a pandemia tem escancarado a ineficiência do modelo de governo proposto pela bizarra direita brasileira num país majoritariamente pobre.

Um modelo pautado pela necropolítica, desenhado para higienizar; fazer sangrar até a morte os mais desfavorecidos, tirando-os na marra do caminho, para que sejamos, enfim, um país onde se possa lucrar e viver “o sonho americano”.

Não é por acaso que essa turma desfila e protesta ostentando a bandeira norte-americana. É que o sonho brasileiro é esquerdista demais: saúde, educação, saneamento básico, água potável, comida e moradia para todos. Na pauta da distorcida direita brasileira nada disso tem lugar por um motivo muito simples: essas pessoas não têm nenhum desses problemas. Para elas, essas questões são igual caviar: nunca vi, nem comi, eu só ouço falar.

Não é por acaso que essa turma desfila e protesta ostentando a bandeira norte-americana. É que o sonho brasileiro é esquerdista demais: saúde, educação, saneamento básico, água potável, comida e moradia para todos.

Desde o início da pandemia, que atualmente mata uma pessoa por minuto no país, colecionamos duas dúzias de frases cruéis, psicopáticas, completamente sem noção, mas, paradoxalmente, o lugar de destaque demos ao “ainda bem” de Lula.

Pois bem, lhes digo o que penso sobre a fala de Lula. NADA. Não penso nada por que nada significa. Lula não é o chefe dessa nação. Não é dele que esperamos falas de acolhimento, esperança e unificação. A fala de Lula tem, nesse momento, a importância que teria a fala de qualquer cidadão comum. Mas, para uma torta direita assombrada pelo fantasma de Lula, o “ainda bem” veio como um presente; um enorme martelo que tem como missão esmagar sua maior ameaça.

De repente não importa se falou o ladrão, o presidiário, o corrupto. De repente, essa é a fala mais cruel e, portanto, aquela a ser combatida. De repente acordam do sono profundo, da surdez diante de todos os abusos verbais de seu mito e, num enorme coro, se indignam com o “ainda bem”. De repente a empatia pelas vítimas da COVID-19 (que até ontem era só uma farsa comunista) se faz necessária. O resultado é um grotesco desfile sem fantasia de cinismo, torpeza e oportunismo.

Reflito sobre como nossa direita dodói seleciona o que é correto e o que deve ser relativizado e concluo que sobre nós, brasileiros, o que deve pesar, vez que realmente impacta nossas vidas, são, invariavelmente, as falas do nosso líder, aquele a quem confiamos o timão da nação. E foi pensando em suas falas que já garanti a minha Tubaína.

Lucy Rocha é advogada e blogueira. Mantém uma página no Facebook sobre relações tóxicas. “Sempre fui nômade, vivi em vários países mundão afora e acabei por guardar dentro de mim um pouquinho da cultura de cada um deles”, diz.

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