Dia Mundial do Meio Ambiente impõe reflexões sobre nossa relação com o planeta

Sandra Nascimento

Devido à pandemia de Covid-19, a semana que antecedeu o Dia Mundial do Meio Ambiente, lembrado em 5 de junho, chegou sem muitos motivos para comemorações. No entanto, nada impediu que uma série de eventos virtuais trouxessem as necessárias reflexões. Comemorada desde junho de 1972, a data foi criada em Estocolmo (capital da Suécia), com o objetivo de repensar as ações de países e governos com relação à preservação da vida humana no planeta.

Em 2020, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) vem apresentando vários temas que estão sendo transmitidos pelas redes sociais, através de plataformas como o Zoom e o Youtube. PNUMA, principal autoridade global em meio ambiente, é uma agência do sistema das Nações Unidas (ONU), responsável por promover a conservação ambiental e o uso adequado de recursos naturais para a garantia do desenvolvimento sustentável.  

Neste momento, em todo o mundo, somam-se a ela muitas redes que discutem assuntos como o ecoturismo, florestas, consumo, agroecologia, educação ambiental, o efeito do aquecimento global, assim como natureza e biodiversidade.  

Como queremos viver?

Entre os convidados às lives virtuais, destacou-se a cientista Jane Goodall, antropóloga, primatóloga britânica e especialista em Educação Ambiental. Aos 86 anos, Jane continua coordenando o Jane Goodall Institute. No dia 4 de junho, durante o debate promovido pela Compassion in World Farming sobre “Pandemia, Vida Selvagem e a Produção Industrial dos Animais”, ela enfatizou:

“A pandemia pelo novo coronavírus é o resultado de nosso absoluto desrespeito ao Meio Ambiente… Se não fizermos as coisas de maneira diferente, será o nosso fim. Mas ainda temos uma janela de tempo para nos reunirmos e deixarmos nossas vozes serem ouvidas. Todos os dias, causamos impacto ao planeta, agora apenas precisamos escolher que tipo de impacto queremos causar.”  

Jane Goodall
Desmando socioambiental

Ao mesmo tempo, quase que simultaneamente, na contramão da história e por razões políticas de governo, no Brasil a Covid-19 contagia populações inteiras e o país tem registrado, além de um número crescente de mortes, acontecimentos que o colocam num palco de sucessivas tragédias em questões socioambientais. Se não, como explicar o assassinato de Zezico Rodrigues Guajajara  em 2 de abril, na terra índigena de Arariboia, município de Arame, estado do Maranhão?

Zezico Rodrigues Guajajara

Zezico era defensor da floresta, líder comunitário, professor e diretor do Centro de Educação Escolar Indígena Azuru, na aldeia Zutiwa. Um líder que se colocava contra a invasão e o roubo de madeiras e se posicionava pela demarcação dos territórios, estratégia negada por um governo que incentiva amplamente a invasão em aldeias demarcadas e abandona as ações judiciais que visam a permanência dos povos indígenas em suas terras.       

Povo da aldeia Zutiwa, onde Zezico Rodrigues Guajajara dirigia o Centro de Educação Escolar Indígena Azuru

Uma das provas do descaso para com as leis ambientais pôde ser vista após a divulgação de um vídeo da reunião ministerial do dia 22/4/2020, liberado por Celso de Melo, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) para análise sobre a possibilidade de interferência de JB no poder da Polícia Federal. Na verdade, o documento revelou muito mais do que se esperava. Numa das cenas, o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que a epidemia do novo coronavírus representa oportunidade de mudar pontos da legislação para facilitar a exploração de terras restritas sem atrair a imprensa: “É preciso aproveitar o momento de tranquilidade, com a atenção da imprensa concentrada na Covid-19, para ir passando a boiada e ir mudando todo o regramento, simplificando normas.”

À procura de um remédio

Enquanto isso –  segundo informou o site Acrítica.com –,  os índios Sataré Mawé, da Amazônia, com um grande número de casos da doença e muitas dificuldades burocráticas para serem atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), navegam todos os dias à procura de plantas que combatam os sintomas da Covid-19. Entre elas, colhem a casca da carapanaúba (árvore que possui propriedades antiflamatórias) e da saracura-mirá (utilizada no tratamento da malária). Suas receitas incluem infusões de cascas ou chás feitos a partir do jambu, hortelã, manga, gengibre e mel.

Os Sataré Mawé são ainda os responsáveis pela domesticação do guaraná e conhecidos, principalmente, por criarem o processo de beneficiamento de plantas. Atualmente, vivem na fronteira entre os estados do Amazonas e Pará e nos arredores de Manaus. Por tudo o que representam, nesta semana, entre outras personalidades, eles também povoaram as mídias sociais.

Os Sataré Mawé buscam na floresta remédios naturais para a cura da Covid-19

Referências:

Conexão Planeta, Amazônia Notícia e Informação, Socioambiental.org/ Sateré Mawé; Clima Info (climainfo.org), Jornal Estado de Minas, Site Acrítica.com, Revista Veja,  Terra.com; Galileu; Instituto Socioambiental

Fotos/ ilustrações:

Gráfico: Faculdade de Medicina da Usp de Ribeirão Preto

Povos indígenas: Arquivo do Instituto Socio Ambiental do Brasil – ISA

Jane Goodall – por Floatjon/ Own work, via Wikimedia Commons

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