“Você bem que podia mudar um pouquinho”

LUCY ROCHA – Não raro, quando nos relacionamos, lidamos com grande dificuldade com aquilo que no outro percebemos como “defeitos”. Às vezes, mesmo inconscientemente, bombardeamos de exigências as pessoas com as quais nos relacionamos, esperando que elas se adequem ao nosso conceito de ideal. Mas o que você precisa saber é que a sua cara metade, aquela pessoa que veio mesmo para ficar, aceita você como é e sabe que, se houver mudanças, devem ser espontâneas e para seu próprio crescimento, jamais exigidas.

É um erro mudar para agradar o outro enquanto você sufoca sua própria identidade. É algo extenuante que ninguém consegue manter por muito tempo e continuar sendo feliz. E é um erro ainda maior, já que não é algo que podemos controlar, esperar que o outro se torne quem nós idealizamos.

Lembrar a máxima “nada muda se você não mudar nada” nos ensina que que cada indivíduo deve tomar a frente e ser responsável por suas próprias mudanças. Como a borboleta ainda no casulo ou o pinto ainda no ovo, mudanças que levem à evolução da vida devem ocorrer de dentro para fora, ao passo que estímulos externos inadequados para que elas aconteçam em outro ritmo que não seja o natural à espécie, podem resultar em tragédia.

Em algumas situações é possível orientar quem precisa de orientação para crescer, mas impor a si ou ao outro mudanças que sacrifiquem a identidade do seu par é, no primeiro caso, adaptabilidade doentia e no segundo, falta de respeito com o que o outro acha ideal para sua vida. Ainda que você esteja coberto de boas intenções, cada um sabe o que é melhor para si.

É preciso aceitar a individualidade e as características pessoais de cada um, buscando relacionar-se com quem você tem afinidades reais, pois o empenho em mudar quem quer que seja pode fazer com que você esqueça de cuidar de seu próprio bem-estar.

A ideia é ter sempre em mente que quando se está dentro de um relacionamento saudável, nos sentimos confortáveis na presença do outro e na própria pele. Isso quer dizer que ter aquela sensação constante de que algo não se encaixa é um indicativo de que, talvez, vocês não nasceram um para o outro. Aceitar isso com maturidade é autopreservação.

Então, se neste momento está se relacionando com alguém que “poderia mudar só um pouquinho para que tudo fique perfeito”, tenha coragem, olhe para a realidade e pergunte a si mesmo se esta pessoa, assim como se apresenta agora, é aquilo que você deseja para sua vida. Seja honesto na resposta e aja de acordo!

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