Fora da Margem, Ano 2, Edição 45 – Edição Extra

Cartunistas e brasileiros: uni-vos!

FORA DA MARGEM / Edição: Marco Merguizzo – Quem achava que estávamos às portas de um autogolpe ou na antessala de uma ditadura disfarçada, com todo tipo de negacionismo da história, repressão e tortura perpetradas durante o período da Ditadura Militar de 1964, e todo o pacote antidemocrático que inclui a suspensão de uma série de direitos, como a censura e o cerceamento da liberdade de expressão, agora pode ter certeza: habemus uma semiditadura não de direito mas de fato.

Ao longo dos últimos meses e ao lado de uma sequência de manifestações contra os demais Poderes da República, dia sim, outro também, como o de domingo (14), o mais recente deles, em que foram atirados fogos de artifício sobre o prédio do STF, uma afronta inconcebível realizada por grupos de orientação nazifascista liderada pela agitadora bolsonarista Sara Winter – nesta segunda-feira (15), foi a vez do ministro da Justiça, André Mendonça, a pedido de Jair Bolsonaro, anunciar que a Polícia Federal abrirá um inquérito contra o chargista Renato Aroeira e o jornalista veterano Ricardo Noblat, de O Globo, do Rio, que reproduziu a charge e criticou esta ação antidemocrática do governo em sua coluna no mesmo jornalão.

Aroeira produziu uma charge em que compara o incentivo de Bolsonaro à invasão de hospitais ao nazismo. Na charge, uma cruz vermelha de um hospital é transformada em suástica, símbolo do regime de Adolf Hitler. O jornalista Ricardo Noblat reproduziu seu conteúdo e por isso também deverá ser aberto um inquérito contra ele.

A charge de Renato Aroeira que incomodou o ‘democrata’ JMB

A crítica do chargista é amparada pela liberdade de expressão, que é cláusula pétrea da Constituição brasileira, mas para Bolsonaro que já foi criticado pelo decano do Supremo Tribunal Federal ao comparar o Brasil atual à Alemanha hitlerista, e pela própria comunidade judaica por utilizar métodos de comunicação e slogans nazistas, a charge ofende a segurança nacional.

Em seu twitter, o ministro da Justiça justificou o pedido de investigação baseado na lei que trata de crimes contra a segurança nacional. O texto diz : “O pedido de investigação leva em conta a lei que trata dos crimes contra a segurança nacional, a ordem política e social, em especial seu artigo 26”.

Crédito: meme anônimo

Em resumo e em outras palavras: retrocedemos, em menos de 18 meses de governo bolsonarista, aos piores momentos da repressão da nossa história recente, com o cerceamento à liberdade de expressão, uma das práticas nefastas, dentre muitas, da golpe militar (foi golpe, sim), implantado no Brasil, há 56 anos.

Se não bastassem as perdas de vidas de brasileiros para a covid-19 e o descaso, inoperância e omissão governamentais ante à tragédia da pandemia, embarcamos, como numa máquina do tempo de volta ao pior ambiente dos anos de chumbo. Ou a um mundo de ficção como um remake mambembe do blockbuster O Exterminador do Futuro.

O Brasil de 2020 é um pesadelo sem fim, não é pra principiantes, como já dizia de modo irônico e sabiamente o maestro e compositor Tom Jobim (1927-1994).

Mas nós resistiremos. E não nos calaremos.

Força, Aroeira. Força, Brasil.

(Em tempo: não deixe de conferir neste sábado, a Edição 45 do Fora da Margem com as melhores charges desta semana).

CONFIRA TAMBÉM:
Ouça o podcast do jornalista e comentarista político Thomas Traumman, da revista Veja:

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