Ler o “Pequeno Príncipe” não basta para ser gestor ou dirigente cultural

JOSÉ SIMÕES – Uma anedota, no final dos anos 80, se repetia pelos corredores das recém criadas Secretarias da Cultura nos municípios. Para ser Secretário da Cultura bastava que o sujeito tivesse lido o “Pequeno Príncipe”.

Dito de outra forma, para os políticos daquela época qualquer um poderia ser Secretario ou Dirigente da Cultura no município, desde que tivesse um “pouco de sensibilidade”.

Naquele tempo não havia profissionais e especialistas na área da Cultura em quantidade suficientes, para trabalhar como gestores culturais. Era uma improvisação atrás da outra.

Além disso a maioria das recém criadas Secretarias da Cultura foram constituídas por funcionários que sequer sabiam a diferença entre Arte e Cultura ou mesmo o porquê estavam lá. Algumas diziam que era porque gostavam de organizar festas, outras de fazer bordado e assim por diante. Desse agrupamento de pessoas, até muitas vezes bem intencionadas, que pouco ou nada conheciam acerca de Arte e Cultura como campo de conhecimento (e sobretudo as suas especificidades} é que foram forjados estes órgãos de gestão da Cultura nos municípios.

A realidade hoje é outra. Há especialistas altamente capacitados nos municípios. A Cultura se revelou uma atividade complexa, dinâmica e sem espaço para amadores ou aventureiros. Não basta o sujeito ter somente boa vontade ou sensibilidade. Não basta organizar festas comemorativas. É preciso que o gestor cultural tenha o conhecimento da intrincada legislação cultural, dos modelos de gestão cultural, animação cultural, formação de públicos, da importante ligação entre Memória, Educação, Patrimônio, Artes e Artistas. É preciso que, também, tenha conhecimento estético. Enfim: formação na área.

Apesar do tempo, infelizmente, em alguns dos 27 municípios da Região Metropolitana de Sorocaba nada disso é levado em conta. As Secretarias da Cultura se tornaram moeda de troca política, com a indicação de nomes sem nenhuma afinidade com o campo de trabalho ou formação técnica.

Nem todos os municípios estão ainda nos anos 80. Há aqueles que investem na Cultura e o resultado é visível no bem estar da sociedade. Afinal não existe educação sem Cultura e Arte. Muito menos cidadania plena.

É bem por isso ser necessário a todo momento discutir com a sociedade a importância da Cultura. Apontar caminhos e modo se construir políticas publicas de Cultura.

Não é nada bom para a região metropolitana se chefes do executivo de algumas cidades da Região Metropolitana de Sorocaba – prefeitos ou prefeitas- não tem compreensão técnica em relação a área da Cultura. Ignoram as Artes e a Cultura. Retiram dinheiro do Fundo de Cultura. Não investem na arte popular, nas bibliotecas, na dança, na musica e no teatro. Não investem em cidadania. Atuam de modo desrespeitoso com os trabalhadores das Artes e da Cultura é preciso buscar alternativas para o diálogo.

Sempre é bom lembrar que o cuidado e o fomento com a Cultura não é uma benesse que um político pode ou não considerar oferecer a população. É direito constitucional e, também, integra a Lei Orgânica de todos os municípios.


Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.

§ 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.

2º A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes segmentos étnicos nacionais.

3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público que conduzem à: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 48, de 2005)

I defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 48, de 2005)

II produção, promoção e difusão de bens culturais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 48, de 2005)

III formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 48, de 2005)

IV democratização do acesso aos bens de cultura; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 48, de 2005)V valorização da diversidade étnica e regional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 48, de 2005)


Por hora é importante dizer que esta pandemia esta mobilizando os artistas e os fazedores das Artes e da Cultura da Região.

Juntos são fortes e se farão respeitados.

Foto: Cia de Eros.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: