Gilmar não toma sopa fervendo


GERALDO BONADIO – Gilmar Mendes nasceu na cidade mato-grossense de Diamantino. Fundada nas primeiras décadas do século XVIII pelo bandeirante Gabriel Antunes Maciel, antes capitão mor da Vila de Sorocaba, foi assim batizada pelo achado, que ali se fez, de pedras preciosas.

Ao longo do caminho que o levou dali ao plenário do Supremo Tribunal, com escalas nas universidades de Brasília e Münster (Alemanha) e na Advocacia Geral da União, acumulou um baú de vivência que, conforme o momento ou interesse de quem as examina, pode servir de base a panegíricos ou vilipêndios.

Só o que nele não se encontram são precipitações ou ataques temerários. O ministro não toma sopa fervendo nem “truca de beiço”. Quando concita o adversário a baixar as cartas na mesa, tem consigo uma boa mão.

Quanto tentam processá-lo por haver afirmado que o Exército brasileiro se associou a um genocídio, os generais que ora governam com Bolsonaro são quem mais tem a temer.

Criando obstáculos às corretas medidas preventivas que, na ocasião, eram aptas a evitar dezenas de milhares de mortes e respaldando a charlatanice implícita na recomendação da cloroquina e derivados como medicação capaz de prevenir ou tratar o coronavírus, aqueles oficiais chancelaram com o sinete das Forças Armadas omissões e imposturas médicas.

Ao dizer o que disse, o ministro deu voz ao murmúrio das ruas e aos cochichos da caserna, coisas que nenhuma nota de repúdio, mesmo veemente, conseguirá calar.

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