Falso normal

LUCY ROCHA – Talvez inconscientemente, muitos de nós, quiçá se como mecanismo de defesa, medo, comodismo ou por razões mais profundas, nos acostumamos com uma determinada situação ou estilo de vida como sendo a nossa realidade “desde sempre”, fixa e convenientemente imutável. É como se fossemos uma plataforma e aquele, o sistema em que operamos.

Bom ou ruim, saudável ou doente, abusivo ou repleto de amor, o modo que uma pessoa vive, em algum momento passa a ser o seu “normal”. São assim as relações de trabalho, as amizades, a relação com familiares, as histórias de amor ou até nosso estado físico e mental. Tudo isso, em algum momento, ganha um formato familiar, com o qual nos acostumados.

Ocorre que quando o seu “normal” é doente ou abusivo, vive-se numa realidade cheia de opressão e depressão que somente pode ser superada quando você se dá conta de que o normal doente ou abusivo é um FALSO normal.

Quem vive num “falso normal” está como que em desamparo aprendido, no qual o sujeito reconhece que está numa situação adversa ou desconfortável, porém desiste de agir porque acredita que nada que fizer será capaz de mudar aquela situação. Esse individuo “aprendeu” que está desamparado e se encolhe num canto de seu falso normal feito um camarão fresco na frigideira quente. E é claro, a vida, o tempo e as oportunidades perdidas enquanto ele permanece ali encolhido em seu cantinho incômodo, mas “seguro”, o abocanharão com a mesma voracidade que eu comeria um daqueles camarões gigantes alho e óleo servidos nas festas de casamento em Chinatown.

Se tem um sininho tocando aí dentro de sua cabeça, saiba que o primeiro passo da jornada para fora deste “falso normal”, no qual os personagens são ligados por uma estranha espécie de amor, elo ou apego a alguém, alguma coisa ou situação que aprisiona, violenta, manipula, confunde, desrespeita, oprime e deprime, é aprender a se autoconhecer e a investir tempo e força de vontade em si mesmo, de modo a descobrir que aquilo que se pode mesmo entender como amor, envolve empatia, respeito mútuo e não agride, seja literal ou figuradamente.

É preciso enxergar a porta aberta e caminhar para fora dela em direção a um mundo amplo onde se possa, finalmente, construir um verdadeiro normal.

E como é, afinal, o “VERDADEIRO normal”?

Na verdade, não importa e sequer existe. O seu normal pode ser estranho para muitos, mas para você e quem com você o compartilha, tem que trazer “o frescor da vida”, o que se traduz em prazer, leveza, liberdade, clareza, evolução, respeito e validação. O que não traz essas sensações é doente e, portanto, não deve ser considerado normal e nem tão pouco tolerado.

Então, limpe seu “sistema” ou faça logo um upgrade! E não adie! Faça isso hoje, para você e por você. Não se vitimize quando se der conta de qual é o seu “falso normal” e nem tema a mudança. O mundo não tem interesse e nem tempo para quem se vitimiza ou se acovarda diante daquilo que lhe faz mal.

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